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OuremReal

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06.04.15

Eleições


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Estamos a mais de um ano das eleições para a Presidência da República e a uns escassos seis meses para as eleições legislativas. Incompreensivelmente o que parece estar a preocupar muitos portugueses é o problema das presidenciais e não o das legislativas, quando se sabe que é destas que sairá o futuro governo que irá condicionar as nossas vidas nos próximos quatro anos. E esta é a questão fundamental e a que deve concentrar as nossas atenções no curto prazo. É evidente que os poderes instalados não estão interessados em que o assunto das legislativas domine a agenda atual; não lhes interessa que se discuta a destruição do serviço nacional de saúde, que se discuta a destruição da educação pública, que se discuta a destruição da segurança social, que se discutam os números assustadores do desemprego e do aumento da pobreza, que se discutam todos os fracassos da governação, os escândalos da banca, da autoridade tributária, dos vistos Gold e por aí fora; daí que tudo venham fazendo para que a atenção dos portugueses seja desviada para temas secundários, na esperança de que a já crónica memória curta de muitos portugueses lhes dê margem de manobra para, em vésperas do ato eleitoral, anunciar umas quantas medidas ilusórias que lhes permitam contabilizar os votos suficientes para se manterem nos lugares que ocupam e lhes dê a possibilidade de continuar a destruição que iniciaram em finais de 2011. E o tema ideal para desviar atenções é, como facilmente se compreende, o das presidenciais. E os comentadores do regime, tipo Marques Mendes e Rebelo de Sousa, são peritos nesse tipo de manobra, sabem aproveitar os espaços televisivos e as audiências de que dispõem e fazem o que lhes compete e lhes interessa. Daí que tenhamos as longínquas presidenciais trazidas para a discussão atual em detrimento das legislativas. O que já não se compreende é que aqueles a quem esta manobra vai prejudicar não tenham a lucidez suficiente para ver isso e acabem, eles próprios, por fornecer argumentos para que assim seja. É o que se constata, presentemente, com uma candidatura já anunciada e outra em vias de o ser. A primeira de Henrique Neto, logo mereceu adjetivos nada abonatórios vindos de vozes da área política em que se insere, a socialista; a segunda, que é anunciada para breve, de Sampaio da Nóvoa, já está a ser contestada por vozes vindas da mesma área. E isto é tanto mais incompreensível quanto é um facto, puro e simples, que as candidaturas presidenciais são atos individuais que não terão que ser apreciados numa lógica de política partidária, nem antes de serem concretizadas, e só após conhecimento do programa de intenções dos candidatos; e se as quisermos avaliar numa lógica partidária teremos que aguardar que todas se formalizem e ver as que melhor se adequam às expectativas do partido. E, como parece evidente, esta decisão não pode ser tomada pelo sr. A ou sr. B, muito menos pelo figurão X ou Y. Diria mesmo que, aqui sim, se justificariam eleições primárias, por militantes e simpatizantes dos partidos políticos, muito mais, ainda, do que para a eleição do candidato a secretário geral, como o PS fez. Assim se constata uma enorme diferença entre conservadores, de direita ou de esquerda, e não conservadores, os que acham que a liberdade de opinião de cada indivíduo está acima dos interesses do coletivo. A direita revela-se mais cautelosa; a extrema esquerda aguarda o desenrolar dos acontecimentos para atuar na altura própria; a esquerda mais moderada não sabe esperar e, normalmente, é precipitada. E, ao ter este procedimento, está a dar trunfos aos adversários; quanto mais não seja está a permitir que a discussão se desvie do essencial para o acessório, com prejuízo próprio ou de quem lhe possa estar próximo. E a deitar mais umas achas para a fogueira da descredibilização em que todos vão, alegremente, sendo cozidos em lume brando.

 

O.C.

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