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OuremReal

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28.09.14

As primárias do PS


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Quando se fala tanto no funcionamento da democracia e no papel que os partidos políticos desempenham, o que mais se ouve é que são todos iguais e que só servem para que as pessoas que neles militam só pensam em resolver os seus próprios problemas e cuidar dos seus interesses e dos que lhe são próximos; que são organizações fechadas, distantes das pessoas e, por isso, mal compreendidas e, muitas vezes, mal aceites.

Esta opinião resulta, não só de erros dos próprios partidos, mas também da ação dos que sendo contrários à sua existência e, muitas vezes, à da própria democracia, de uma forma pensada e persistente vão conseguindo moldar as opiniões dos menos informados.

Mas que são todos iguais, não é verdade! Que cometem todos erros semelhantes, concordo! Que em todos eles haverá pessoas que cuidam primeiro dos interesses pessoais ou de grupo e, só depois, dos coletivos, admito! Que são essenciais, embora não insubstituíveis, para o funcionamento da democracia, acho que sim! Mas, enquanto não se encontrar melhor solução para a vivência democrática que se deseja, então continuemos a ter partidos políticos, a entender e acompanhar com atenção a maneira como funcionam, pois é esse o caminho para os podermos criticar, na esperança de que da crítica possa nascer um melhor desempenho de cada um deles.

Vem tudo isto a propósito do acontecimento de hoje, 28 de Setembro de 2014, em que, pela primeira vez, no Portugal democrático, um partido político – o Partido Socialista - promove um ato eleitoral para encontrar um candidato a primeiro-ministro para as eleições legislativas do próximo ano. Com a novidade de abrir esse ato a não militantes do partido. É um passo importante no sentido de levar todos aqueles que possam estar mais afastados da vida partidária, mas que, de alguma forma, simpatizam com os princípios e a forma de atuar daquele partido, a ter voz numa decisão tão importante. E com a novidade, também, de ser esta eleição um confronto entre um secretário-geral do partido, eleito em congresso, e um militante que se acha no direito, ou dever, de contestar a liderança atual, quando se escusou a candidatar-se a essa mesma liderança no dito congresso. Estamos, portanto, perante uma eleição que, além de ser um ato positivo e desejável, também é um ato de grande risco. Positivo pelo que já dissemos atrás; de risco, porque é fraturante, por força do contexto em que ocorre e pela forma como foi despoletado.

No atual contexto da vida nacional o partido deveria estar unido e focado na oposição a fazer à governação da coligação de direita, procurando, talvez com outras forças, encontrar melhores soluções para os problemas que afetam a vida dos portugueses. Deviam estar constituídos grupos de trabalho nas áreas mais sensíveis da vida nacional, como o emprego, a segurança social, a saúde, a educação (ou outras), com personalidades competentes que fossem promovendo debates públicos e encontrando contributos para ir mostrando alternativas credíveis à governação que temos. Seria a forma (uma das formas) de ir mostrando que há outra maneira de sair desta crise que nos asfixia e, assim, esclarecer os eleitores para as legislativas do próximo ano; prosseguir no ritmo atual, com as pessoas a serem informadas pelo que a comunicação social vai dizendo, conforme os interesses de quem a manipula, continuamos a ter mais do mesmo; e não vai ser um mês de campanha eleitoral, com maior ou menor gritaria, de cidade em cidade, de feira em feira, de comício em comício, com ou sem grandes almoços e jantares a medir o número de participantes, que vai esclarecer o que quer que seja. Mas não é isto que está a acontecer! E, se o contexto atual não aconselharia esta disputa interna, a forma encontrada foi a pior possível. António Costa lançou um ataque, nunca antes visto, ao secretário-geral, legitimado pela eleição em congresso, António José Seguro; o argumento das vitórias eleitorais pouco expressivas só pode ser uma brincadeira, atendendo ao tipo de eleição de que se tratou e ao contexto em que ocorrerem!

Em meu entender A. Costa errou porque não cuidou de preservar a unidade do partido e pôs a sua ambição pessoal em primeiro lugar; A.J.Seguro errou, porque cedeu a pressões e marcou estas eleições primárias para um momento e de uma forma que não deviam ter acontecido.

Qualquer que seja o vencedor, a diferença poderá estar na forma como cada um representa o seu papel, já que nos conteúdos tudo será muito parecido.

Mas haverá, certamente, um perdedor – o Partido Socialista – quando o que se pretenderia é que este ato eleitoral fosse mais um passo para a sua afirmação!

 

O.C.

11.09.14

As ex - scuts


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Um cidadão francês resolve vir a Portugal com a família para passar uns dias de férias. Entra na fronteira de Vilar Formoso e segue pela A23 até à zona de Torres Novas, onde deixa esta via. Durante o trajeto percebe que passa em pórticos que vão indicando o preço a pagar por cada troço de autoestrada, mas desde que entrou até sair não viu nada nem ninguém que lhe permita satisfazer qualquer pagamento. Como ninguém lho pede, nem sabe onde nem como pagar, muito provavelmente vai andar por aí uns dias, voltar a usar a A23 para ir embora e a dívida vai ficar por pagar.

Tal como está a acontecer com os nossos vizinhos espanhóis que, segundo a comunicação social noticiou há alguns dias, só na zona da Galiza, devem uns largos milhares de euros em portagens e, pelos vistos, continuam a entrar e sair, a tratar das suas vidas, como se as portagens não existissem.

Podemos sempre ser moralistas e dizer que cada um deve cumprir os seus deveres e, antes de utilizar a autoestrada, ter a obrigação de se informar como proceder; podemos dizer que, neste caso, como noutros, a ignorância até dá jeito, porque enquanto não se tem informação tem-se o argumento, ou a desculpa de mau pagador, de que não se cumpriu porque não se sabia como fazê-lo.

Como todos sabemos, as SCUTs passaram a autoestradas com portagens por razões económicas e financeiras e a adaptação que se impunha com a colocação de portagens não foi feita pelas mesmas razões. Enquanto os cidadãos nacionais têm facilidade em resolver a situação, porque sabem como e onde pagar, apesar de não ser prático terem de se deslocar e perder tempo para o fazer, também podem sempre optar pela colocação do dispositivo para pagamento automático; mas um cidadão estrangeiro, que nos visita esporadicamente, não vai ter que ter essa preocupação; é preciso que quem o obriga a pagar lhe facilite essa tarefa e lhe proporcione os meios e os locais adequados ao cumprimento desse dever. Parece ser o mínimo!

 

O.C.