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OuremReal

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28.05.18

28 de maio


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28 de maio. Neste dia, no ano de 1926, há, portanto, 92 anos, um golpe militar, comandado pelo general Gomes da Costa, pôs fim à que foi designada como a 1.ª república, que tinha sido implantada em 5 de Outubro de 1910, com o fim da monarquia.

Era Presidente do Conselho de Ministros (1.º ministro) António Maria da Silva e Presidente da República Bernardino Machado. O Presidente do Conselho tinha tomado posse a 18 de dezembro de 1925, como chefe do 23.º governo desde 1920, facto que atesta bem sobre a instabilidade vivida em Portugal naquela época – 23 governos em 5 anos!

Logo no dia seguinte ao início do golpe militar, que se iniciou em Braga e prosseguiu para sul, em direção a Lisboa, com a adesão sucessiva de unidades militares das principais cidades, foi constiuída a Junta de Salvação Pública, designação dada à ditadura que se instalou e que assim continuou até 1933. Neste ano, com a aprovação da nova Constituição, a ditadura mudou de nome e passou a ser designada por Estado Novo. Terminou em 25 de abril de 1974, com outro golpe militar, como todos sabemos.

Ainda nesse mês de maio, no último dia, 31, foi encerrado o Parlamento, o Congresso da República Portuguesa, como era designado.

A consagração (chamemos-lhe assim) do general Gomes da Costa teve lugar no dia 7 de Junho, com um imponente desfile militar de 15 mil homens na avenida da Liberdade e o aplauso de centenas de milhar de pessoas, como relatam as crónicas da época.

Curiosamente, ou talvez não, os diferentes pontos de vista, os desentendimentos, as lutas pelo poder dentro das forças vitoriosas levaram à detenção daquele que foi a grande figura do golpe militar. Detido no palácio de Belém, a 8 de Julho, o general Gomes da Costa é levado sob prisão para Caxias e, posteriormente, deportado para a Ilha Terceira.

Como a história se repete…! Vale a pena estabelecer a comparação entre o 28 de maio de 1926 e o 25 de abril de 1974 para ver como há um paralelismo, uma sequência de factos que, ao longo do tempo, vão contribuindo para que, num primeiro momento, a revolta aconteça e, depois, o rumo dos acontecimentos a ser encontrado conforme os interesses do momento e a maior ou menor capacidade dos protagonistas em imporem os seus pontos de vista, mesmo, como é o caso, quando as motivações ideológicas sejam completamente antagónicas.

 

O.C.