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OuremReal

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07.10.10

A Tabela


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Devia ter-me inscrito nas novas oportunidades!

Talvez aprendesse alguma coisa e chegasse a ser capaz de perceber o que é, afinal, a crise em que vivemos, quem tem culpa dela existir, quais as causas e as consequências e quem fala verdade e quem mente sobre isto tudo.

Assim ... vou ouvindo os "papagaios" que encharcam tudo quanto é rádio, televisão e jornal. (Enquanto a paciência o permitir).

E, no final, com tanta gente a saber tanto, a ter a solução para resolver tudo e ver que a coisa não se resolve ... fico irritado. Irritado comigo mesmo, (porque perdi tempo a ouvi-los, ou a lê-los, quando já sabia que não acreditava em nada daquilo) e não com eles (e elas), obviamente, porque estão (só) a vender o respetivo peixe; cada um o seu, conforme lhe convém, por encomenda, por convicção, por necessidade, por oportunismo ou por qualquer outra razão.

Mesmo assim, à força de tanto ouvir, acho que começo a ficar com umas dúvidas a menos. Ou seja:

Quem mente? Todos!

Quem diz a verdade? Nenhum! Claro!

Culpados? Os trabalhadores! Como sempre! Principalmente os funcionários públicos!

Ou porque trabalham pouco, ou porque trabalham mal, ou porque ganham demais! Ou por tudo isto junto. O que faz com que o patrão não ganhe o suficiente, ou, pelo menos, o que precisa ou pretende.

E como são eles os culpados... começa-se por eles para resolver a questão.

Trabalham pouco? Exige-se mais! Qualquer horário de trabalho é suficientemente flexível (ou flexibilizável) para "esticar" se for preciso! E a idade da reforma pode continuar a aumentar!

Trabalham mal? Pois! Mas o melhor é não mexer muito nisso, não vá chegar-se à conclusão de que a culpa não é deles!

Ganham demais? Claramente! Então, corta-se-lhes o salário! É fácil, rápido e é dinheiro em caixa!

O Estado, através do seu "braço" executivo, é o exemplo acabado do patronato consciente de que os seus funcionários são os culpados da crise. Logo, só têm que pagar!

Ajeita-se um discurso mais ou menos demagógico, tipo, quem ganha muito desconta mais, quem ganha pouco desconta menos. Fala-se em vencimentos de 1000, 1500, 2000 e por aí fora. Mas não se é suficientemente honesto para dizer que percentagem de funcionários ganha estas ou outras verbas. Nem para dizer que os ilíquidos encolhem muito, antes de entrarem nos bolsos de quem os recebe, por força dos descontos obrigatórios. Nem coragem para dizer quem são os verdadeiros beneficiados com vencimentos que envergonham não só quem os recebe, mas mais ainda quem (e porque) os paga. 

O resto dos patrões, os privados, como bons imitadores que são, logo irão atrás, no esforço patriótico de acabar com a crise. Sim, porque se os trabalhadores do Estado são culpados, e pagam, os seus empregados também o devem ser e, como tal, também terão que pagar! 

A tabela dos cortes nos vencimentos já anda por aí a navegar.

É só clicar!

 

O.C.