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OuremReal

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28.09.09

Um dia depois ...


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Olhando para os resultados das legislativas fica-se com a sensação que todo o investimento que foi feito para pouco ou nada serviu.

Olhando apenas para o universo das formações partidárias com assento na Assembleia da República constata-se que:

- Houve cinco vencedores, a saber:

O PS por ter sido o partido mais votado e, portanto, ter ganho as eleições;

O PSD por ter conseguido mais votos e mais 3 deputados do que na legislatura anterior;

O CDS porque teve mais votos e aumentou o número de deputados de 12 para 21;

O BE porque também teve maior número de votos e duplicou os deputados de 8 para 16;

A CDU que também aumentou o número de votos e ganhou mais um deputado, passando de 14 para 15.

Os quatro últimos também reivindicaram vitória, e isso foi bem realçado por todos, parecendo que se tratou, afinal, da vitória maior - terem retirado a maioria absoluta ao PS.

- Houve, simultaneamente, cinco perdedores, a saber:

O PS, que, sendo o vencedor, foi o maior perdedor - perdeu meio milhão de votos e 25 deputados, em relação às anteriores eleições;

O PSD, como alternativa de poder, perdeu as eleições e perdeu, claramente, na estratégia que adoptou;

O CDS, o BE e a CDU perderam, muito simplesmente, porque nenhum deles conseguiu ser a força mais votada, apesar de tanto Paulo Portas como Francisco Louçã  terem afirmado, mais do que uma vez, que estariam prontos para governar.

Constata-se, ainda, que:

José Sócrates conseguiu sobreviver a quatro anos de desgaste constante, não só pelos efeitos da governação, como também por efeito de um sem número de peripécias e tramas que lhe foram, sucessivamente, embaraçando a acção;

Manuela Ferreira Leite não pareceu "interessada" em vencer as eleições. Sem propostas claras e mobilizadoras, explorando  factos, ou pseudo-factos, esperando que isso fosse suficiente para conquistar votos, revelou-se, como era esperado, um desastre.

Paulo Portas conseguiu ser suficientemente demagogo para mobilizar grande número de eleitores de direita e refinou o seu jeito para a gabarolice, parecendo-se, cada vez mais, com o francês Le Pen;

Francisco Louçã parece disponível para substituir a arrogância de Sócrates por uma outra atitude, mais evoluída e progressista, própria da sua alta intelectualidade, que dá pelo nome de fanfarronice;

Jerónimo de Sousa manteve-se igual a si própio, repetiu o discurso de sempre, subiu a votação, conquistou mais um deputado, desceu para quinta força, mas a CDU avança.

Com a nova composição da Assembleia da República, o cenário parece ter passado de cinzento a negro e a governabilidade do país parece estar cada vez mais difícil. O PS, sozinho, com os seus 93 deputados, não consegue governar. Para os 116, só com entendimentos com o PSD ou com o CDS, o que constitui uma maioria que não reflecte a vontade que os Portugueses expressaram na votação de domingo e, dificilmente, se enquadrará no programa e na acção do partido mais votado.

A avaliar pela postura dos líderes partidários parece que cada um está mais interessado em continuar a explorar o descontentamento e a combater o outro do que a cuidar de resolver os graves problemas do País.

Se assim for, a governabilidade exigirá a intervenção do Presidente da República para que se acabe com a feira de vaidades que vai desfilando por aí.

Talvez se comece a perceber a aparente "falta de vontade" da dr.ª Ferreira Leite em lutar pela vitória nas eleições de domingo passado...

 

 

O.C.