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OuremReal

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09.07.11

A selva


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O capitalismo está em guerra. Uma guerra fratricida. E, como todas as guerras, com muitos efeitos colaterais.

O capitalismo é assim como as doenças. E, como não há doenças boas e doenças más, porque basta que o sejam para serem más, também não há capitalismo bom e capitalismo mau; é todo mau.

Embora haja o que não tenha gravidade de maior; tal como aquelas.

O que está a acontecer, a nível internacional, e com alguns países europeus, em particular, com destaque para Portugal e Grécia, assemelha-se a uma luta entre dois blocos, feitos da mesma massa, e com os ideais capitalistas a circularem-lhe nas veias, que têm como objetivo comum o domínio sobre o outro. E usam a mesma bandeira – o cifrão. Neste caso só se distinguem pelo símbolo que ostentam: dólar de um lado, euro do outro.

Trata-se de medir forças, esgrimir os argumentos mais eficazes e implementar a tática mais adequada ao fim em vista. Não importa quem é apanhado na onda. Não contam as consequências.

E o que se percebe, se é que se percebe alguma coisa, é que o bloco do dólar está com mais força que o do euro. E o grupo mais forte está a comportar-se para com o mais fraco exatamente como uma matilha de lobos famintos se comporta para com uma manada de búfalos que, distraidamente, pastam na tranquilidade (?) da mesma selva; como se costuma ver nos documentários da National Geographic.

Ora, sendo o búfalo um animal mais forte que o lobo, é certo e sabido que um lobo só não se vai meter a atacar um búfalo qualquer. Então, a matilha estuda a manada, identifica os mais vulneráveis, ou porque estão mais distraídos, ou porque estão mais enfraquecidos, ou porque evidenciam comportamentos que levam a crer que as suas capacidades de defesa estarão diminuídas.

Depois é só desferir o ataque, usando a tática mais adequada a cada circunstância. O normal é fazer uns jogos de diversão para convencer a vítima que o objetivo não é o que é; depois tentar isolar a vítima do grupo; e persegui-la enquanto for preciso; e se o grupo está distraído, quando se apercebe já o pobre búfalo está nas garras e nos dentes do lobo.

E quando se chega a este ponto, das duas uma: ou o grupo se organiza e atua, rapidamente, em defesa dos seus, e talvez o consiga salvar; ou não faz isso e o caso está perdido; mesmo que o consiga salvar, já não consegue evitar os danos da vítima e o sofrimento associado, nem consegue evitar os danos do grupo que, além do esforço que teve de fazer e dos custos que isso lhe acarretou, ainda fica mais vulnerável, enquanto organização, porque a matilha sabe que, com ataques sucessivos, a capacidade de resistência do adversário vai diminuindo.

É o que se passa, por analogia, claro, nesta selva capitalista em que vivemos, com o capitalismo do euro de um lado e o capitalismo do dólar de outro.

E, tanto quanto se enxerga, a matilha do dólar está a levar a melhor porque os búfalos do euro andam distraídos e, egoisticamente, cada um a cuidar mais da sua pastagem do que da segurança e manutenção da pastagem coletiva.

Se ser capitalista já não é bom, ser capitalista e estúpido ainda é muito pior!

 

O.C.

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