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OuremReal

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10.11.15

Comentadores


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Hoje é, sem dúvida, o dia do comentador político. É percorrer os canais de televisão (não ouvi as rádios, mas não deve ser muito diferente) e o tema dominante é a queda do governo e, obviamente, os “mil” cenários que, cada um à sua maneira, vai montando para o que aí vem: as muitas dúvidas, as poucas certezas, as hipóteses, os perigos, as ameaças, as suspeitas. De um modo geral, são poucos os que se pronunciam, abertamente, pela bondade da moção de rejeição que derrubou o governo da coligação de direita e pela hipótese da formação de um governo de esquerda, pese, embora, a nova composição da Assembleia da República ser propícia a isso.

Coincidência ou não, a grande maioria dos “opinadores” alinha com a posição expressa pelos vários membros do governo cessante que têm sido efusivamente chamados a dar opinião, bem como os muitos membros dos partidos da coligação que não se cansam de dramatizar e ameaçar perante a eventualidade da esquerda poder chegar ao governo, ao mesmo tempo que tentam, por todos os meios possíveis, desvalorizar e descredibilizar o anunciado entendimento das forças dessa mesma esquerda.

O que se retira deste cenário que o dia de hoje nos proporcionou é que a direita está vencida, mas, como sempre, está organizada e foi “previdente”. Com a comunicação social claramente do seu lado, com os “boys” devidamente instalados, com deputados, militantes, comentadores/opinadores e apoiantes com discursos organizados e concertados é de prever que um eventual governo de esquerda não teria sossego.

Se a isto juntássemos a desconfiança ameaçadora já manifestada por algumas forças empresariais, mais a inestimável “proteção” de mercados, investidores, credores, agências internacionais e outras forças que dominam a Europa, então teríamos os ingredientes necessários para pensar como seria difícil a sobrevivência de um governo de esquerda e como seriam importantes e absolutamente imprescindíveis a cooperação, o entendimento, a lealdade, a inteligência e o pragmatismo entre as forças que o apoiassem.

E será que essas forças estão disponíveis para esse “sacrifício”? É a pergunta que mais se coloca, porque é a dúvida maior, a que mais preocupa os que, querendo uma política nova, não querem correr o risco de ver a repetição de 1987, quando Cavaco Silva, então 1.º ministro, viu a sua maioria relativa passar a absoluta, na sequência de eleições motivadas pelo derrube do governo.

Tudo isto, claro está, se o Presidente da República, optasse por chamar o PS e A. Costa a formar governo, com o apoio de BE e CDU o que, não sendo impossível, nos parece improvável.

Por isso, a manutenção do atual governo, em regime de gestão, parece ser o cenário mais provável, na esperança de que toda a envolvência vá capitalizando apoios, que se traduzam em votos, para que o novo Presidente da República, quando marcar eleições legislativas intercalares, possa "oferecer" à coligação de direita um brinde como o de 1987.

Até lá, inteligência, competência e lealdade são precisas!

 

O.C.

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