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OuremReal

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07.01.14

Saúde (?!)


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A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo enviou à Câmara Municipal de Ourém um ofício a esclarecer as dúvidas que, ultimamente, foram lançadas para a opinião pública acerca da eventual passagem deste concelho para a área de influência do Centro Hospitalar de Leiria – Pombal.

Para que não fiquem dúvidas, destacamos daquele ofício o parágrafo esclarecedor:

 

“A referenciação do ACES Médio Tejo, por inerência da população do concelho de Ourém, é para o Centro Hospitalar do Médio Tejo, constituído por 3 unidades hospitalares nomeadamente, Abrantes, Torres Novas e Tomar.”

 

Até aqui, tudo claro e nada de novo! Ou, se quisermos, como se diz na minha terra, “ tudo como dantes, quartel-general em Abrantes!”

Só que, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo não se ficou por aqui e terminou o seu ofício com um outro parágrafo que também transcrevemos:

 

“Em matéria de respostas de saúde, não descurando a questão da proximidade da população ao Centro Hospitalar de Leiria/Pombal, EPE, os serviços assistenciais disponibilizados pelo CHMT, EPE, e pelo ACES Médio Tejo, asseguram com qualidade e eficácia os cuidados de saúde prestados à população do Concelho de Ourém.”

 

E é este parágrafo, na sua parte final, ao afirmar que “asseguram com qualidade e eficácia os cuidados de saúde prestados à população do concelho de Ourém” que não pode deixar indiferente qualquer oureense que se preze.

Esta afirmação é uma ofensa aos cidadãos deste concelho que se sentem marginalizados, maltratados, discriminados por um serviço de saúde que, a título de exemplo, lhes fecha o centro de saúde durante a noite, lhes encerra extensões desse mesmo centro de saúde, os obriga a deslocações de dezenas de quilómetros para um atendimento de urgência ou, simplesmente, para saber se têm vaga para umas sessões de fisioterapia.

 

O.C.

05.01.14

A nossa saúde


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Tomar, Torres Novas, Abrantes ou, eventualmente, Leiria são os pontos do "circuito turístico" que os habitantes deste concelho de Ourém, correm o risco de ter de percorrer, no caso de terem o azar de ficar doentes. Não sei quem, há uns bons anos atrás, teve a brilhante ideia de andar a semear hospitais pelo norte do distrito, mas, quem quer que tenha sido, não cuidou de os construir como e onde eram precisos, o mesmo é dizer, não procurou localizá-los nem dimensioná-los de maneira a melhor servirem o maior número possível de pessoas com o menor encargo, tanto no que respeita à sua manutenção e funcionamento, como aos gastos e incómodos dos utentes que a eles têm de recorrer. Ao que parece, a principal preocupação terá sido dar satisfação a clientelas mais ou menos influentes que não hesitaram em fazer uso do posicionamento e poder que tinham para deixar a sua marca e com isso, provavelmente, poderem tirar algum proveito. Só assim se poderá entender que tenham surgido três hospitais, com a dimensão que têm, em três cidades – duas próximas uma da outra, casos de Tomar e Torres Novas, outra um pouco mais afastada, caso de Abrantes.

O que nunca se compreendeu, e dificilmente se compreenderá, é o caso do concelho de Ourém, no extremo norte do distrito de Santarém, que, sendo o segundo mais populoso desse distrito e o que, para além disso, recebe maior número de visitantes por ano, pela especificidade de Fátima, tenha sido e continue a ser sistematicamente ignorado. Não podemos ir buscar uma explicação para isso a uma intenção deliberada para prejudicar este concelho, porque seria mau de mais, mas já poderemos duvidar da capacidade reivindicativa e do poder de afirmação do poder local que nos serviu no passado, perante os órgãos de decisão do poder central, ou, pior ainda, da sua subserviência, na mira de alcançar, por essa via, outros objetivos de interesse mais particular que coletivo.

Por outro lado, a relativamente recente criação dos agrupamentos dos centros de saúde terá acontecido, principalmente, por razões de administração e gestão, com destaque para o aspeto financeiro, o que se entenderá se isso não determinar pior serviço para os utentes; que se economize em termos de administração, toda a gente entende; que se economize em funcionamento e gestão, também se percebe; mas o que a prática mostra, no caso específico do centro de saúde de Ourém, é que o atendimento dos utentes piorou e está longe de servir; o que mostra que alguém está a confundir as coisas e a levar à prática o princípio economicista de que para bem gerir o importante é gastar menos, mesmo que isso implique pior serviço. E aqui entra um outro fator que tem a ver com a liderança, as características da pessoa que gere, os seus objetivos e o caderno de encargos, passe a expressão, que lhe foi entregue, quando foi nomeada. Não sei o que se passa com os outros centros de saúde do agrupamento a que Ourém pertence, nem isso será muito importante, porque uma boa gestão não será dar a todos as mesmas facilidades, mas sim dotar cada um em função das suas especificidades e necessidades. E o centro de saúde de Ourém, a 20 kms de Tomar, a 25 de Torres Novas e a 70 de Abrantes (neste caso, com portagens a pagar), não pode ser tratado como outro qualquer, com melhores e mais fáceis acessos aqueles hospitais; muito menos se as principais valências, ou as que se relacionam com enfermidades que requerem uma intervenção mais rápida, ou mesmo urgente, forem atiradas para o hospital mais distante ou que, por força das circunstâncias, se tenha que andar a saltitar de um para o outro, porque o que parecia ser uma constipação, afinal, pode ser uma pneumonia…

É incompreensível, é inadmissível, é desumano que o centro de saúde de Ourém, pelas especificidades do concelho, esteja encerrado durante a noite, não tenha um atendimento permanente. Não se compreende que as extensões desse mesmo centro, localizadas em algumas das nossas 18 freguesias, tenham vindo a fechar, retirando aos utentes, especialmente aos mais idosos, a facilidade de um atendimento de proximidade, poupando-os a deslocações e despesas cada vez mais difíceis de suportar. É inadmissível, porque além de caricato é insustentável, que um habitante deste concelho que necessite de uma dúzia de sessões de fisioterapia, porque torceu um pé, tenha de ir a Tomar, ou a Torres Novas, ou a Abrantes, não sei aonde, primeiro ter uma consulta (quando a conseguir) para ser observado e saber se o serviço onde vai tem ou não tem possibilidade de lhe disponibilizar a fisioterapia de que precisa; depois, em caso afirmativo, deslocar-se até lá, tantos dias quantos os necessários, para os ditos tratamentos.

Será que existe alguém com um mínimo de inteligência, que seja capaz de entender isto? Qual a sensibilidade, qual a competência, qual o profissionalismo, qual a moral de um gestor que se atreve a impor este tipo de procedimentos? Em honra de que economia, de que serviço público, de que ideologia, de que interesses, ou do que quer que seja, alguém ousa brincar com a vida das pessoas a este ponto?

De facto, tudo isto parece indiciar que o concelho de Ourém, a nível da saúde, está a servir de cobaia para algo que se assemelha a um teste ao comportamento das populações perante um cenário de regresso ao passado, com o serviço nacional de saúde a ser transformado numa miragem. Veremos no que vai dar!

Depois vem a hipótese do concelho de Ourém passar para a influência do Centro Hospital de Leiria; e a corrente de opinião que vai circulando e ganhando expressão fundamenta-se na facilidade de acesso, em tempo e distância, semelhante ao acesso a Tomar ou Torres Novas, muito maior no comparativo com Abrantes e na enorme vantagem de Leiria ter todas as valências concentradas no mesmo hospital o que lhe confere uma capacidade de resposta que se considera muito superior à do Centro Hospitalar do Médio Tejo.

Como esta solução está, por enquanto, fora de questão, porque o ministério da saúde não quer que assim seja, resta-nos continuar a exigir que o centro de saúde de Ourém seja dotado dos meios e horários de que precisa para que os seus utentes fiquem menos dependentes do exterior, melhore a rapidez e qualidade do atendimento e a sua saúde corra menos riscos.

 

O.C.