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OuremReal

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08.04.11

A crise


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Não sou economista! E tenho pena, porque gostava de perceber desta crise o que tantos economistas parecem perceber. Assim, fico sem perceber se eles, de facto, percebem alguma coisa do que dizem.

Posto isto, fico tranquilo para dizer o que penso, sem ter que me preocupar com o facto de não perceber nada do que tantos dizem perceber muito. Com a convicção de que a crise é muito mais do que económica.

1.ªquestão: Principal causa da crise? Resposta: Este sistema capitalista em que vivemos.

2.ªquestão: Culpados? Resposta: Muitos. Primeiro – os capitalistas, propriamente ditos, gente sem grandes escrúpulos. Segundo – os outros capitalistas todos, que só têm cifrões onde deviam ter miolos, com tantos escrúpulos como os primeiros. Terceiro – os políticos, propriamente ditos, tão capitalistas como aqueles, tão prejudiciais como perigosos. Quarto – os políticos, propriamente ditos, que se dizem não capitalistas, mas que alinham com eles, aparam o jogo quando lhes convém, que se põem a jeito sempre que lhes interessa, e que deviam envergonhar-se por muito do que fazem e pelo que deixam por fazer. Quinto – os outros políticos, aprendizes de políticos, candidatos a políticos, que, na ânsia de lamber o pote, não olham a meios para lá chegar. Sexto – os outros todos, que não percebem, ou não querem perceber, que não sendo nada daquilo que aqueles são, muitas vezes são iguais a eles. Não terão cifrões no lugar dos miolos, nem nos bolsos, mas devem ter serradura no lugar dos primeiros e ilusões nos segundos. Sétimo – todos os que não querendo este estado de coisas não fazem tudo o que estiver ao seu alcance para impedir que assim continue a acontecer.

3.ªquestão – A crise era evitável? Resposta: era, se vivêssemos num outro mundo qualquer, com gente a sério. Como não vivemos nesse outro mundo e temos a gente que temos, direi que não era evitável; aconteceria, mais tarde ou mais cedo; poderia ter sido deste jeito ou doutro; como a próxima crise será assim ou doutra maneira qualquer.

4.ªquestão – Como se resolve? Resposta: Não sei! Não sou economista, nem político, nem coisa parecida! Sei como gostava que não fosse: Não gostava que fosse ao jeito dos que têm culpa pelo que está a acontecer e à custa dos que a não têm, como parece que vai ser.

5.ªquestão – Quem resolve? Resposta: Também não sei! Não sou comentador, nem analista, nem propagandista, nem vendedor de banha da cobra! Só sei quem gostava que não fosse: Primeiro, os de fora, muito menos os agiotas. Os que provocam as crises, depois prescrevem as receitas, vendem os medicamentos e, no fim, ficam com os lucros do negócio. Como parece que vai ser. Depois, os de dentro, que estão fartos de mostrar que não prestam, desde que os capitães de Abril “deram novos mundos ao mundo” (da esperança). E já são tantos que nem sei em quantos vai a conta: são os do poder, os do contra-poder, os que governam, os que desgovernam, os que não deixam governar, os que só sabem fazer o que não fazem e os que não sabem o que estão a fazer. Mais do mesmo, não. Como parece que vai ser.

6.ªquestão – Que medidas a tomar? Resposta: Não vale a pena moer a cabeça. O FMI faz o ditado. É só escrever e cumprir. Na política, podíamos fazer como no futebol. Contratar estrangeiros que percebam alguma coisa do assunto e ganhem pouco, de preferência. É só uma ideia.

Para que o 5 de Junho não se transforme num desperdício!

 

O.C.