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OuremReal

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12.07.20

Economia vs Pandemia


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Não percebo o suficiente de economia para discutir o assunto com economistas, nem paciência para gastar tempo com curiosos, pretensos economistas, que, percebendo da matéria mais ou menos o mesmo que eu, falam como se entendessem do que dizem. Mas, mesmo não discutindo economia, há uma coisa que sei, todos sabemos - a situação económica do país é péssima, há empresas em grandes dificuldades, o desemprego é muito preocupante e há famílias a viver mal. Isto é tão evidente que qualquer “analfabeto” em economia percebe. Como é que isto se resolve!? Gostava de saber, mas não sei! Dizem alguns economistas, gritam alguns alarmistas e repetem muitos oportunistas que o governo está a gerir mal a situação! Quem sou eu para dizer o contrário...!? Portanto, admito que talvez assim seja! E a minha primeira pergunta é óbvia: Então e como é que se devia/deve fazer? E é essa resposta, essa alternativa, essa maneira de fazer bem o que se está (?) a fazer mal, que não tenho visto! E uma segunda pergunta, tão óbvia como a primeira: E o resto? Empresas, empresários, empregadores, trabalhadores, empregados, desempregados, famílias, jovens, menos jovens, velhos, menos velhos, tudo, todos, será que cada um está a cumprir o seu dever e a contribuir para que a situação se resolva o mais depressa e o melhor possível? Creio bem que não! Uma boa parte, claramente, não! A sensação é que, ao contrário, parece haver quem anseie para que tudo corra mal, o quanto pior melhor, porque, não sabendo, ou não querendo dizer como fazer melhor, sempre vão podendo dar largas à sua vocação de ir dizendo mal e remetendo as culpas de tudo para outros.

Há 5 ou 6 meses a situação era bem diferente! Apesar das vozes discordantes nunca deixarem de se fazer ouvir, como é normal num regime democrático, e de nem tudo também ser o mar de rosas que alguns apregoavam, as empresas funcionavam e produziam, as exportações tinham um bom ritmo, o comércio funcionava, o turismo alimentava uma boa parte das receitas, as contas públicas estavam sob controle, o desemprego era baixo, o poder de compra melhorara e as dificuldades de algumas famílias nada tinham a ver com o atual desespero em que muitas caíram.

Mas, de repetente, a pandemia que nos atingiu veio revelar muita coisa. E o que sobressai, num primeiro plano, de toda esta crise, é a fragilidade de todo este sistema em que vamos vivendo as nossas vidas. E como tudo está interligado e interdependente. E como todos somos importantes e necessários, cada um com o seu contributo, a sua ação, o seu trabalho, para que toda a organização social vá funcionando e a máquina que lhe dá vida não pare.

Para evitar a propagação da pandemia foi preciso fechar escolas, empresas, aeroportos, fronteiras e muitos serviços, restringir o funcionamento de outros e a circulação de pessoas. O resultado...!? Ao fim de dois meses estava tudo do avesso! Não há produção, não há exportação, não há turismo, não há trabalho, há profissões que têm que reinventar a maneira de sobreviver, os rendimentos baixam, quando não acabam, as famílias sofrem a maior instabilidade de que alguém se lembra e o Serviço Nacional de Saúde é posto à prova, como nunca o fora antes.

Esta crise também mostrou que, ao primeiro abanão, dezenas de milhar de empresas, umas com razão, outras, porventura, sem ela, ou com menos, recorreram ao sistema de lay-off decidido pelo governo e mandaram mais de um milhão de empregados para uma situação de redução salarial, ou terminaram contratos; o que é um sinal claro de que a sua estrutura era, afinal, de uma grande fragilidade ou a falta de escrúpulos falou mais alto que a razoabilidade e a solidariedade.

O fecho de fronteiras e aeroportos veio mostrar como a mobilidade das pessoas é importante para a economia e como o turismo é uma indústria frágil e incerta. E como é altamente perigoso que algumas zonas do país se dediquem, quase em exclusivo, a essa atividade e como tudo fica comprometido quando o afluxo de pessoas, por qualquer razão, é interrompido.

E também se constatou que, afinal, aqueles que por ideologia, ou por simples simpatia, reclamam por um sistema de menos Estado e mais Privado, quando chegam as horas de aperto, é ao Estado que se encostam e recorrem e todos são potenciais candidatos a subsídios para isto e mais aquilo, atirando com a ideologia para o cesto dos papéis, pelo menos até voltar a haver interesse em ir lá buscá-la, de novo.

Passados três meses de restrições já todos percebemos muito bem que, embora pandemia rime com economia, nada têm a ver uma com a outra, antes pelo contrário, são perfeitamente incompatíveis. E por causa dessa incompatibilidade, quanto mais se prolongar a pandemia, ou as restrições a ela associadas, pior vai ficando a economia. E esta já chegou a um ponto tal que ou avança e melhora, ou tudo ficará seriamente comprometido com consequências que não se conseguem calcular. Daí a necessidade de ir levantando, progressivamente, algumas restrições, o que já começou a ser feito. Mas, como era previsível, tudo o que depender do comportamento das pessoas é suscetível de correr mal. E os primeiros indícios apontam, precisamente, nesse sentido. Começaram os ajuntamentos, contrariando as normas da DGS, numa espécie de provocação e confrontação com os poderes instituídos, o que motivou a tomada de medidas mais drásticas no sentido de evitar que as situações de contágio continuem a acontecer. Uns por inconsciência, outros por negligência, outros por falta de civismo, outros de forma deliberada e com fins bem claros, vão contribuindo para que se instale alguma instabilidade, seja dificultada a ação dos que têm por missão debelar este flagelo e a propagação do vírus continue a ameaçar e amedrontar uma boa parte da população, com todos os prejuízos inerentes.

 

O.C.

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