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OuremReal

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27.06.15

Demagogia


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O sr. secretário de estado dos transportes e comunicações, Sérgio Monteiro, esteve no concelho de Tondela, distrito de Viseu, na inauguração de obras de requalificação duma estrada regional e no seu discurso fez algumas afirmações que merecem reflexão, quanto mais não seja, para percebermos como entre o discurso e a realidade se estende um mar imenso de demagogia e falsidade com o objetivo de iludir incautos.

Referindo-se à venda da TAP e à concessão do Metro e da Carris disse que o governo está a libertar os contribuintes de pagar por essas empresas, recebendo verbas que transferirá para zonas de mais baixa densidade, entendo eu que se refere a zonas do país mais carenciadas.

Primeiro, é incompreensível como é que as empresas, enquanto públicas, acumulam prejuízos e, depois, em mãos privadas passam a ser rentáveis. Para isto encontro, apenas, duas explicações: a primeira explicação é de natureza ideológica e traduz-se na expressão “ menos estado, melhor estado”, reduzindo as funções do estado ao mínimo, de modo a que sejam os privados a gerir e explorar tudo o que é rentável; a segunda é que, enquanto públicas, são geridas por gestores nomeados pelo governo, com critérios que pouco terão a ver com a competência dos nomeados, antes procurando satisfazer clientelas político – partidárias, ou de outro género qualquer, mas sempre com a preocupação de se atingir o objetivo final que será, mais ou menos, a conclusão de que o estado é mau gestor. Enquanto privadas, a escolha dos gestores visa sempre obter os melhores resultados e provar a eficácia da sua gestão, de modo a que o resultado final se traduza em lucro.

Segundo, não passa de pura demagogia tentar criar a ilusão de que o dinheiro que resulta da venda e das concessões vai reverter a favor de zonas do país mais carenciadas. O governo já provou que tem uma má política no que toca a sensibilidade social e gestão orçamental; quanto mais dinheiro faz com o desmantelar do setor empresarial de estado, e com o aumento de impostos, mais vai aumentando a divida e mais vão aumentando as assimetrias do país, com as zonas mais carenciadas a passar de mal a pior e as condições de vida das populações cada vez mais degradadas.

Disse, ainda, no seu discurso, que há uma grande dificuldade em reformar o estado e as suas empresas, porque “ há muitos interesses que vivem à sua volta há muitos anos”.

Até pode ser que existam os tais interesses! Mas a verdadeira dificuldade está na competência para o fazer, na sensibilidade para conseguir uma correta reforma que sirva melhor os portugueses e na capacidade de diálogo para congregar vontades e consensos. E o governo a que o sr. secretário de estado pertence já provou que não é capaz de fazer nada disso. Por ideologia e por arrogância! Como tal, reduz a apregoada reforma à alienação de tudo o que pode – vendendo ou concessionando.

Cabe-nos, a nós, a difícil tarefa de acabar com isto, procurando, em cada momento, denunciar toda esta demagogia e, quando for caso disso, ter discernimento (e sorte) para escolher um governo à altura!

 

O.C.