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OuremReal

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04.09.07

Problemas


ouremreal

Há, pelo menos, três maneiras de encarar os problemas e resolvê-los.

A primeira e a mais sensata de todas é evitá-los. Pressupõe conhecimento das situções, capacidade de planeamento, visão estratégica, capacidade de intervenção oportuna, facilidade de diálogo  e, acima de tudo, bom senso. 

A segunda, porventura aquela de que mais deitam mão os oportunistas e os de carácter duvidoso, consiste em  fingir que se desconhece o problema; e problema que se desconhece é problema que não existe; e se não existe, não há nada a resolver; continua tudo na paz dos anjos, cada um a safar-se como pode. 

A terceira é típica dos arrogantes e prepotentes, tipo quero posso e mando; sabe-se que a situação é problemática, que se for por diante vai causar problema sério, que para fazer as coisas com cabeça, tronco e membros vai ser uma grande "chatice", porque não há maneira de fazer " passar o elefante pelo buraco da agulha ", a menos que se mude um ou outro...ou os dois; só que mudar pode significar reduzir interesses...E aqui tudo se complica! Então, fecham-se os olhos à evidência, tapam-se os ouvidos às críticas e acelera-se a situação para que o problema surja; e surja com uma dimensão tal ( tipo caso consumado) que a solução tenha que ser uma solução de emergência, de preferência altruista, ou mesmo drástica,  em que aparece alguém de coração bondoso, disposto a dar, contribuir, ceder, sei lá mais o quê, para que tudo se resolva a bem da comunidade, ou, se quisermos, a bem do interesse público. Porque, se ninguém ceder, o tal interesse público justificará, se necessário, a expropriação do que for preciso. Porque o problema tem que ser resolvido! Manda quem pode!

Três casos típicos desta forma de resolver problemas, ocorridos na cidade de Ourém, em tempos recentes:

Rua de Castela - autoriza-se, ao arrepio das leis em vigor, um prédio de 5 pisos que prejudica as habitações de rés-do-chão do outro lado da rua. O tribunal dá razão aos protestos dos donos das habitações e determina a demolição do prédio. Mas o prédio lá continua, habitado, e as moradias vão ser expropriadas, para demolição, por interesse público. Problema resolvido !

Corredoura - Intermarché - Autoriza-se a construção do hipermercado, centro comercial, com atropelo de regras que justificou a interrupção das obras por largo período, com todos os prejuizos inerentes. A obra acabou por ser construída, corrigidos os erros iniciais. Problema resolvido ! Não se sabe quanto custou a teimosia.

Modelo - Autoriza-se a construção, sabendo-de, de antemão, que a sua localização é problemática. Porque vai, claramente, alterar todo o ambiente duma zona habitacional em expansão. Porque vai, indubitavelmente, sobrecarregar de tráfego automóvel uma zona que é das mais congestionadas da cidade, uma zona mal dimensionada urbanisticamente, com ruas estreitas e prédios altos, sem facilidade de escoamento de trânsito e com os passeios a servir de estacionamento. Mas, também neste caso, o problema vai ser resolvido! Temos a certeza disso! Ao jeito de quem o criou! Como não podia deixar de ser!

 

O.C.

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