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OuremReal

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07.01.10

Quando o bom é pior que péssimo!


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Durante o ano de 2009, segundo dizem as estatísticas,  morreram nas estradas portuguesas 738 pessoas, vítimas de acidentes. A maioria dos quais por excesso de velocidade e manobras perigosas. O que constitui, ironia das ironias, um "bom" número, porque é o mais baixo dos últimos dez anos.

Ou seja: o "bom" é muito pior que péssimo!

É esta contradição que encerra a triste realidade em que vivemos, a nossa guerra civil de cada dia, sem generais, sem metralhadoras, nem tanques, nem bombas, nem espingardas, nem ideologias.

Apenas com pessoas. Ditas normais.

E um objecto que é (ou devia ser) de conforto e prazer que se chama automóvel.

Uma mistura a que faltam, claramente, diria mesmo, gritantemente, alguns ingredientes indispensáveis para que este triste cenário se altere.

Realço, apenas, dois:

O primeiro e mais importante chama-se civismo; muito simplesmente. Um bem ao alcance de todos, que não envolve custos de qualquer espécie;

O segundo chama-se aptidão, ou competência, se quisermos; é inegável que conduzir um automóvel, nos dias de hoje, é um exercício de risco acrescentado. O número de viaturas, a potência dessas viaturas e a complexidade das vias exigem, cada vez mais, condutores mais preparados.

E assume cada vez mais pertinência a velha questão que consiste em saber se para conduzir um automóvel basta ter dinheiro para o comprar e dar umas lições; mais uns, menos outros, ir a exame uma vez, duas, três, ou as que forem precisas, e ter alguma sorte com o examinador que lhe sai na rifa.

Ou se, por outro lado, tudo deve ser antecedido por uma prova de aptidão psicotécnica, essa, sim, determinante para que se saiba se determinado indivíduo pode ou não pensar em ser automobilista.

Porque, se não se limitarem as máquinas, vão ter que se limitar os condutores. Ou seja:

Se os automóveis não atingirem mais de 100 à hora não baterão a 150. Ou, se não derem mais de 60 kms/hora não se despistam a 80. Simples! Parece!

Por outro lado,se só puderem ter carta de condução os que demonstrarem aptidão psíquica e técnica para isso, não serão automobilistas todos os que tiverem dinheiro para comprar um carro, mais potente, menos potente, conforme a carteira. Simples! Também parece!

Mas, como nem tudo o que parece é, temos que admitir que, pelo menos a curto prazo, os carros vão ser cada vez mais potentes e a carteira vai continuar a comandar a condição de ser ou não ser automobilista.

Resta-nos apelar ao civismo de cada um e lembrar a velha (e sempre actual) máxima de que nenhum soldado se pode esquecer, muito menos em situação de guerra: "NUNCA FACILITES"! O que significa que nesta guerra civil de cada dia, a que o trânsito automóvel nos conduziu, o melhor é não abusar da sorte e não fazermos aquilo que não temos a certeza de poder fazer bem.

E, mesmo assim, corremos o risco de nos enganarmos!

 

O.C.

 

 

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