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OuremReal

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08.08.18

Portugal não tem conserto!


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Portugal não tem conserto!

Como é possível que, ano após ano, se vão repetindo os trágicos incêndios que vão destruindo floresta, casas, bens e vidas humanas e não se tomem medidas que ponham fim, de uma vez por todas, a esta calamidade?

As notícias de hoje davam conta que o incêndio que lavra na zona de Monchique há cinco dias, estava a ser combatido por 1300 bombeiros, com mais de 400 viaturas e 13 meios aéreos e já estão destruídos 19 mil hectares de floresta. Há dezenas de pessoas deslocadas, há feridos e vidas em risco. E mais povoações e pessoas estão ameaçadas! E a situação parece estar longe de ser controlada!

E continuamos a constatar que há habitações “enfiadas” na floresta, continuam a não ser respeitados os mais elementares cuidados de prevenção por parte das populações, continuam a não ser tomadas as medidas que se impõem por parte de quem tem que as tomar, seja a nível local, regional ou nacional.

Passou-se um ano sobre a tragédia que vitimou dezenas de pessoas e, parece, que não se aprendeu nada.

Continua a discutir-se eucalipto, sim, eucalipto não! Continua a preocupação de muitos entendidos em substituir o ministro, o secretário de estado, ou mesmo o primeiro-ministro e nem o presidente da república escapa, porque ainda não “sugeriu” que se demitisse este ou aquele. E as televisões continuam no terreno a recolher os desabafos de angústia, tristeza e medo das pessoas atingidas e a ouvir a sua revolta e as acusações, porque… “ninguém chegou para ajudar”, em tempo útil, a ponto de evitar as desgraças. E, a seguir, virá a contabilização dos prejuízos, os pedidos de apoio e as indemnizações. Com ou sem aproveitamentos! E a Assembleia da República ainda há de arranjar uma comissão de inquérito, ou duas, para entreter deputados, fazer crer que está preocupada com este assunto e engendrar um relatório que permita apontar o dedo a quem estiver a incomodar! Isto, depois de chamar ao parlamento o ministro A e o B, se necessário, para fazer aquelas inquirições que, muitas vezes, dão vontade de rir.

É assim que tem sido! Nada surpreende que assim continue! Mas o problema não se resolverá assim! Nem de outra maneira enquanto cada um puxar para seu lado, ao sabor de interesses de cada momento, da cada força mais ou menos organizada. A menos que haja coragem, determinação e força para fazer o ordenamento do território, a reorganização da floresta, a descentralização de competências e dotações orçamentais para as autarquias, leis equilibradas e capacidade para impor o seu cumprimento.

Os milhões que estão a ser consumidos no combate aos incêndios e nas inevitáveis indemnizações, pelo menos a grande fatia desses milhões, têm que ser gastos na preparação e prevenção. E as populações deverão tomar consciência dos riscos que poderão correr, caso não se enquadrem nos planos que, localmente, terão de ser adotados.

Quem governa, quem toma decisões, quem nomeia, quem dirige, quem comanda tem que ter competência para tal e tem que ser responsabilizado por aquilo que faz ou devia ter feito e deixou de fazer! Porque, a continuar assim, Portugal não terá mesmo conserto!

 

O.C.