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OuremReal

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31.01.20

O aeroporto


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São fases! Há quem diga que são modas! Agora está na moda querer um aeroporto aqui, outro ali, conforme interesses e necessidades. Tudo porque o congestionamento da aeroporto da Portela, em Lisboa, há muito tempo que pôs muita gente a falar no assunto e a “inventar” soluções. Fazem-se, têm sido feitos estudos e mais estudos, angariaram-se apoios para esta e para aquela solução, apareceram os grupos de pressão para cada uma das hipóteses e criaram-se os movimentos contrários, com regionalismos e bairrismos a demonstrar ou a tentar demonstrar que nenhuma era viável e por cada “vantagem” apontada para cada proposta aparecia, no mínimo, um “inconveniente” a fazer voltar tudo à estaca zero.

E, assim, temos andado, de “solução” em “solução” até chegarmos aos dias de hoje sem solução nenhuma, pelo menos definitiva, depois de muito tempo passado e milhões de euros gastos, com a hipótese Montijo a ganhar força, porque o atual governo decidiu que era de tempo de acabar com o impasse e acha que esta é a solução mais adequada.

Já tivemos a Ota, Poceirão, Alcochete, Alverca, Monte Real, Beja, Tancos e, ao que parece, vamos acabar no Montijo. E, se esta for a decisão final, o problema principal da Portela não ficará resolvido, porque o aeroporto continuará dentro da cidade de Lisboa. Impõe-se a construção de um aeroporto moderno que, por si só, assegure o número de movimentos/hora que estão a sufocar a Portela, com duas pistas a funcionar em simultâneo para aterragens e descolagens, sem necessidade de complementares e que retire o aeroporto do centro da cidade. Um empreendimento caro, certamente, e que, por isso mesmo, poderia ser feito em duas ou três fases, até desativar, por completo, a Portela. Mas, parece que não é isso que mais interessa aos “interesses” instalados.

Ultimamente ganhou alguma visibilidade, a nível mais restrito e ao que ao Médio Tejo diz respeito, a discussão sobre a transformação do aeródromo militar de Tancos em aeroporto. Não é claro se os promotores da ideia enquadram essa obra numa eventual solução para complementar a Portela ou se, apenas, estão a pensar no âmbito regional, de modo a dar resposta às supostas necessidades de uma região que se pretende dinâmica no setor empresarial e que aposta, principalmente, no turismo e no desenvolvimento da região centro em que se insere. Na primeira hipótese, como complementar da Portela, Tancos não resolve o problema, porque não retira o aeroporto do centro da cidade de Lisboa. Tal como a solução Montijo não resolve. Além disso, e isto serve para qualquer que seja a finalidade que se pretenda, tenho sérias dúvidas da viabilidade de um aeroporto naquele sítio, o mesmo onde existiu a BA3, de boa memória, onde tive a honra e o prazer de trabalhar durante 3 anos. No enfiamento da pista, para nascente, está a vila de Constância, a pouca distância, em linha reta. E para poente, V.N. da Barquinha, Atalaia e Entroncamento. O argumento de que já lá estiveram aviões militares durante muitos anos e nunca “incomodaram” não é sustentável, porque todos sabemos que as aeronaves que lá estiveram não têm nada a ver com aviões comerciais de grande porte; depois, a pista tem, apenas, um comprimento de dois mil, quatrocentos e poucos metros e não dará para expandir muito mais; as ajudas que são precisas para as aterragens precisam de uma extensão de alguns kms para cada lado da pista e não parece que esse espaço exista. Depois haverá pormenores técnicos que não domino, claro, mas que, em minha opinião, dificilmente viabilizarão a instalação do aeroporto que alguns pretendem.

Entretanto, algumas manifestações mais entusiásticas e, nalguns casos, de propaganda político-partidária a que vamos assistindo, prestariam um bom serviço se apresentassem, publicamente, os estudos, os projetos, ou o que seja, em que sustentam as suas pretensões. Ficaríamos todos esclarecidos e, eventualmente, poderíamos participar na euforia.

 

O.C.