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OuremReal

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10.04.11

Surpresa? Nem por isso!


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Fernando Nobre, um dos candidatos derrotados nas últimas eleições presidenciais, é candidato do PSD, pelo círculo de Lisboa, nas legislativas de 5 de Junho, com a promessa de se transformar no próximo Presidente da Assembleia da República se os votos da direita lhe derem margem bastante para tal.

O supra-partidário, o isento e crítico cidadão que fazia crer que nunca iria entrar na lógica da “partidocracia”, afinal, não resistiu. Esperava-se que a imagem que construiu e conseguiu manter durante a campanha eleitoral não acabasse tão cedo. No entanto, a solidez dessa imagem revelou-se menos consistente do que muitos dos seus apoiantes talvez esperassem e desejassem e ele aí está, onde acha que melhor serve os seus interesses e os daqueles a que se juntou.

Para quem já esteve ligado, anteriormente, a uma campanha eleitoral do Bloco de Esquerda, aparecer, agora, na do PSD, é obra!

Já tivemos um “filme”parecido com este, há uns anos atrás, quando, em 1985, o então Presidente da República, Ramalho Eanes, em finais do seu segundo mandato, criou um partido político, o PRD (partido renovador democrático) para, como se dizia na altura, dignificar o panorama político nacional e renovar a esperança dos Portugueses que tão abalados estavam com a governação do dr Soares.

As consequências foram muito simples: O PRD passou a ser a terceira força mais votada, logo a seguir ao PS e o PSD teve duas maiorias absolutas seguidas com Cavaco Silva em primeiro-ministro. O PRD, logo que deixou de ser importante, foi negociado com uns srs. do Movimento de Acção Nacional e depois passou a PNR, de extrema-direita, que não sei se ainda existe.

Agora, Fernando Nobre, enquanto candidato presidencial, conseguiu esvaziar as candidaturas que se posicionavam à esquerda, nomeadamente a de Manuel Alegre, que foi apoiado pelo PS, facilitando a eleição do candidato da direita, Cavaco Silva.

Na mesma lógica de tentar reforçar essa direita e levar o PSD ao governo, nas próximas legislativas, e afastar os partidos da esquerda, nomeadamente o PS, não criou um partido político, como fez Ramalho Eanes, nem teria tido tempo para isso e dar-lhe alguma credibilidade e consistência, mas optou pela solução mais fácil e rápida: juntou-se a eles.

Surpresa? Nem por isso!

 

O.C.