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OuremReal

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13.10.16

Fidelizações


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Foi pior a emenda que o soneto!

Dito por outras palavras: Para fazer o que fizeram…bem podiam ter ficado quietos!

 

Quando, há uns anos atrás, se reclamava contra o facto de nas faturas relativas ao consumo de água da rede pública as empresas incluírem uma despesa referente ao aluguer do contador, o governo de então arranjou uma lei que impedia que assim continuasse a ser e as empresas que nos vendem a água que consumimos nas nossas casas deixaram de poder cobrar essa despesa. Deixou de se pagar o aluguer do contador! Fez-se um grande alarido, porque se tinha acabado com uma grande injustiça, porque se tinha alcançado um grande benefício para os consumidores, porque isto… e porque aquilo…!

Não tardou muito para que as mesmas faturas, passadas pelas mesmas empresas que foram impedidas de cobrar o aluguer dos contadores, aparecessem com uma nova rubrica, com nome ainda mais pomposo e muito sugestivo, que dá pelo nome de “tarifa de disponibilidade”. Sinceramente que não sei, exatamente, o que isto significa, mas sou levado a crer que o simples facto de termos água disponível para consumir é suficiente para que se possa aplicar uma taxa. Consumindo ou não consumindo! Porque, se consumirmos, teremos de pagar pela quantidade que consumirmos. Essa é outra despesa!

E não vale a pena referir o “maná” em que se transformou a fatura da água…! Taxas, taxinhas e taxetas…! Umas revertem para a empresa, outras para o município, outras para o Estado! Dá para todos! Eu sei que sem impostos…não há verbas; sem verbas não se podem fazer obras…! Sei isso tudo! Mas…11 euros e tal, por um consumo zero, em cada mês…é obra!

Com a fatura da eletricidade aconteceu mais ou menos a mesma coisa! Não há aluguer de contador…! Outra grande vitória dos consumidores…!!! Agora até há um contador que está sempre a “mexer” e que eu não sei ler! Mas isso já é ignorância minha! Iliteracia…!!! Mas temos faturas com umas rubricas interessantes como termo de energia, termo de potência, taxa de exploração, imposto sobre não sei o quê, uso da rede, mais a pegada do CO2, não sei quê do audiovisual e mais umas coisas…! Nunca sei bem o que pago pela eletricidade gasta e por aquilo que o não é! Mas também não tem importância nenhuma! Desde que pague…vivo na paz dos anjos! Ninguém “chateia”! E para quem tinha a mania de verificar o consumo, de vez em quando, (era o meu caso), agora, que nem sei ler o contador…é um descanso!

Recentemente…mais uma grande vitória dos consumidores…!!! Depois de não sei quantas assinaturas, abaixo-assinados, petições, pressões e muitas confusões…as operadoras de telecomunicações deixaram de poder exigir aos consumidores contratos com os habituais 2 anos de fidelização. Agora os contratos podem ser com ou sem fidelização! E essa fidelização pode ser de 6, 12 ou 24 meses, como estipula a renovada lei das comunicações eletrónicas! Só que a “cena” repete-se…! As operadoras, muito preocupadas em bem servir os consumidores e na presunção de que sem fidelização ficariam muito mal servidos…trataram de pegar na lei, fazer a conveniente interpretação e tirar dela todo o proveito possível. Custos relativos a instalação, ativação e portabilidade, (essas coisas bonitas), por exemplo, que não são nada baratos, são exigidos, à cabeça, caso se opte pela não fidelização; com fidelização serão diluídos ao longo do respetivo período, como antes, variando em conformidade com a duração do contrato.

É caso para perguntar: em que é que os consumidores beneficiaram?

E como nisto das operadoras parece acontecer o mesmo que acontece com os combustíveis…não há grande escolha! Quem repara nos placares que nas autoestradas anunciam o preço dos combustíveis…verifica que, das duas uma: ou são todas iguais, ou, pelo menos, muito parecidas, ou, então, as coincidências são uma constante, (tão constante) que não dá para ver diferença nenhuma.

Resumindo e concluindo:

- Estas empresas existem para ter lucro! É normal! Usam a lei para tirar dela o maior proveito possível! Continua a ser normal!

- O Estado, o Governo (ou a A.R.) como parte desse Estado, deve saber as leis que faz e o alcance delas. E como não faz o que devia, que era, pelos seus próprios meios, proporcionar a todos os cidadãos que dispusessem destas tecnologias a preços acessíveis, terá que encontrar alternativas; uma delas é recorrer aos privados. Mas…o seu dever primeiro é defender os cidadãos. Se não o sabe fazer…aprenda!!! Não pode é, com o pretexto de fechar uma porta… abrir 4 janelas…! Arrisca-se, arriscamo-nos todos, a ter uma corrente de ar ainda maior!

E já andamos todos fartos de constipações…!!!

 

O.C.