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OuremReal

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01.10.13

Contas à vida!


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Feitas as contas dos números é tempo de fazer contas à vida política que se segue neste concelho de Ourém.

O PS ganhou a votação para a Câmara Municipal por escassa margem, com apenas três vereadores, perdendo a maioria absoluta que teve durante o mandato que agora termina. Perdeu a votação para a Assembleia Municipal elegendo apenas 8 dos 21 membros, correndo o risco de perder a presidência deste órgão. Ganhou o maior número de Juntas de Freguesia com 7 das atuais 13, feito que consegue pela primeira vez na nossa história democrática.

O PSD, que partiu para este ato eleitoral com uma aparente fragilidade, acabou por beneficiar da coligação que fez com o CDS/PP e os factos provaram que a base de apoio destes dois partidos, neste concelho, foi suficientemente forte para resistir às intempéries que os têm abalado. Perdeu a votação mais importante ao ficar em segundo lugar para a Câmara Municipal, mas manteve os 3 vereadores que tinha. Ganhou a votação para a Assembleia Municipal ao eleger 10 dos 21 membros e tem grandes possibilidades de conquistar a presidência deste órgão; (e aqui reside um problema interno para o PSD – João Moura ganha para a A.M., enquanto Luís Albuquerque perde para a C.M. – e quem conhece os antecedentes de luta, de encontros e desencontros destas duas figuras e as naturais ambições de cada uma delas, só pode prever que algo irá mudar no universo laranja concelhio, “a menos que valores mais altos se levantem…!”). Perdeu na votação para as Assembleias de Freguesia ao conquistar apenas 6 das 13 que estavam em jogo, mas continua a ser, juntamente com o parceiro de coligação, a força dominante, com grande margem, na freguesia mais populosa – Fátima.

O CDS/PP, que andou completamente desaparecido durante a campanha eleitoral, acabou por colher alguns louros ao ver um dos seus candidatos entrar para a vereação municipal, coisa que não seria espectável se tivesse concorrido isolado.

O movimento independente – MOVE – foi quem mais ganhou; principalmente porque nada perdeu. Constituído por dissidentes e descontentes de outras formações políticas, principalmente de direita, acompanhou Vítor Frazão (ex-PSD) nesta caminhada ambiciosa de chegar à vereação municipal e conseguiu-o. O seu lugar, perante o empate de 3-3 entre PS e PSD, pode ser importante. Conquistou 2 dos 21 lugares da Assembleia Municipal e esse número pode ser decisivo tanto na eleição da Mesa, como no futuro funcionamento daquele órgão. Ao nível das freguesias a sua votação não teve expressão suficiente para conquistar qualquer órgão, não sendo, por isso, de grande importância a este nível. No fim das contas, este movimento acabou por penalizar as votações de PS e PSD e, na prática, o primeiro mais que o segundo, porque o 4º vereador que tinha no executivo anterior, deu lugar ao agora vereador independente. Existe alguma curiosidade em saber como vai este movimento posicionar-se, qual o “preço” a cobrar, perante a mais que provável disputa entre os dois partidos mais votados. Quem “oferece” mais? O PS ou o PSD? Ou será que há inteligência suficiente para que nenhum deles precise de Vítor Frazão? Veremos!

A CDU continua sem conseguir entrar no executivo municipal (741 votos continuam a ser muito curtos) e não consegue impor-se em nenhuma freguesia; mantém um lugar na Assembleia Municipal, onde a votação é bem mais interessante – 1278 votos, como já vinha acontecendo no mandato anterior; também este lugar solitário pode ser decisivo, tanto na eleição da Mesa da A.M. como no funcionamento futuro deste órgão. Independentemente de mais voto aqui, menos voto acolá, para quem está por fora da estratégia desta coligação, há um facto que não deixa de sobressair: a diferença de votos para a Câmara Municipal e para a Assembleia Municipal. Na minha perspetiva, o eleitorado “fiel”à coligação, ou ao PCP, se quisermos, está nos 741 que votaram para a C.M., enquanto nos 1278 que votaram para a A. M. está o eleitorado “fiel” a Sérgio Ribeiro; isto significa que Sérgio Ribeiro “vale” para o eleitorado deste concelho, bem mais que o PCP/CDU. É caso para perguntar se não valerá a pena repensar a estratégia…!

Termino deixando no ar a dúvida e a expectativa, por um lado, sobre a eleição da Mesa da Assembleia Municipal e o posicionamento que MOVE e CDU vão assumir e, por outro, sobre o que vai acontecer ao nível do executivo municipal onde PS e PSD ou se entendem, ou ficarão reféns do solitário MOVE.

 

O.C.