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OuremReal

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02.06.09

O circo eleitoral


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Tal como se previa, a campanha eleitoral para as eleições europeias transformou-se numa palhaçada completa que faz deste pobre país um pequeno circo à beira mar montado.

Já se sabia que todos os partidos, de todos os quadrantes políticos, iriam aproveitar a campanha para falar de tudo, menos do essencial que deveria ser a Europa e as políticas comuns aos 27.

Da extrema esquerda à extrema direita, o mesmo mote. Dizer mal do governo, do que faz, do que não faz, do que devia ter feito, de mexeriquices internas, do que o outro disse, mais o que disse que não disse, mais a corrupção, e o bpn, e o bpp, mais  não sei o quê.

Do lado das direitas, o CDSPP, de Portas e C.ia, a lutar pela sobrevivência, não consegue fugir da sombra negra do vizinho do lado, que ainda vai acabar por absorvê-lo por completo; o outro PP mais D, também conhecido por PSD, que, em demagogia, não lhe fica nada atrás, mas que, estando em condições de lutar pela vitória eleitoral, fala mais grosso e mais forte, parecendo que tem a solução para todos os problemas, quando é oposição, e não resolvendo nada, quando o deixam governar. Rangel é um jovem cheio de garganta, tem boa voz, não é gago, e, se nem sempre sabe o que diz, diz o que sabe; mesmo que não tenha importância nenhuma. Ferreira Leite, anda por aí, mostra-se pouco, vai dizendo umas coisas, tipo, nós avisámos...não nos quiseram ouvir...ninguém acredita em nós...além, claro, de ir dizendo que se opõe agora ao que já defendeu no passado recente, dizendo mal da governação socrática que, já não sei, se consegue ser tão má como aquela a que a líder do PSD esteve ligada nos governos que integrou.

Depois temos o outro lado. As esquerdas. E, aqui, nada de novo. O PCP faz o que melhor sabe fazer, quando não está na clandestinidade: agitação social. Para Jerónimo e C.ia, está tudo mal. Com os comunistas a governar, nunca haveria desemprego, as pequenas e médias empresas nunca iam à falência; as grandes multinacionais não eram precisas para nada; a agricultura era um mimo; o sistema de saúde seria gratuito e hospitais e centros de saúde eram aos montes. A CGTP ia à falência, não havia mais manifs, nem concentrações, nem marchas de protesto; greves, nem vê-las; provavelmente, voltava-se a nacionalizar tudo o que fosse nacionalizável. E passava a haver mais festas, tipo avante, para animar a malta. Ilda Figueiredo já nem ia para Bruxelas. Para quê? Com o paraiso ao pé da porta, sem nada para reivindicar, até talvez fosse melhor sair da União.

O Bloco não anda muito longe dos vizinhos do lado; com eles a fazer leis, e a governar, ninguém tivesse dó de Portugal e dos Portugueses. Com o economista Louçã aos comandos, mais o outro Portas a correr mundo, do Iraque ao Afeganistão, da faixa de Gaza à Cisjordânia, assim tipo Fernão Mendes Pinto do século XXI , mais toda a intelectualidade que brota por todo o lado, com muita gente precoce, ou sobredotatada, como agora se diz; que tem sempre razão e que tem solução para tudo ( porque nunca é obrigada a resolver nada). Até apetece ouvi-los. Principalmente quando se calam.

Depois vem o Governo. Ou o PS? E a confusão começa quando não se percebe bem se é o governo do PS ou o PS do governo. Seja como for, o que eles são é o bombo da festa. Todos lhe malham; com razão, sem razão, porque sim, porque não, qualquer pretexto serve. Desde o Presidente da República que lá vai vetando umas leis, dentro da sua colaboração estratégica, à Igreja Católica por causa da interrupção da gravidez, mais os casamentos dos homossexuais, e dos preservativos, etc e tal, a passar pelos sindicatos todos e organizações de tudo quanto é gente, médicos, enfermeiros, professores, gnrs, psps, advogados, militares, agricultores, empregados, desempregados, mal empregados, reformados, pensionistas, mais a CIP e a CAP e o resto.  Tudo grita, tudo reclama.

E, às vezes, também são o bobo da festa; quando nos fazem rir. Mesmo quando rir é o melhor remédio para não chorar. Como, por exemplo, quando se nacionaliza um Banco, em vez de o ter deixado falir. Agora já não assistíamos ao triste espectáculo de ver accionistas, ou coisa parecida, a culpar o governo de não poderem levantar o dinheiro que dizem ter depositado. Nem a CGD teria de arriscar uns milhões para salvar quem devia ser obrigado a salvar-se pelos seus próprios meios. Ou iria ao fundo. Naturalmente.

Sócrates teve azar!

Primeiro teve azar por ter tido maioria absoluta. Com maioria relativa teria sido obrigado a negociar mais e impôr menos. Mesmo reconhecendo a necessidade de muitas das medidas tomadas, não estaria, agora, debaixo da todo este fogo cruzado.

Depois teve azar porque, alguns dos seus ministros tomaram medidas que não lembram nem ao diabo e nunca conseguiram explicar a necessidade, nem a bondade, delas.

Ainda azar por ser 1º ministro de um País onde a dita liberdade de imprensa permite que se lancem suspeitas sobre quem calha e a Justiça não é capaz de guardar o necessário segredo do que tem de ser sigiloso, nem resolver depressa o que não pode ser resolvido devagar.

E, azar dos azares, a crise capitalista rebentou-lhe nas mãos, quando parecia que o deficit estava controlado. Quando parecia que iria acabar o mandato com alguma tranquilidade, viu o desemprego disparar, falências aos milhares, agitação social e os adversários a esfregar as mãos e a aproveitar a oportunidade para o asfixiar.

Agora, com três eleições seguidas, o disco, ou a cassete, tanto faz, vai ser o mesmo da primeira à última. Europeias, autárquicas ou legislativas todas serão contra o Governo, contra o Primeiro Ministro, em especial, e contra o Partido que o apoia.

E sobre o essencial de cada uma delas, nada.

Da extrema esquerda à extrema direita.

O circo vai continuar.

 

O.C.

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