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OuremReal

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02.11.16

Licenciaturas


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Um dos temas que nestes últimos dias tem alimentado a nossa comunicação social é o caso das “falsas licenciaturas” de duas pessoas, ligadas a gabinetes ministeriais, que acabaram por se demitir dos cargos que ocupavam.

Vem-nos à memória a história do ministro do governo anterior que, pelos vistos, tinha mesmo uma falsa licenciatura a qual, por isso mesmo, lhe foi retirada.

Tanto neste como naqueles casos, ter ou não ter “o papel” parece irrelevante, uma vez que para ser ministro, adjunto dele, chefe de gabinete, ou coisa semelhante, o que mais conta é a competência para o desempenho dos cargos e menos o certificado das habilitações literárias, tanto mais que para esses cargos não é exigido o certificado X ou Y. Mesmo que as coisas não sejam assim tão lineares, pretendo apenas dizer que a simples posse de um diploma, só por si, não transforma, automaticamente, ninguém em mais competente.

Mas, voltemos aos casos atrás referidos. Classificar estes dois casos de “falsas licenciaturas” é um erro! Um erro que só se entende porque a comunicação social gosta de misturar alhos com bugalhos, meter gatos e lagartos no mesmo saco, porque, assim, a confusão será maior.

No caso do ministro, ele, de facto, podia apresentar um diploma comprovativo de uma licenciatura. Essa licenciatura acabou por ser considerada falsa, terá sido anulada, porque se terá concluído que quem fez as equivalências de algumas das habilitações adquiridas, o fez indevidamente. Houve um erro! Deliberado ou não, não faço ideia! Mas houve erro e a licenciatura foi anulada.

Naqueles outros dois casos, tanto quanto se sabe, não há licenciatura nenhuma. Logo, uma não licenciatura não é falsa, nem verdadeira! É uma aldrabice! O erro, deliberado, na minha opinião, foi de quem quis fazer figura, quem quis engordar o currículo, ou gostava que lhe chamassem de “dr”. Surpreende que alguém se sujeite a esta situação ridícula de ter de se demitir de um cargo, porque decidiu mentir acerca das suas habilitações literárias! Ainda por cima, quando para o exercício desse cargo nem eram exigidas estas ou aquelas! Mas não surpreende menos que quem faz o convite não tenha o cuidado de escrutinar, prévia e devidamente, cada situação para que o ridículo não seja ainda maior!

Em qualquer dos casos, os intervenientes ficam muito mal na fotografia!

 Parece que o melhor será voltar um pouco atrás, ou seja: o que se afirma no currículo deve ser comprovado documentalmente! É mais burocracia, é certo, mas acabam-se estas macacadas!

Pelo que se vê, confiar… sim! Mas…devagar…!!!

 

O.C.