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OuremReal

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15.06.11

Indignação


ouremreal

A indignação é um estado de espírito que acontece quando alguém nos faz recordar aquilo de que a gente não se queria mesmo lembrar.

E eu não me queria lembrar da “javardice” que foi feita com alguns dos combatentes da guerra colonial. Da última que tivemos, desde 1961 a 1974 do século passado. De que muitos portugueses, de boa memória, ainda não se esqueceram e outros, com amnésia, já se esqueceram, ou não se querem lembrar; para além dos que não sabem a sorte que têm por não terem razão nenhuma para se lembrar dela!

O programa da RTP, que vi há momentos, atirou-me, mais uma vez, para esse estado e voltou a lembrar-me que o Estado português não soube, nem tem sabido, continua a não saber, honrar o mais elementar dos seus deveres – respeitar aqueles que um dia, por razões que lhe eram totalmente alheias, foram obrigados a pôr as suas vidas em risco para defenderem a sua Pátria.

Esse programa dava conta da situação em que se encontram alguns ex-combatentes africanos, da dita guerra colonial, que integraram as fileiras do exército português, que se dizem injustiçados, esquecidos, que esperam há anos, alguns há onze, para que seja decidido se têm, ou não, direito a serem considerados como deficientes das forças armadas, como consequência, ao que dizem, de ferimentos sofridos em combate.

E podia também falar dos não africanos, dos jovens portugueses que foram e não voltaram, dos que foram e voltaram estropiados e dos que continuam a esperar que lhes seja feita justiça.

E dos outros, muitos, que foram, pura e simplesmente, abandonados à sua sorte e, ao que consta, não tiveram sorte nenhuma.

Eu não sei se os ditos combatentes o foram ou não! Tão pouco sei se os ferimentos aconteceram em combate, nem onde, nem como, nem quando! Nem tenho que o saber! Mas o exército que os recrutou e usou tem que saber! Devia saber! É imperdoável que não o saiba!

Como é indesculpável, inaceitável, vergonhoso que sejam precisos onze anos para saber se o sr X tem ou não tem direito ao que reivindica!

Um Estado que se permite este tipo de comportamento, esta incúria, não merece ser respeitado!

 

O.C.