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OuremReal

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28.07.19

A propósito de incêndios


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A propósito da vaga de incêndios que vai por aí, ocorre-me dizer o seguinte:

- Não tenho por hábito falar sobre aquilo que não conheço e, de facto, sobre incêndios, pouco ou nada sei. Mesmo assim, parece-me oportuno dizer que:

1 – Sou muito cético no que diz respeito à auto-ignição. A grande maioria dos incêndios não deflagram espontaneamente e haverá sempre algo ou alguém que os provoca. E enquanto não forem identificadas as causas e feitas as necessárias correções...o perigo manter-se-à.

2 – De pouco ou nada servirá arranjar muitas leis, por mais bonitas, ou bem intencionadas que elas sejam, se, por um lado, não forem, na prática, exequíveis, ou, se, por outro, não se impuser o seu cumprimento. Fazer leis só para “inglês ver”...é uma brincadeira! De péssimo gosto, diga-se! Cabe, aqui, uma referência aos planos diretores municipais, aos planos de ordenamento do território, aos planos de emergência para cada município, para cada freguesia, para cada vila ou aldeia. Cada autarquia devia ser obrigada a ter um levantamento atualizado de todas as situações que, no seu território, são suscetíveis de ser geradoras de perigo, identificar as causas e propor a melhor maneira de as resolver. Cada munícipe deveria estar consciente da necessidade e importância do seu envolvimento, da sua responsabilidade na gestão do território da sua autarquia, da sua cidade, vila ou aldeia, na busca das estratégias e das soluções mais adequadas para que, no momento das aflições, não nos limitemos a culpar apenas os outros pelo mal que nos acontece.

3 – Não tenho números certos, nem sei se será possível contabilizar, com exatidão, os custos anuais dos incêndios, tendo em conta as verbas orçamentadas e as não orçamentadas, com os prejuízos incalculáveis para pessoas e bens. Mas arrisco que serão uns largos milhões...e, se se perderem vidas humanas...não haverá preço possível!

E estes prejuízos vêm-se repetindo, ano após ano, como se de uma fatalidade se tratasse e da qual não é possível fugir. E a discussão, a confrontação, o passa culpas, o arremesso de acusações, insultos, insinuações e os aproveitamentos vários vão acontecendo, ciclicamente, e de forma mais intensa em ano eleitoral. A comunicação social, das rádios às televisões e aos jornais, mais as redes sociais, dão um inestimável contributo para que a opinião pública seja “formatada” à medida de cada interesse. E ao abrigo de uma liberdade de expressão que não olha a regras, nem respeita limites, tudo se vai dizendo, entre verdades, meias verdades e muitas mentiras com o único objetivo de angariar apoiantes e adeptos para as causas mais diversas. E os agentes de toda esta campanha, profissionais uns e amadores outros, muitos de forma consciente e muitos mais por ignorância, lá vão contribuindo para que vamos tendo, cada vez mais, uma opinião pública com pessoas desinformadas, descontentes, naturalmente desinteressadas da construção da sociedade em que se inserem e cada vez menos solidárias, mas mais exigentes, reivindicando, com ou sem razão, que outros resolvam os problemas por si próprios criados.

Para terminar: É urgente estancar esta hemorragia que nos vai enfraquecendo com muito património destruído, algumas vidas perdidas, orçamentos delapidados, pessoas descontentes e uma sociedade cada vez menos solidária e mais contestatária, a reivindicar sempre mais direitos sem cuidar de cumprir os necessários deveres. È preciso que todos tomemos consciência disto e que cada um faça o que lhe compete e não tenhamos que chegar à conclusão que, afinal, alguém, um D. Sebastião qualquer, terá que nos vir impor o que, livremente, podemos e devemos fazer.

 

O.C.

 

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