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OuremReal

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22.08.10

A feira


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Um fiscal da Câmara Municipal de Ourém foi agredido, em Fátima, por um comerciante, quando estava a fazer serviço de fiscalização contra a colocação de artigos, religiosos e outros, na via pública – é a notícia que leio, quase sem acreditar, na imprensa do dia.

E ainda leio mais: o dito fiscal estava acompanhado por um elemento da GNR que terá presenciado a cena.

E continuo a ler: o vereador da Câmara Municipal, com o pelouro Fátima, Nazareno do Carmo, disse que repudia o acontecido e apoia o funcionário na eventualidade de este avançar com uma queixa contra o comerciante.

E continuo a ter dificuldade em acreditar no que leio. E interrogo (-me) :

1 - Afinal, a “feira da ladra” continua, com comerciantes a borrifarem-se para as posturas municipais e a fazerem o que lhes apetece no que toca à “exposição” dos artigos do seu negócio pelo espaço público.

Por que é que isto acontece?

2 - O que fazia, na circunstância, o elemento da GNR? Estava ali, por acaso, ou acompanhava, oficialmente, o dito fiscal na sua função? E que medidas tomou (se tomou) depois do que viu?

3 - Como julgo que estou a interpretar, corretamente, o que leio, o funcionário estava ao serviço do Município e não estava, ali, por conta própria. Logo, não foi, propriamente, o funcionário X que foi agredido, mas sim o Município.

4 – Daí, o não entender que o vereador municipal se limite a dizer que repudia e que apoia o funcionário na eventualidade de…

Então, não é à Câmara Municipal que cabe a obrigação de fazer cumprir as suas próprias normas e atuar contra os prevaricadores (e agressores, neste caso), em vez de esperar que seja um seu funcionário a decidir se vai ou não vai apresentar queixa?

E por aqui me fico. Sem comentários. Na expetativa de vir a perceber os quês e os porquês de tudo isto.

A menos que tudo não tenha passado de um “equívoco” e  fiquemos pelas... "águas de bacalhau"...

 

O.C.

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