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OuremReal

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06.04.13

Autárquicas 2013


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Ao que consta, PPD/PSD e CDS/PP vão coligar-se para as próximas eleições autárquicas, no concelho de Ourém, à semelhança do que acontece em muitos outros concelhos do País. Uma novidade que não é uma grande surpresa! É uma novidade, apenas porque nunca acontecera antes, aqui neste concelho. Só por isso!

Uma surpresa, porque quem conhece os antecedentes destes dois partidos na sua vivência concelhia desde 1976 só pode achar que algo de extraordinário se está a passar. Não é que as diferenças ideológicas que os separam sejam significativas, mas a postura aguerrida com que disputaram o poder, pelo menos enquanto o CDS teve alguma força, jamais poderia deixar antever que um desfecho destes pudesse acontecer.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, como se costuma dizer! E, pelos vistos, confirma-se, uma vez mais. 

É verdade que as forças se desequilibraram, e muito, desde que o Dr. António Teixeira e o seu grupo duro saíram de cena e o PSD passou para a situação de força maioritária, ao somar os seus votos com muitos dos que antes tinham escolhido o CDS. E nunca mais o CDS voltou a ter um líder capaz de recuperar o prestígio perdido, ao ponto de estar, há muito, sem qualquer representante no executivo municipal.

Por outro lado, o PSD viu a sua hegemonia, de quase trinta anos, ser posta em causa no último ato eleitoral de 2009 ao perder para o PS. E é preciso recuperar o controlo da situação, o mesmo é dizer, que é preciso ganhar as próximas, custe o que custar! Como diria Passos Coelho!

Quando uma coligação destas acontece a primeira ilação a tirar é que os intervenientes sentem que é preciso somar votos, porque os de cada um, por si só,  não são suficientes para a vitória - reconhecimento de fraqueza, por um lado, e medo dos opositores, por outro. É o momento de "engolir sapos", esquecer as alfinetadas passadas, dar palmadinhas nas costas, nas mesmas costas em que antes se espetaram os tais alfinetes. E é o momento, também, suscetível de por em evidência a parte mais pobre da democracia, a parte da mentira, da farsa, das conveniências políticas, a coberto do chavão esfarrapado que dá pelo nome de "interesse das populações"; é quando as hierarquias partidárias decidem de cima para baixo, impondo no terreno o que, para si, é mais conveniente em determinado momento. E não surpreende que aquilo que, localmente, não seria espectável, passe a ser realidade, quando é determinado superiormente!

Resta, ainda, saber se essa ordem (a ter existido) resultou, ou não, de um pedido de socorro de um, ou de ambos os intervenientes, que reconhecendo a sua fragilidade e não querendo ter a iniciativa, localmente, preferiu que a decisão fosse tomada a um nível mais alto e, por isso, com garantia de aceitação sem grande discussão.

Há outro aspeto que parece muito claro e que tem a ver com a candidatura de Vitor Frazão, dissidente do PSD, de quem se tem dito que poderia andar próximo do CDS e ir tirar votos a uma franja deste partido. Ora o que parece é que esta coligação vai enfraquecer essa possibilidade, havendo mesmo quem defenda a hipótese da desistência da candidatura, ou, mesmo, a sua absorção pela coligação.   

Seja como for, caso esta coligação se concretize, as outras candidaturas, uma das quais já é conhecida, a do PS, vão ter vida difícil!

A coisa promete! Esperemos pelos próximos episódios!

 

O.C.