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OuremReal

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24.06.09

Edifício novo, vida nova (?)


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Já vai longe o tempo em que os serviços do nosso município cabiam no velhinho n.º 11, da Praça do Município, que fechou portas no passado dia 16. Os tempos mudaram, felizmente, as atribuições e competências municipais também mudaram, e ainda bem que mudaram, pelo que a necessidade de recorrer a instalações suplementares para instalar alguns serviços foi uma necessidade óbvia; mesmo considerando algum desperdício de gabinetes de apoio a A e a B, mais assessoria a C e a D, mais gabinete de... e não sei para quê..., era claro que o velho edifício, de meados do século XIX, já não chegava.

Era preciso resolver o problema. Evidente!

A melhor forma de o resolver? confesso que não tenho a certeza.

Principalmente neste cenário de incapacidade financeira com que o município se debate e, porque desconheço, em absoluto, os estudos que foram (terão sido?) feitos para se concluir que a solução adoptada era a melhor.

Mas o argumento maior da " concentração dos serviços num só edifício, para melhor servir o público", só por si, não parece suficientemente convincente.  Até porque, para melhor servir o público, não basta ter um edifício novo; é indispensável que se saiba usar convenientemente os espaços e,  sobretudo, se saiba aproveitar, adequada e eficazmente, os recursos materiais e humanos, de modo a optimizar o atendimento.

Mas deixemos isso e vamos à funcionalidade do novo edifício.

A primeira sensação, ao entrar, é de surpresa, porque aparece um senhor, de farda, a perguntar ao que vamos. Não temos nada contra; é só a falta de hábito.

Mas acabamos por constatar que a presença do tal senhor é útil, porque, para quem desconhece o funcionamento do edifício, das duas uma:

- ou existe informação, no átrio de entrada, que esclareça esse funcionamento, onde é o quê, ( departamentos, serviços, secções), quem lá trabalha, o que se trata em cada serviço e quem é o respectivo responsável;

- ou tem de haver mesmo quem informe cada utente.

A funcionalidade tem, entre outros, dois aspectos que não devem ser negligenciados:

A proximidade e a transparência.

Um serviço que tem o "chefe" distante, resguardado, ao ponto de colocar, em primeira linha, alguém que, para qualquer informação, tem de recorrer ao funcionário seguinte, que, por sua vez, também está limitado nas suas atribuições e competências e tem de, na maior parte das vezes, prosseguir a caminhada hierárquica até ao longínquo chefe, não será, certamente, o serviço mais eficiente; poderá, isso sim, "justificar" muita gente, muita burocracia e pouco mais.

Por outro lado, manter o público à distância, pode significar que há algo que não deve ser visto. E em serviço público, salvaguardando o indispensável sigilo do que tem que ser sigiloso, nada há, nada pode haver a racear, a esconder dos utentes. A visibilidade, a exposição, se assim lhe quisermos chamar, até obriga os que, porventura pouco tenham a fazer, a "inventar" trabalho, quanto mais não seja, para não parecer mal e para não envergonhar o chefe;

e mostra, a quem tiver olhos para ver, que há muita e boa gente que trabalha, às vezes sem condições, sem estímulos e sem reconhecimento pelo que faz.

 Se eu fosse Presidente da Câmara Municipal de Ourém...

- No átrio do novo edifício seria colocado um quadro com informação sobre todos os serviços: localização, assuntos que trata, nome dos funcionários e chefe respectivo.

- Em nenhum serviço/secção/gabinete se repetiria o cenário degradante com que qualquer utente se deparava quando chegava à Secretaria do velho edifício - um muro de armários à frente do balcão, não sei quantos funcionários a trabalhar/conversar por detrás desses armários e tempo de espera até que alguém calhasse a passar.

- Cada serviço estaria devidamente identificado, letras garrafais, se necessário, a contar com as miopias. E com as portas abertas, claro, não vá alguém pensar que não pode entrar por ver a porta fechada. Se prejudicar o ar condicionado... paciência!

 - Aproveitaria para "refrescar / arejar" quadros, ou seja: agora que estão juntos, contar quantos são, o que fazem / sabem fazer, quem está a mais ou a menos e onde. Claro que corre o risco de ir sobressaltar alguém, mas, partindo do princípio que não é hora para questionar o "como" e o "porquê" das entradas, tudo continuaria na harmoniosa  e calma legitimidade, só que, com mais eficiência; eventualmente!

Mas como não sou (nem nunca serei) Presidente da Câmara, resta-me viver na esperança de que, com o novo edifício, tudo seja melhor, também para os munícipes.

 

O.C.

 

 

 

 

 

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