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OuremReal

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11.04.21

Manipulação


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A manipulação continua. Foram 7 anos de novela que tiveram como primeiro episódio o miserável espetáculo da detenção de um ex-primeiro-ministro à chegada ao aeroporto de Lisboa, com o folclore televisivo a que o país assistiu. Foram as muitas “fugas” de informação ao longo de todo esse tempo. Foi a prisão e a humilhação com a comunicação social a contribuir para que a opinião pública fosse formatada no sentido de antecipar uma condenação que, mais cedo ou mais tarde, se pretendia ver confirmada. Foram anos de inquérito até às seis mil e muitas páginas finais. Foi uma misturada de casos a que se deu a designação de mega-processo batizado de operação marquês, ficando-se sem perceber se isto foi decidido para simplificar ou se, pelo contrário, se pretendeu, deliberadamente, complicar e dificultar para que na nebulosa de tantos factos, algumas impossibilidades, incapacidades e insuficiências se pudessem diluir e, por ventura, disfarsar alguma tentativa de fazer mais “justiça” do que a justiça permitia, mas que a opinião pública ansiava, porque para isso estava a ser preparada. Mas, algo não terá corrido como previsto. Em três horas e meia de sacudidelas o tal mega-processo não aguentou e uma boa parte dessa construção majestosa, pura e simplesmente, ruiu. E, naturalmente, as expetativas dos seus arquitetos, por um lado, e dos esforçados promotores, por outro, saíram defraudadas. Não perderam tempo! Uns vão interpor recurso, outros desencadearam uma petição pública para não deixar arrefecer os ânimos. As redes sociais estão inundadas de manifestações de indignação, a comunicação social, de uma maneira geral, continua a bater na tecla que lhe convem e há comentadores que sabem tudo, de tudo. Mas ninguém leu o processo. O que menos se tem visto é ponderação e a sensatez para tentar perceber por que é que tudo isto está a acontecer. E a coragem para identificar o que está mal, no sentido de se corrigir o que for preciso corrigir.

No final de tudo isto, o pior que pode acontecer é deixar-se que tudo fique como está, que se permita que a opinião pública continue a ser manipulada, que a mentira e a dúvida continuem a fazer o seu caminho e que as instituições e os seus atores possam deixar transparecer qualquer sinal que possa pôr em causa a confiança que nelas temos de depositar.

 

O.C.