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OuremReal

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10.06.10

As fases da lua


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O reino da Nova Lusitânia é um velho reino com quase nove séculos de existência, à beira mar plantado, algures no sudoeste da Europa, com uma história rica de acontecimentos que já conheceu dias de glória, mas que atravessa uma tremenda crise gerada por capitalistas gananciosos que dominam a economia e políticos inexperientes, incapazes de impedir que eles dominem quase todo o resto.

 A sociedade da Nova Lusitânia é uma sociedade do tipo tribal, com tribos organizadas segundo crenças, ideologias e conveniências, que se regula por leis que são, na sua maioria, ditadas por uma assembleia magna onde os representantes tribais se vão, diariamente, confrontando, afrontando, insultando, negociando, representando, em sessões mais ou menos divertidas, mas que custam, às finanças do reino, muito mais do que valem.

Cada tribo tem o seu líder e vários colaboradores activos, uns mais atinados que outros, uns do tipo fanfarrão, outros do tipo intelectual, uns parecem vendedores de banha da cobra, outros são do tipo cassete, todos sabichões, enfim, há sumidades para todos os gostos e paladares.

 As tribos identificam-se por cores, que ostentam das mais diversas maneiras, e que vão do azul ao vermelho, passando pelo rosa e laranja, umas mais vivas, outras já desmaiadas. Têm as suas regras internas, embora todas estejam sujeitas às leis gerais do reino.

Quando vão a votos o que ganha é o chefe do reino a quem cabe governar. Aos outros, os que perdem, resta a tarefa de impedir que o vencedor governe e, para isso, farão os possíveis e impossíveis até à exaustão.

É neste contexto que surge a Lua Nova, o nome de código de uma operação levada a cabo pelas forças da lei e da ordem do reino da Nova Lusitânia, no sentido de apurar, custe o que custar, se o líder, Viriato II, está ou não implicado na tentativa de controlar todo o negócio dos meios de informação o que, a ser verdade, seria uma séria ameaça não só ao equilíbrio das forças em que assenta o funcionamento social do reino mas, sobretudo, ao chamado estado de direito, assim conhecido para o distinguir do outro estado onde estava tudo torto.

E porquê a denominação de Lua Nova?

Como os sábios a quem compete zelar pelas justiças e injustiças sabem, durante o mês lunar a lua é vista de quatro formas diferentes, as chamadas fases da lua e, numa delas, na lua nova, a lua não é visível. Também conhecida por face oculta da lua. Ora, assim sendo, embora toda a gente saiba que ela lá está, é como se não estivesse. Ou seja, é assim como que um faz, mas não fez, um diz, mas não disse, uma amálgama de interesses, vontades, favores, rancores, informações e contra-informações, verdades e mentiras que ninguém pode ver, mas que toda a gente sabe que lá está. Uma confusão!

É a fase da lua ideal para os justiceiros fazerem o que lhes compete e convém!

Foi assim que os justiceiros nomeados para estudar e resolver este caso que, alegadamente, envolve Viriato II, baseados em hipotéticas conversas entre membros da tribo dominante, engendraram a Lua Nova. Andavam às voltas, sem saber como impedir aquele chefe tribal de governar, bateram com a cabeça num dos pilares da sala, viram tantas estrelas que nas suas cabeças se fez luz.

Tanta luz que até conseguiram ver o invisível.

É grande a curiosidade por ver o relatório final!

 

O.C.