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OuremReal

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20.12.15

Natal amargo


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Foi “só” há 54 anos...!!! Em vésperas do Natal de 1961! Um Natal diferente de todos de que me lembrava, porque as recordações que guardava do presépio da minha infância e dos serões da noite mais comprida e animada de todas, começaram a dar lugar a outros cenários que a imaginação ia inventando!

 

“Não prevejo possibilidade de tréguas, nem prisioneiros portugueses, como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos.”

 

Era este o conteúdo do telegrama com que o então Presidente do Conselho de Ministros de Portugal, António de Oliveira Salazar, resolveu “encorajar” os 3 500 militares portugueses que defendiam os territórios de Goa, Damão e Diu, o chamado “Estado Português da Índia”, quando, naquela madrugada do dia 18 de Dezembro de 1961, a União Indiana resolveu enviar um exército de 50 000 homens, por terra, mar e ar, para pôr termo, definitivamente, a uma presença portuguesa de 450 anos.

O então governador Vassalo e Silva “percebeu” a mensagem. Sabia que Salazar precisava de “mártires”; era preciso haver um massacre para que, de seguida, pudesse incriminar a União Indiana na ONU. Simplesmente decidiu ter bom senso e sentido de responsabilidade para com os 3500 homens que comandava. O general sabia que o seu pequeno exército, (?) mal preparado e pior equipado, só poderia servir para isso; para ser massacrado. Rendeu-se 36 horas depois!

Mesmo assim, ainda morreram 25 portugueses!

Poucos conseguiram fugir e os que ficaram foram feitos prisioneiros.

Por cá, a rádio do regime, a então Emissora Nacional, ia dizendo: “...as forças portuguesas combatem heroicamente os invasores...”! Quem tinha o “atrevimento” de ouvir as emissoras estrangeiras que noticiavam em português, à noite, nas ondas curtas, ia sabendo que a desgraça era outra...!

Então, como agora, a “propaganda” cumpria a sua missão...!

Escusado será dizer que, quando regressaram a Portugal, os graduados, os mais responsáveis, foram severamente castigados, porque não souberam cumprir o “dever” de...morrer!

Afinal, nem sempre tudo é doce no Natal!

 

O.C.