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OuremReal

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11.09.09

O debate da asfixia! Ou a asfixia do debate?


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O debate Paulo Portas - Manuela Ferreira Leite foi, como se esperava, ensosso. O que não significa desinteressante. Não pelo conteúdo, nem por questões de ideologias, já que mostraram bem ser farinha do mesmo saco, com mais ou menos farelo à mistura, neste ou naquele ponto. Mas, essencialmente, na forma e na força que cada um pôs no estilo com que tentou mostrar-se.

De facto, o único aspecto que achei interessante naquela conversada toda, foi a diferença de estilo dos dois candidatos.

Paulo Portas, tipo "fala barato", conversa fácil, são muitas feiras e mercados no currículo, tem muitas certezas e soluções para tudo quanto é problema - sabe quantos polícias são precisos para acabar com a criminalidade, sabe quem recebe e não devia receber subsídio de apoio, sabe quanto se poupava se se cortassem não sei quantos subsídios e para quantos aumentos de pensões isso chegava, acabava com as SCUTs para arranjar receitas, enfim, um indivíduo cheio de certezas, suficientemente arrogante para tentar disfarçar a diferença abissal que, em termos de implantação e consequente peso eleitoral separam o seu CDS do PSD. Apreciável o esforço que fez para se bater de igual para igual com a sua opositora e para disfarçar o indisfarçável - o CDS não representa mais do que uma pequena franja social, um prolongamento natural do PSD, e sem ele, Paulo Portas nunca será confrontado com a hipótese de ter alguma responsabilidade governativa. E ele sabe disso. Daí o facto de ter tantas certezas, em contraste com as ambiguidades da sua opositora, ou concorrente, como ele diz, porque o inimigo a abater é o PS e José Sócrates.

Manuela Ferreira Leite pareceu melhorada. No visual, na postura, reagiu quando Paulo Portas se empertigou e lá foi dizendo, ao jeito de quem puxa pelos galões, que se aquele debate estava a acontecer foi porque ela assim quis que fosse (?). Está longe de ter as certezas do seu opositor, está cheia de dúvidas, desconhece muitas coisas, não promete nada que não tenha a certeza de poder cumprir; daí que, quantas mais incertezas tiver menos compromissos assume, o que é, por um lado, bastante cómodo, e, por outro, tenta mostrar seriedade, para contrapôr aos que, como José Sócrates, prometem uma coisa e fazem outra, segundo ela diz.

Promete não aumentar impostos, não cortar subsídios, não privatizar a segurança social e vai aumentar as receitas de uma forma que eu não percebi bem como ( aqui a culpa será minha, porque sou um zero em economia ); não falou nas SCUTs, porque isso não dá votos, digo eu, e foi engraçada, diria mesmo cómica, para não dizer anedótica, a maneira como tratou um dos males que a aflige, de momento, à semelhança do que acontece com grande parte dos "democratas" do universo lusitano - a asfixia democrática.

Paulo Portas e Ferreira Leite, tanto quanto percebi, sofrem de tipos diferentes de asfixia - devem ser estirpes diferentes do mesmo vírus. Para o primeiro a asfixia é do tipo S (de Socrates) e J (de Jardim), afecta não só o Continente como a Madeira e creio que também já há indícios nos Açores; parece que ainda não há nada nas Berlengas, porque as fezes das gaivotas dão cabo do vírus da asfixia.

Para a segunda, não há qualquer dúvida - aqui sim, a certeza é mais do que absoluta - a asfixia é do tipo S, exclusivamente, e manifesta-se de forma aguda;

No Continente, claro!

Nas Berlengas está tudo limpo - ainda bem que há tanta gaivota!

Na Madeira a pureza é absoluta, diria imaculada - ainda bem que há Jardim!

O algodão não engana!

E perante tanta certeza, a Dr-ªa Manuela tem solução. Obviamente!

O PSD ganha as eleições e Portugal inteiro, do Minho até ao Corvo, vai adoptar a pureza democrática do madeirense Alberto João e adeus asfixia.

As gaivotas das Berlengas que se cuidem! 

 

O.C.

 

 

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