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OuremReal

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22.07.18

A carreira dos professores


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Muito se tem falado sobre a luta dos professores pela recuperação do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira o que, na prática, significa a contagem do tempo para a mudança de escalão e consequente aumento do vencimento.

Como todos sabemos, o atual governo não é responsável pelo congelamento da progressão desde 30.08.2005 a 31.12.2007; nem dos anos de 2011 a 2015. Eram outros os governantes. Será responsável pelo tempo de 2016 e 2017 e é, igualmente, responsável pelo descongelamento a partir de 31.12.17. Devia tê-lo feito mais cedo! Não sei se podia!

É evidente que se é o governo em exercício é a ele que os professores têm que reivindicar aquilo a que têm direito. E é indiscutível que têm razão para exigir o que lhes foi retirado. O que surpreende é que tenham andado silenciosos durante tanto tempo e, de repente, tenham adotado uma forma de luta tão radical que não se compadece com o prejuízo de alunos e famílias ao porem em causa as avaliações em final de ano letivo.

Percebe-se que existe por detrás disto tudo uma agenda político-partidária que os sindicatos vão usando de acordo com a oportunidade e a conveniência que os seus mentores acham mais adequada e também porque há quem entenda que tudo o que puder dificultar a ação governativa deve ser aproveitado e explorado para que qualquer hipótese de sucesso acabe em fracasso.

Os sindicatos sabem, os professores também, todos sabemos que a situação económica é demasiado frágil para que se possam assumir, no curto prazo, encargos elevados como os que resultariam da satisfação de todos os que foram prejudicados pela anterior governação. E não foram só os professores. Foram todos os que viram vencimentos e pensões cortados e impostos aumentados. Todos viriam reivindicar tratamento igual, porque, afinal, todos temos os mesmos direitos e não pode haver uns mais privilegiados que outros. Quanto é que isto iria custar aos cofres do Estado? Não faço ideia! Mas o equilíbrio do Orçamento de Estado seria posto em causa, naturalmente! E o ministro das finanças não correrá esse risco! Neste contexto, parece que o braço de ferro entre governo e sindicatos vai continuar e tudo vai girar à volta da maior ou menor flexibilidade para “arrumar” a despesa orçamental, com corte aqui, corte ali, de modo a ir satisfazendo exigências e compromissos, sempre com as próximas eleições no horizonte.

 

O.C.