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OuremReal

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06.07.10

Contrastes


ouremreal

O futebol continua (e continuará!?) a desencadear as mais diversas manifestações, tal a paixão que se apodera de muitos dos seus "consumidores". Quando se entra no exagero, o discernimento esbate-se, perde-se a noção de equilíbrio que deverá presidir às decisões, manifestações, desabafos, opiniões e depois... é o que se vê.

O mundial da África do Sul é, apenas, mais uma prova de tudo isto.

Portugal chegou aos oitavos de final. Foi mau, foi bom, ou aceitável? Creio que foi tudo isto, não sendo, portanto, nem bom, nem mau, nem assim, assim. Já que o que para uns pode ser bom, poderá ser o contrário para outros tantos.

Vejo e leio na comunicação social que a eliminada seleção da Argentina foi carinhosamente recebida no regresso a casa; o mesmo aconteceu com a seleção do Gana; e o nosso conhecido benfiquista Cardoso, que, ao falhar uma grande penalidade que poderá ter sido fatal para a eliminação da seleção do seu país, foi alvo de uma recepção que, certamente, não teria tido se tivesse o azar de ser jogador da seleção portuguesa.

A nossa seleção foi recebida por um grupo insignificante de pessoas que, na sua maioria, insultaram tudo e todos. A comunicação social tem vindo, quase exaustivamente, a bater no treinador, no jogador A, no B, no que disse o C e no que não disse o D.

Curiosamente, nada disse quanto ao golo irregular que nos eliminou frente aos espanhóis... 

Gostava de perceber o porquê de tudo isto!

Então, estar entre os 16 melhores do mundo, futebolisticamente falando, claro, é assim tão mau?

Tínhamos que ser os primeiros? Porquê?

Eu também gostava!

Podemos contestar as escolhas do treinador, as atitudes de alguns jogadores, o desempenho de uns ou de outros. Mas, se fosse de outra maneira, seria melhor? ou poderia, ainda, ser pior?

E se nós não fôssemos uma insignificância de país, as instâncias futebolísticas internacionais teriam outra consideração pela nossa seleção?

O sr. "não sei quantos" que pediu desculpa aos ingleses e aos paraguaios pelos erros de arbitragem, não pediu desculpa a Portugal, porquê?

E as arbitragens reagiriam da mesma forma, quando mostram cartões amarelos ou vermelhos?

Duvido!

As únicas conclusões a que consigo chegar, uma vez mais, no domínio interno, é a confirmação de que a paixão afeta a razão. E que somos formidáveis a criticar, a destruir quase sempre, somos uns sabichões em tudo o que os outros fazem, mas, enquanto sujeitos da ação, somos tão falíveis como qualquer outro. No domínio externo, somos tratados apenas por aquilo que somos em tamanho e força - pequenos e insignificantes.

Talvez isto tudo se consiga alterar, se, internamente, conseguirmos ser melhores, de modo a que nos vejam merecedores de mais respeito! 

 

O.C.