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OuremReal

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10.06.10

10 de Junho


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10 de Junho. Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades, da Raça, do que quisermos. Um dia que, simbolicamente, pelo menos, devia ser de união entre os Portugueses, um dia em que fôssemos capazes de suspender o clima de crispação, conflitualidade e agressividade que vai caraterizando o nosso quotidiano.

Como apelou o Presidente da República durante as cerimónias desta manhã!

Mas, de facto, não é isso que acontece, como, uma vez mais, hoje se constatou durante as cerimónias que tiveram lugar na cidade de Faro, em que, de uma forma organizada, pensada, provocatória, há sempre um grupo de uma dezena de ativistas (?), não mais, como acontece onde quer que o Primeiro-Ministro se desloque, disponíveis para umas assobiadelas. Por acaso os que o aplaudiram foram muitos mais, só que não tiveram o mesmo realce dos que o assobiaram, nem foram suficientes para que a repórter de um canal de televisão que estava ali mesmo ao lado se tivesse referido, em direto, às assobiadelas e tivesse omitido os aplausos.

Quanto às cerimónias propriamente ditas o meu destaque para o desfile das forças em parada. Homens, mulheres e máquinas dos três ramos das forças armadas, mais as forças militarizadas e os organismos da formação e, pela primeira vez, uma representação de antigos combatentes. Para além dos discursos e das condecorações.

Um breve comentário, o meu comentário, a tudo isto:

Começando pelo fim, não percebi o motivo de algumas condecorações. Teria sido bom que tudo tivesse sido explicado para que não se ficasse com a dúvida de que, em muitos casos, se estava, pura e simplesmente, a condecorar algum tipo de “clientela”.

Sobre os discursos, nada de importante, alguma tentativa pedagógica de circunstância, o apelo ao patriotismo e à união que não são descabidos, o realce do Algarve e do Mar, de acordo com o contexto, o reconhecimento justo dos serviços prestados pelas forças armadas.

Quanto à presença dos antigos combatentes, independentemente de todos os possíveis aproveitamentos, desentendimentos, oportunismos ou o que quer que possa estar subjacente a este assunto, um País qualquer, neste caso Portugal, nunca será um País digno de respeito se não for capaz de respeitar e honrar, sempre, os que deram, ou se dispuseram a dar as suas vidas pela sua Pátria, por mais controversas que as causas de cada momento possam ter sido. O meu aplauso pela presença de antigos combatentes, independentemente de questionar se lá deveriam ter estado estes ou outros.

Sobre as forças em parada e o desfile que se seguiu, destaco:

1 - O toque dos mortos em combate continua a ser difícil de suportar…

2 - Aprecio o aprumo, a capacidade e o vigor dos intervenientes. Não consigo explicar bem como concilio um anti-militarismo básico com este sentimento de admiração por fileiras bem alinhadas, o passo certo, os movimentos sincronizados, todo o aparato das várias máquinas, das novas tecnologias e a destreza dos que as manobram, dos tanques, dos helicópteros, dos aviões, de tudo isso…

3- Apesar de tudo, as nossas forças armadas ainda apresentam alguns sinais de modernidade, o que acho positivo.

Como sou pela existência de forças armadas, tão eficazes e modernas quanto possível, e não partilho da corrente de opinião que acha que as não devemos ter, porque são um desperdício, apraz-me constatar os inúmeros cursos de formação que disponibilizam aos voluntários que as procuram, o que isso significa para a vida futura de muitos jovens e como contribuem para que possamos ter um País mais capaz.

E não sejamos ingénuos – não é por ter forças armadas que temos de fazer guerras…

E se essas forças puderem estar (também) ao serviço de todos, em acções de carácter social, tanto melhor!

 

O.C.