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OuremReal

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03.12.11

A dieta dos funcionários públicos


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Na eventualidade de um qualquer funcionário público passar por este blog, fica convidado a deliciar-se com esta pérola literária que, certamente, o fará comover, quem sabe, até, derreter-se em lágrimas, pelo carinho e apreço manifestados para com os ditos funcionários deste país.

 

Citação de partes do conteúdo da página 511, do livro de Álvaro Santos Pereira, intitulado "Portugal na hora da verdade - como vencer a crise", na parte denominada "políticas para retomar o sucesso":

 

"Uma verdadeira reforma do Estado que torne as nossas contas públicas saudáveis e sustentáveis não deve ser feita contra os funcionários públicos ou contra o serviço público. Antes pelo contrário.Uma verdadeira reforma da administração pública terá de melhorar o serviço público, não piorá-lo.

Uma verdadeira reforma do Estado terá de incentivar a auto-estima dos funcionários públicos e fazer com que sejam eles próprios a estimular a mudança de que a nossa administração pública necessita.

Finalmente, uma verdadeira e duradoura reforma do nosso Estado não poderá encarar a necessária dieta da administração pública como uma mera poupança de euros e de despesa pública, mas sim como uma oportunidade única para melhorar a eficiência do Estado e, assim, simplificar e auxiliar a vida dos portugueses.

A culpa do descalabro das finanças públicas nacionais não é dos funcionários públicos, é dos governos."

 

Comentando:

 

1 - Subscrevo, inteiramente, e com aplauso, as afirmações atrás citadas.

2 - O autor daquelas afirmações, antes de ser ministro da economia, terá alguma coisa a ver com o dito autor depois de ser ministro da economia? Ou estaremos perante um indivíduo com dupla personalidade? Ou o ministro da economia não tem nada a ver com as tropelias que estão a ser feitas pelo governo deste país aos funcionários públicos?

3 - Estava a tentar encontrar uma relação causa-efeito entre a destruição da função pública em curso, incluindo os cortes dos subsídios de natal e férias, com a bonita prosa do sr. Álvaro, mas não consigo encontrar nada em comum, para além da "necessária dieta". O que me leva a crer que as tão faladas gorduras do Estado, que é preciso cortar, estão mesmo aqui, nos funcionários. Quem diria! Nunca pensei tal! Mas, a ser assim, preparem-se, porque a seguir vão cortar uns dias de férias, talvez tenham que ser revistas, para baixo, as tabelas salariais, um aumentozito nos horários de trabalho, uns despedimentos, mesmo que lhe tenham que dar outro nome, uns quadros fantasmas onde são colocados os que não são precisos(?) e levam um pontapé no rabo logo que calhe, enfim, aquelas coisas que queimam calorias, porque se vocês não cuidarem da dieta terão que ser os nossos zelosos governantes a tratar disso.

Eu só estou a avisar!

 

O.C.