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OuremReal

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23.09.12

As formigas e as cigarras do sr ministro


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“Portugal não pode continuar um país de muitas cigarras e poucas formigas”,

Palavras sábias (!!!) do ministro Miguel Macedo, proferidas hoje, em Vouzela.

É sempre difícil interpretar as palavras de um político! Porque, quase sempre, querem dizer outra coisa diferente daquilo que significam; se forem de ministro, então a dificuldade aumenta, porque temos que ver bem o contexto em que as coisas acontecem, e … ministro é ministro… e o resto é paisagem!

Ora, então, segundo a fábula, a formiga simboliza quem trabalha, porque passa o verão a procurar alimento para o inverno, enquanto a cigarra simboliza quem não faz nenhum, (porque só o trabalho físico é reconhecido como trabalho e cantar não é trabalhar) e, quando chega o inverno e a necessidade aperta, vai bater à porta da formiga para pedir ajuda.

E, depois, a história pode ter dois desfechos possíveis:

Num, a formiga abre a porta, vê quem é, e ao pedido de ajuda responde com a porta na cara da cigarra dizendo-lhe que, enquanto andou a cantar, fosse trabalhar, cuidar da vida, como ela fez; agora, governe-se!

Noutro, a formiga tem um conceito de trabalho bem diferente, e até acha que o seu trabalho árduo durante o verão se tornou menos penoso, mais agradável, e até rendeu muito mais, por ter sido acompanhado pelo canto melodioso da cigarra; e ao pedido de ajuda, responde… ajudando.

Neste caso em apreço:

O que eu acho é que o sr ministro quis fazer um “bonito” e, acusou a maioria dos seus compatriotas de serem uma cambada de malandros, de não fazerem nada, e quererem viver à custa do trabalho dos outros - as cigarras da frase; enquanto um grupo restrito que trabalha, certamente onde se incluíam todos quantos estavam à sua volta, (nem ele teria coragem para dizer o contrário), constitui o sustento da nação – o grupo das formigas. E não me admiro nada que tenha tido aplausos!

Mas o sr ministro também pode ter querido dizer outras duas coisas bem diferentes!

- Primeira: o peso da consciência foi tamanho que a conversa lhe fugiu para a verdade:

De facto, Portugal tem que ter mais formigas e menos cigarras!

Porque há cigarras que eram formigas e querem voltar a sê-lo!

Porque uma formiga sem trabalho vai acabar cigarra!

Só que a nova categoria de cigarras não é do tipo de não trabalhar porque não quer, é das que não trabalham, porque não têm onde. E estas não se podem tratar com a porta na cara! Quanto às que não trabalham, porque não querem…também deve tratar delas! Como se impõe!

- Segunda: o sr ministro e o governo dele têm um problema de números, e grave! Aliás, vários!

Quase 2 milhões de desempregados! São muitos subsídios de desemprego a sair e milhões, em contribuições para a segurança social, que não entram! E o sr ministro sabe disto! Muito bem! E também sabe, muito bem, a quem compete resolver o problema! E sabe que não é às formigas que viraram cigarras…!!!

E, também sabe, que as formigas que ainda o vão sendo, já não aguentam mais!

E, para terminar, só uma curiosidade:

Em que grupo estará o sr ministro? No das formigas, ou no das cigarras?

 

O.C.