Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

OuremReal

OuremReal

21.01.21

A pandemia


ouremreal

Em notícias de hoje leio que, segundo os dados mais recentes, em Portugal já morreram 9.465 pessoas dos 581.605 casos de infeção confirmados, o que, percentualmente, significa que em cada 100 casos de infeção acontece 1 morte (1,627%, mais precisamente).

E quase um terço dos doentes em cuidados intensivos tem menos de 60 anos.

Os doentes com mais de 80 anos representam 41% dos internados em tratamento da COVID-19. Destes, apenas 4% estão em unidades de cuidados intensivos (UCI).

Dos doentes em UCI, pelo menos 211 têm menos de 60 anos, ou seja, 32% do total (quase um terço). Dois têm entre 0 e 19 anos; cinco de 20 a 29 anos; 20 de 30 a 39 anos; 41 de 40 a 49 anos e 143 de 50 a 59 anos.

Estes números, tristemente trágicos e que, no contexto atual, estarão a aumentar por cada hora que passa, terão, forçosamente, que nos fazer pensar. Como chegámos até aqui? Como vamos sair disto? O que fazer? O que deixar de fazer? Que medidas? Que decisões? Que comportamentos?

O que se vai constatando, por um lado, é que quem tem de tomar as grandes decisões, para a diversidade complexa de um país inteiro, se vê confrontado com as dificuldaes próprias de quem sabe que qualquer medida que se tome terá consequências, umas mais complicadas que outras, é certo, mas todas têm custos que é preciso prever e acautelar, de modo a que tudo aconteça com a conta, peso e medida necessários, para que se possa atingir a maior eficácia possível com o menor dano. É claro que este equilíbrio e as melhores decisões no momento mais oportuno nem sempre são conseguidos. E, em muitos casos, a prudência manda que se vão alterando as decisões em função da evolução dos acontecimentos. E esta espera, por vezes, é fatal. Perde-se a oportunidade e, em contexto pandémico, pode significar vidas perdidas. O que é trágico.

Por outro lado, a contestação social, quase generalizada e incentivada por quem aproveita a natural frustração, o desânimo e a dor de muita gente para capitalizar apoios para causa própria.

A contestação e reivindicações, mais ou menos organizadas, setor a setor, por aqueles que põem, em primeiro lugar, as suas conveniências, interesses e negócios e, só depois, os outros.

Mais aqueles que "sabem" tudo e se acham acima de todas as regras e que entendem que não têm que respeitar a segurança alheia e teimam em assumir comportamentos que põem em risco a sua vida e a dos outros.

E as campanhas de desinformação organizadas para confundir as pessoas, com mentiras e meias verdades que visam a rebeldia, a rejeição e o incumprimento de todas as normas, por mais elementares que sejam, para que os objetivos de quem tem a necessidade e o dever de ditar essas normas não sejam alcançados, porque o que se pretende é tentar demonstrar que esses que as ditam não conseguem resolver os problemas e, assim sendo, terão que ser considerados incompetentes.

É neste contexto pandémico e, simultaneamente “pindérico” que aqueles números não param de nos atormentar, porque, ao que parece, não haverá soluções eficazes se teimarmos em não as querer cumprir. Nem haverá estado de emergência que valha a pena se não houver força para fazer cumprir o que é determinado.

O mais fácil é atribuir culpas aos outros. Pelo que fazem, ou pelo que deveriam ter feito e não fizeram. Fácil é ter soluções depois dos factos ocorrerem. E, muitas vezes, falsas soluções que, se tivessem sido implementadas teriam resultados tanto ou mais danosos do que aqueles a que se chegou não as implementando. Antes, criticam, mas não apresentam alternativas credíveis.

Cabe a cada um de nós cumprir a sua parte. Se assim for, tudo será mais fácil!

Caso contrário...se tiver que se impor...Imponha-se!

 

O.C.