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OuremReal

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04.04.13

O ex-ministro Relvas


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4 de abril de 2013. 

O destaque das notícias do dia vai, claramente, e até ao momento, para a demissão do ministro Miguel Relvas que não terá sobrevivido à trapalhada em que se transformou a sua licenciatura na universidade Lusófona.

O relatório que o governo se viu forçado a mandar realizar acerca desta e doutras licenciaturas, obtidas de uma maneira pouco clara e com base na validação e certificação de competências adquiridas ao longo da vida e às quais são atribuídas equivalências a cadeiras de cursos superiores, não terá sido lisonjeiro para quem, servindo-se de um expediente legal, o terá adaptado às próprias conveniências de uma forma que se presume abusiva. Só assim se compreende que tal relatório, nas mãos do ministro da educação há dois meses, conforme se lê na comunicação social, esteja a demorar tanto tempo a ser divulgado.

Naturalmente que se compreende que seja o ministro a demitir-se, primeiro, e só depois seja divulgado o relatório. Assim, nunca se poderá dizer que foi demitido na sequência do escândalo das equivalências da licenciatura, nem o primeiro ministro se viu obrigado a demitir o amigo e braço direito nas tarefas da governação.

Confesso que não acho que para ser ministro se tenha que ter uma licenciatura, um mestrado, um doutoramento, ou outro canudo qualquer; mas, para se ser um bom ministro tem que se perceber, antes de mais, daquilo que se está a fazer e, depois, ser detentor de mais umas quantas qualidades que, além da tal competência, passam pela honestidade, rigor, seriedade, sensibilidade, capacidade de diálogo, humildade, visão estratégica, enfim, aqueles atributos que se reivindicam para quem tem que tomar decisões que, de uma maneira ou de outra, vão influenciar as nossas vidas. No caso deste ministro, e no pressuposto de que as habilitações académicas que apresenta e de que se serve para enformar o estatuto que exibe foram adquiridas de maneira menos consentânea com a lei, é evidente que não tem qualidades para ser membro de um governo da Nação. Mas quem o escolheu e nomeou, há quase dois anos, tinha obrigação de estar mais atento. Só que nunca terá pensado que o caso fosse desvendado e, não fora a persistência de uns quantos, lá continuaríamos a conviver com a mentira de quem tem por dever ser verdadeiro.

Mas este caso deixa-nos ainda mais uma razão, pelo menos, para refletirmos e tem a ver com o ensino superior privado e no que pode dar a sua autonomia se se permitir que, por falta de acompanhamento, casos destes, ou similares, continuem a acontecer.  

 

O.C.