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OuremReal

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31.07.21

O Castelo de Ourém


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Depois de dois anos encerrado para obras o Castelo de Ourém reabriu ao público mesmo sem a anunciada cerimónia de “inauguração” com a presença do mais alto magistrado da nação, prevista para o dia 27 do corrente mês de julho. Apesar de algumas “espreitadelas” durante estes dois anos, que foram dando alguma informação sobre as obras no exterior, o que se passava no interior, tanto no Castelo como no Paço e Torrões era uma incógnita. A recente polémica que se instalou com a divulgação de imagens do Terreiro de Santiago e a comparação entre o que existia desde o início da década de oitenta do século passado e o que fica depois desta remodelação despertou, ainda, mais interesse para uma visita. Como se costuma dizer...“ver para crer”...! Por isso participei numa visita guiada na passada quarta-feira, 29 de julho, superiormente conduzida pelo Helder Farinha, um jovem com muita simpatia e com a lição bem estudada a mostrar que sabia do que falava. Muito do que ouvi sobre a história do Castelo, do Paço, da vila de Ourém e dos seus protagonistas mais notáveis não foi novidade, mas sabe bem ouvir de novo, principalmente quando o assunto nos agrada, como foi o caso. Quanto ao que vi...vou dividir em três categorias: o que gostei mais, o que gostei assim, assim e o que não gostei nada.

1 - Do que mais gostei:

Em primeiro lugar, sem dúvida, o arranjo, a acessibilidade e o aproveitamento dado ao Paço e aos Torreões (refiro-me, especialmente, ao do lado nascente, cujo interior conhecia desde os “longínquos” bailes do dia da espiga de há sessenta anos (ou +), mas que, com estas obras, deixou de parecer o mesmo. Também gostei do arranjo do Castelo, das torres (embora não se visite o interior delas), das ameias e, principalmente, da zona da cisterna. Desta vez não descemos até à água (nem sei se isso, agora, é possível) como fazia a gaiatada do meu tempo. E já não estará lá a velha escada de madeira que nos permitia ir molhar o pé! Portanto, neste capítulo, em primeiro lugar, sem dúvida, o Paço! Uma beleza!

2 - Do que gostei assim, assim:

A ponte metálica que liga o Paço ao Torreão. Parece uma solução prática e segura, apenas o material se afigura um pouco desajustado daquele contexto. Mas...não é de rejeitar! A solução que sempre idealizei, a reposição da ligação (supostamente) original, em pedra, com passagem sobre um arco, nem sei se seria viável...!

Ainda neste capítulo coloco a pedra usada nas escadarias. E há muitos degraus! Só uma das escadarias que ligam o Paço ao Castelo tem quarenta e muitos! Não é por falta de qualidade do material, apenas porque parece “novo”de mais naquele conjunto. É verdade que está no exterior, não afeta as estruturas. Portanto...nada de grave! Na minha opinião, claro!

Um reparo feito por um dos participantes na visita: em dias de geada...cuidado! A pedra é muito lisa e vai escorregar!

3 -Aquilo de que não gostei mesmo:

O Terreiro de Santiago! Não faço a mínima ideia a que critérios terá obedecido a solução encontrada nos anos oitenta do séc. passado, com a estátua de D. Nuno Álvares Pereira colocada no centro daquela rosa-dos-ventos gigante, em calçada, com relva em volta! Apenas sei, tanto quanto me lembro, que não houve contestação, a obra terá agradado e eu também gostei! Certamente que ninguém se lembrou que, em tempos idos, aquele espaço terá sido explorado em termos agrícolas e que existe uma fotografia muito antiga a mostrar que ali existiram oliveiras. Nem tão pouco tiveram em consideração que ali terá existido um capela dedicada a Santiago. Sou levado a concluir que, naquela altura, apenas houve a preocupação de dar algum brilho a um espaço que estava degradado, aproveitando a ocasião para realçar a figura do Condestável e a sua ligação a Ourém e ao castelo.

Agora, o que lá está, à vista de todos, é um espaço com relva, com quinze oliveiras no topo norte e um muro, em toda a volta, a dar a ideia de que se trata de um quintal particular. Salvou-se a estátua que lá ficou, sozinha, a aguardar que, num futuro próximo (talvez mais 40 anos) alguém resolva mudá-la de sítio. Se era para “voltar” ao passado...as oliveiras fazem sentido, talvez quinze sejam poucas, o muro protege o quintal e a estátua está a destoar.

Não gostei! Mas...gostos são gostos...! Não é por causa de “terreiro” ter passado a “quintal” que o castelo de Ourém deixa de ser o que é.

Outro ponto de que não gostei, ou melhor, não percebi: o estacionamento do lado poente passou a ser um espaço relvado. Não sei o que vai sair dali! Certamente ninguém está a pensar impedir que os visitantes se desloquem até ali nas suas viaturas e as estacionem...!

Um último reparo:

Pessoas com mobilidade reduzida vão ter muitas dificuldades em visitar este monumento; até ao castelo conseguirão subir, com algum esforço, utilizando o acesso do lado nascente. Uma cadeira de rodas, nas condições atuais, não irá ao paço nem aos torreões. Um assunto à consideração de quem tem o dever de olhar por estas coisas!

Por fim, um conselho: visitem! Vale a pena!

 

O.C.