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OuremReal

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07.03.11

Geração rasca?


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 Geração rasca? Acho que não, embora às vezes pareça!

Geração à rasca? Sem dúvida que sim!

Não me incluo no grupo dos que acham que a geração A era boa, a geração B não o é, porque acho que as gerações são todas diferentes umas das outras, porque elas são fruto de todas as circunstâncias em que se vão desenvolvendo, como também acabam por interferir e influenciar essas mesmas circunstâncias, fazendo com que as que se lhe seguirem sejam diferentes das que as antecederam.

O que acho é que a nossa apreciação sobre determinada geração se baseia sempre na comparação com o que idealizamos, com o que gostávamos que fosse, quase sempre porque não conseguimos ser o que gostávamos ter sido e achamos que os outros o devem ser.

Também acho que, geração após geração, as condições de vida têm vindo a melhorar, os sacrifícios pedidos a cada uma têm sido menores o que, de alguma forma, tem vindo a criar algumas falsas espetativas e alguma ilusão, já que a vida real é mais exigente do nos querem fazer parecer.

Aqui entra o instinto protetor da família, dos pais em particular, a subtrair os filhos a todas as dificuldades, o mais que podem, muitas vezes com prejuízo próprio. E, algumas vezes, contrariamente ao que julgam, não estão a ajudar, mas sim a prejudicar.

A falta de autonomia é evidente. A falta de responsabilização é notória. A liberdade é, muitas vezes, descontrolada. Os valores são pouco trabalhados. Tudo isto porque os níveis de exigência, principalmente ao nível familiar, têm vindo a baixar, e por vezes, começam a ser preocupantes. E quando são baixos ao nível familiar, também o são, depois, na escola e, mais tarde, até certo ponto, na sociedade.

Só que as facilidades que, de um modo geral, são proporcionadas enquanto se estuda, começam a diminuir quando se termina o secundário e à medida que se vai entrando pelo superior ou se quer enveredar pelo mercado de trabalho.

E as noções de dificuldade, de responsabilidade, de autonomia que não foram bem trabalhadas vão começar a fazer falta, porque, de repente, fica-se na dependência dos pais, ou em circunstâncias piores, numa situação de frustração que pode, facilmente, conduzir ao desânimo e a consequências graves.

É certo que há sempre a possibilidade de protestar, reivindicar e criticar! E ainda bem!

É um privilégio que não se tinha num passado recente e que, por precioso que é, deve ser bem usado e não desperdiçado.

Apesar de não ser a cura milagrosa que, por vezes, nos anunciam ajuda a que muitas consciências não adormeçam!

O último programa televisivo do prós e contras sobre os problemas da geração que procura emprego deixou claro que:

- Esta é a geração que tem mais qualificação académica. O que não significa que tenha mais qualificação profissional.

- Nota-se que há desadequação entre os cursos superiores e a exigência do mercado de trabalho. Logo, não há concertação entre universidades e empresas.

- Esta geração tem que estar pronta para exercer um trabalho que nada tenha a ver com a sua formação. Tem que ganhar uma mentalidade de adaptação às circunstâncias para que pode não estar preparada.

- Há cursos superiores que parece que só existem numa lógica de negócio, já que não têm saída na vida prática.

- O mercado de trabalho deixou de ter um âmbito nacional e passou a ter uma amplitude, pelo menos, europeia. É preciso que, desde cedo, os jovens comecem a ser mentalizados para isso. A família tem que rever o âmbito da sua ação protetora e a escola tem que incutir isso no espírito dos seus alunos.

- As condições de trabalho vão sendo cada vez mais precárias, porque, também se disse, a rigidez das nossas leis laborais não permite que os despedimentos sejam mais fáceis de modo a permitir que os mais velhos dêm lugar aos mais novos, já que não há trabalho para todos. Não se percebe como é que se resolve um problema com a criação doutro!

- Parece que vamos ter de recuperar profissões antigas que foram desprezadas, ou inventar novas profissões que permitam diminuir a necessidade de importar tudo e mais alguma coisa e criar mais emprego.

Resumindo e concluindo:

Parece que temos que mudar muitas mentalidades e atitudes! Na família, nas escolas, nas empresas, nas pessoas, em cada um de nós!

De uma vez por todas!

Para que não andemos, eternamente, à rasca!

 

 

O.C.