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OuremReal

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16.09.19

As cadernetas da CGD


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As cadernetas afetas às contas bancárias da caixa geral de depósitos deixaram de ter a utilidade que tinham até aqui. Deixaram de se poder fazer levantamentos, pagamentos e transferências, podendo, apenas, serem utilizadas para verificação de movimentos e saldos. Segundo leio, serão cerca de 290 mil os utentes que terão essas cadernetas e que, em muitos casos, não terão cartão multibanco, de débito ou de crédito, porque a simplicidade da sua gestão bancária, não exigia mais do que as operações que a caderneta lhes permitia. Eu incluo-me nesses milhares, por uma questão de hábito, comodidade e de interesse, embora possua um cartão de débito da mesma conta. No meu caso, o “desaparecimento” da caderneta não é um drama, mas admito que para muita gente o possa ser! Para além deste incómodo, o que quero realçar é toda a estratégia e artimanha que preside a esta decisão. Li, algures, que estavam a ser seguidas recomendações das instituições europeias por falta de segurança das tais cadernetas. Claro que, em primeiro lugar, qualquer detentor duma daquelas cadernetas terá que agradecer, comovidamente, às tais instituições ou a quaisquer outras, por tal preocupação com as suas poupanças! Depois, nunca ninguém disse quantos casos é que se registaram de “assalto” às contas por causa da falta de segurança das cadernetas! Mas temos de admitir que terão sido muitos para se ter de tomar tal decisão! Nem nunca ninguém disse quantos detentores das cadernetas pediram para que elas fossem esvaziadas das suas funções, porque deixaram de precisar ou estavam fartos delas! E muito menos quantos é que suplicaram para que lhes fossem fornecidos, em troca, cartões multibanco com anuidades para pagar! É, no mínimo, estranho que a banda magnética duma caderneta, ou o respetivo código, sejam menos seguros do que os de um cartão multibanco! Nem consigo compreender como é que essas fragilidades não podem ser resolvidas! E não vale a pena vir com a treta de que o cartão será oferecido, sem anuidade para pagar, porque mesmo que assim seja no início, depressa deixará de o ser! E, o mais grave de tudo, é isto estar a acontecer com o banco público, CGD, que deveria estar ao serviço de todos nós, mas que, afinal, se transformou numa instituição igual a todas as outras do género que vivem da exploração que fazem de quem delas se serve. Não pagam juros das eventuais poupanças que lá se depositem e com as quais fazem negócio! Cobram quanto podem por algum crédito que concedam e por todas as operações que fazem, por mais simples que sejam, como, por exemplo fazer um levantamento ao balcão! E não faltará muito para que as operações no multibanco também sejam taxadas! Não têm escrúpulos em pagar ordenados milionários a quem muito bem entendem, nem distribuir dividendos a quem lhes apetece! E o banco público (CGD) ainda se dá ao luxo de gastar milhares de milhões para tapar buracos que alguns privados, com todos os desvarios que se conhecem, vão abrindo com as suas gestões ruinosas.

Para terminar: Na minha modesta opinião, as cadernetas deixaram de ter as funcionalidades que tinham porque:

1 – Eram fornecidas gratuitamente e não pagavam anuidade; coisa que não interessa!

2 – Em sua substituição vão ter de ser usados cartões que pagarão anuidade, mais tarde ou mais cedo, ou feitas operações que serão taxadas; que é o que interessa!

Porque a alegada falta de segurança, ou a preocupação com as poupanças dos utentes...não passam de simples e descarada hipocrisia!