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OuremReal

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11.03.13

Da indignação à revolução


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Parece estar na moda a contestação aos políticos, em geral, e aos partidos políticos, em particular. Evidenciam-se os movimentos disto e daquilo, mais ou menos indignados, descontentes, reformados, aposentados, desempregados.

Todos com as suas razões! E muitas!

De facto, olhando para trás, até onde a nossa memória nos permite chegar, o que podemos ler nesse registo? Muitos políticos, muitas promessas, muitas ilusões, muitas mentiras, muitas decisões, muitas desilusões, muito oportunismo, muita hipocrisia, muita arrogância, muita incompetência e muitas outras coisas! Nem todas más! Longe disso!

Na última grande manifestação, através duma reportagem televisiva, assisti a um episódio que me deixou preocupado e a pensar: uma repórter que acompanhava a dita manifestação entrevistou uma manifestante que, pelos vistos, é, ou foi, não tenho a certeza, deputada de um partido político. Logo um grupo dos organizadores da manifestação lhe caiu em cima, de megafone em riste, como se alguém estivesse a invadir propriedade privada, ou a cometer um crime qualquer, numa atitude de intolerância, a rondar a agressividade, que mais parecia uma exibição de quem se acha na posse da verdade absoluta, nada compatível com qualquer clima democrático.

Afinal, quem são estes organizadores, o que ou quem os motiva? Não sei!

O que querem, concretamente? Também não sei!

Qual é o passo seguinte na sua estratégia? Ou será que isto, a simples manifestação, lhes basta? Desconheço por completo!

Também ouvi um outro entrevistado dizer que estas ações devem obedecer a uma sequência de intensidade graduada que passará pela indignação, manifestação, revolta, organização e, finalmente, pela revolução.

Achei curioso este pensamento e não faço ideia nenhuma se é ou não partilhado pelos responsáveis pela manifestação!

Admitindo que sim, já que não estou a ver ninguém a organizar manifestações desta dimensão só para fazer barulho, nem para dar razão ao primeiro-ministro que diz que as manifestações não resolvem nada, sou forçado a fazer a ligação dos dois episódios que referi e a minha preocupação aumenta.

Primeiro, porque não comungo dessa ideia de que os partidos políticos são a causa de todos os males e têm que ser banidos. Embora tenham muitos defeitos!

Segundo, porque daquelas 5 fases que o entrevistado propunha para toda a ação, a terceira, a organização, é muito importante! Talvez a mais importante de todas. É a fase onde cabe o projeto para o futuro, o programa, a ideologia, o caderno de encargos, digamos assim, o que fazer, quando e como; e quem o vai fazer!

Terceiro, porque me recuso, por questão de princípios, a “passar cheques em branco” e não apoiarei, em nenhuma circunstância, gente que não conheço, tão pouco sei das intenções, mesmo que possa achar oportuna a parte visível da sua ação.

Partindo do princípio que toda a suposta ação vai / iria (?) acontecer com respeito pelos valores democráticos, porque não pressuponho que se queira caminhar para uma situação de anarquia, há um sentimento que não tem cabimento, a intolerância; aí os princípios do movimento organizador não são muito animadores; por outro lado, a transparência parece-me indissociável de qualquer ação/intervenção política, social, ou o que lhe queiram chamar; nesse aspeto o vazio é completo! E este é o perigo maior! Porque alguém preencherá, rapidamente, e com oportunidade, qualquer vazio que exista!

As pessoas que manifestam a sua revolta com todas as razões que lhe assistem, merecem uma organização transparente e consequente! Para que o primeiro-ministro não tenha razão!

 

O.C.