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OuremReal

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19.01.10

A importância do momento


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Quando se pergunta a um miúdo de sete ou oito anos o que quer ser quando for grande... é normal ouvirem-se respostas como jogador de futebol, médico, bombeiro, enfim, uma série de possibilidades que se prendem, fundamentalmente, com actividades a que se associam grandes feitos, muita mediatização, coisas muito faladas, quase sempre pelas melhores razões.

Dificilmente se ouvirão manifestações de vontade como, por exemplo, ser político.

Não por ser coisa em que não se fala, antes pelo contrário, mas, quase sempre, pelas piores razões. Daí, não ser tida como uma actividade muito atractiva, ou, pelo menos, suficientemente apelativa para os jovens que ainda não entendem que, nesta vida, nem tudo é como parece, ou, nem tudo parece o que, na realidade, é.

Afinal, ser político parece ser uma actividade ao alcance de qualquer um.

Não exige nenhuma habilitação específica, não exige nenhum currículo excepcional, não exige canudo, não exige um grande investimento, não exige, sequer, grande apego à palavra dada, permite muita flexibilidade na assumpção e desvinculação de compromissos, enfim, nada que não esteja ao alcance de qualquer português de mediana formação desde que manifeste alguma capacidade para se ir adaptando às circunstâncias e possua alguma facilidade de palavra.

Não surpreende que o simples preenchimento de um lugar político, mesmo que de reduzida relevância, como é a presidência de uma comissão concelhia de um partido, seja encarada como uma tarefa de extrema importância, tratada de forma planeada, dramatizada por vezes, mediatizada o mais possível, como se de algo muito importante se tratasse.

E se transforme, quase sempre, numa luta, onde a confrontação de interesses entre facções é indesfarçável. 

O último desaire eleitoral do PSD local retirou ao responsável concelhio, e candidato derrotado à presidência da Câmara, a vontade de continuar num lugar que, em contexto de vitória, seria de incontestável apetência e conveniência, mas que, no contexto actual, passou a ser um embaraço.

Daí que Vitor Frazão tenha precipitado eleições concelhias com vista à sua substituição na comissão política.

Inesperadamente, o primeiro candidato a candidato foi-o por poucas horas.

Podemos concluir que não era candidato de grandes convicções.

Orlando Cavaco desistiu perante a vontade de candidatura manifestada pelo Presidente da Junta de Freguesia de Fátima, Natálio Reis. 

Aguardemos pelos próximos episódios para ver como se vão posicionando as várias facções do partido e confirmar, ou não, o domínio de Fátima naquela estrutura partidária. Mas, como nos próximos quatro anos não se prevêm eleições autárquicas, não nos custa nada acreditar que aquele partido entre num período de acalmia interna e que não haja o habitual interesse na disputa do lugar de presidente da comissão política concelhia para o próximo mandato de dois anos.

Tendo sempre a convicção de que encontrar candidatos ao lugar será sempre fácil.

Tanto mais fácil quanto mais importante for o momento!

 

 

O.C.

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