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OuremReal

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05.09.09

O País que (não) temos


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Às vezes tenho a sensação de que não vivo num país a sério, com pessoas reais, com leis, com regras, com valores; um país que vive em democracia, com liberdade.

De facto, pensando bem, este país, não é um, mas vários.

      O país real. Esse é o que, de facto, existe - periférico, em relação à Europa; atrasado, em relação à Europa; com uma mistura de gentes a perder de vista e que não têm culpa (toda) de ser como são; um país que não produz; um país que se habituou a viver acima do que pode; um país de grandes desigualdades, de muitas carências e de tanto desperdício que até faz dó.

Um país onde a grande maioria é esforçada, honrada, honesta, trabalha no que pode e como sabe, mas que é obrigada a conviver com todos os que têm os meios e o poder de a controlar; seja pelo poder do dinheiro, seja pelo estatuto social, seja pela oferta / negação de emprego, seja pelo poder, propriamente dito, que resulta do facto de haver quem possa decidir e intervir na vida dos outros, por ser detentor de cargos que permitem que assim seja.

E, ainda, tem de conviver e sustentar, uma outra camada social, os parasitas, que não tendo apetência para se eforçar, resolve, pura e simplesmente, viver à custa dos outros.

      Depois temos o país do faz de conta - o que se vê na televisão, o que se ouve na rádio, o que se lê em revistas e jornais. Cada um diz e escreve o que lhe vem à cabeça, a coberto de uma tal liberdade de expressão, de informação, e de não sei mais o quê, onde se confunde boato com notícia, onde o desrespeito pelos outros é o pão nosso de cada dia, onde todos são detentores da verdade e onde não se obriga ninguém a provar as afirmações ou insinuações que faz, onde se deixa que a boataria prolifere, onde se gastam dias a comentar o comentário de um palhaço qualquer, onde não se punem as calúnias.

Neste espaço pantanoso proliferam os fazedores de boatos, senhores fulano de tal, cicrano e beltrano, aqueles que têm tempo de antena e primeiras páginas que alimentam alguma comunicação social sem escrúpulos e interesses vários.

Assim como os hipopótamos precisam de chafurdar na lama para se proteger do calor e dos insectos também há gente que não sobreviveria sem chafurdar na mediocridade de alguma comunicação social que lhe vai dando abrigo, procurando com isso, ela própria, a sua sobrevivência.

      E temos o país de cada um - o país que não temos - porque é o país com que sonhamos, que gostaríamos de ter - o país ideal - que não existe.

 

Resta-nos ter paciência para ir suportando tudo isto, ter alguma força e capacidade de intervenção para ir tentando dar outro rumo ao barco, na esperança de que, pelo menos, as coisas não piorem muito mais.

 

Até que a Primavera chegue! Algum dia!

 

 

O.C.

 

 

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