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OuremReal

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05.05.16

"Milagre" do sol


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Há quem diga que o sol, quando nasce, é para todos! Eu também acho que sim! Mas sei que, de facto, nem sempre assim é! Nem no sentido real da expressão, nem no sentido figurado. Mas deixemos o sentido figurado e vamos à parte que diz respeito aos astros e aos fenómenos da natureza. Isto a propósito do pretenso “milagre” que teria ocorrido em Ourém, há dois dias atrás, e que terá tido o nosso astro rei como protagonista. Ao ver um vídeo com o depoimento de algumas pessoas que dizem ter visto o sol a “rodar”, a “mudar de cor”, com “auréola”, ora azul, ora vermelha e com mais não sei o quê, no momento em que participavam numa cerimónia religiosa em que a imagem de N. Sr.ª de Fátima saía da Igreja de Ourém, na itinerância que está a fazer por algumas freguesias do concelho, não pude deixar de me impressionar com a maneira como essas pessoas se expressavam, na força e na emoção das suas palavras, na convicção que deixavam transparecer e na “naturalidade” com que atribuíam ao fenómeno algo de sobrenatural, um “sinal”…um milagre, afinal! E não pude deixar de “recuar” até a um tempo (1917) e a um lugar (Fátima) onde também não estive, mas outras pessoas estiveram, com a mesma convicção, a mesma emoção, a mesma força das palavras e que, perante o mesmo sol, com condições atmosféricas idênticas, presenciaram um fenómeno semelhante que, com toda a “naturalidade”, ficou na história religiosa como o milagre do sol.

Então como agora, o fenómeno é idêntico e, em meu entender, facilmente explicável. Para isso, socorro-me de partes de um texto do Observatório Astronómico de Lisboa que diz:

“O fenómeno não tem nada de anormal e tem uma frequência estimada em 100 dias por ano em distintos pontos do planeta. Trata-se apenas de um efeito atmosférico comum de dispersão de luz e nem sequer é de natureza astronómica. Na nossa latitude, não é muito comum, mas também não é raro. A auréola observada - um halo, na terminologia científica, que é provocada pela passagem de raios solares através de microcristais de gelo dos cirros, que são as nuvens esfarrapadas na alta atmosfera (mais de 20 quilómetros de altitude), formando uma espécie de lente que dá o efeito circular à volta do Sol. É o chamado "disco de Airy" (em homenagem ao astronómo britânico do século XIX, George Airy, que descreveu o fenómeno), que pode ser observado também à noite em volta da Lua. Por causa da geometria (faces hexagonais) das partículas microscópicas, produz-se a difracção (mudança de direcção). Este fenómeno óptico também produz a separação das cores - vermelho e azul - e é por isso que há quem pense tratar-se de um arco-íris. Mas só o vermelho se observa com mais facilidade, devido à falta de contraste do azul com a cor do céu.”

Esta é a “minha” explicação para o fenómeno. A resposta da Natureza! Naturalmente!

O resto…é com cada um!

O.C.