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OuremReal

OuremReal

10.11.11

Ridícula


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Ridícula é a adjetivação mais benévola que me ocorre para qualificar a declaração e a subsequente ação governamental para abolir quatro feriados, dois civis e dois religiosos. Como ridícula é a declaração ministerial de que não podemos ter tantos feriados e tantas pontes. Como ridícula foi, e continua a ser, cada vez que é repetida, a declaração da igreja católica de que está disponível para negociar os feriados, dois, se o governo fizer outro tanto. Como ridícula é a afirmação de que os feriados podem ter a ver com a falta de produtividade das empresas, ou que podem levar os portugueses à preguiça.

Ao que se diz, a igreja católica está disponível para abrir mão dos feriados religiosos de 15 de Agosto e 7 de Junho (este parece que é móvel). O que dizer a isto? Pela minha parte, muito pouco, quase nada, a não ser o que sempre pensei: ser nestes dias ou noutros quaisquer é exatamente a mesma coisa; foi inventado assim, pode ser reinventado doutro jeito; vai dar ao mesmo.

No que respeita aos feriados civis, entendo que a questão é diferente. Os acontecimentos que as datas assinalam podem dizer muito, pouco ou nada, a cada um de nós.

Mas o 1º de Dezembro recordará sempre o dia 1 de Dezembro de 1640 e a libertação do jugo espanhol que durou 60 anos. Isto tem alguma importância ou não tem importância nenhuma? Para mim tem a importância q.b. para não me esquecer e não desejar que os tristes dias de 1580 se repitam. Com ou sem feriado.

E o 5 de Outubro será sempre o dia 5 de Outubro de 1910, data que assinala a implantação da República em Portugal. Do mesmo modo, poderá ter importância para uns e não para outros; haverá mesmo quem bata palmas se se deixar de comemorar esta data e esquecido o ato que ela assinala. Pelo que me toca, continuarei a não esquecer a data. Com ou sem feriado.

 

O.C.