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OuremReal

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29.09.07

ABC da semana


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De vez em quando, o fim de semana "puxa" para a escrita; ou porque há mais tempo disponível, ou porque a semana deu mais uns episódios interessantes, ou, simplesmente, porque apetece dizer qualquer coisa depois de uns dias a ouvir e ler o que os outros tinham para dizer. Mesmo que o fim de semana não "puxe", vamos tentar manter, em cada fim de semana, um comentário a que chamaremos ABC e que pretente fazer uma referência a três assuntos, ou factos, que tenham ocorrido durante a semana e que nos pareçam interessantes. Para começar:
A freguesia de Fátima esteve em alta. A vitória do Clube Desportivo sobre o Futebol Clube do Porto foi motivo para as mais diversas manifestações de euforia por parte da imprensa, dirigentes, atletas, adeptos e por aí adiante. Milagre de Fátima, campo sagrado, e não sei que mais, fizeram páginas de garrafais parangonas que mais não são do que a manifestação do exagero com que o futebol vai entretendo um povo que, feliz e contente,  vai  saltando de milagre em milagre,  ao sabor dos interesses dos que lhe vão "fazendo a cabeça".
É claro que o feito do Desportivo de Fátima é interessante, mas este facto relegou para secundaríssimo plano, outros dois que, cada um por si, e sem sair de Fátima, parecem bem mais importantes que o primeiro e de que quase não se fala:
1º - A nova basílica vai custar mais de oitenta milhões de euros;
2º - O Reitor do Santuário não quer aviões comerciais na Giesteira, porque retiram privacidade ao Santuário. O Bispo de Leiria/Fátima acha que sim senhor, o aeroporto na Giesteira é muito importante. O Presidente da Câmara, dá o dito por não dito e acha que é preciso aproveitar a oportunidade e agarrar o aeroporto com unhas e dentes.
Dois temas interessantes!
Boa! Disseram muitos dos que aplaudiram Santana Lopes por se ter levantado e saído da entrevista que estava a dar à SIC e que foi interrompida para dar a chegada de José  Mourinho ao aeroporto. O que a SIC terá feito foi, muito simplesmente, graduar os acontecimentos de acordo com a sua importância e oportunidade. Ficou bem claro que, para aquela estação de televisão, Santana Lopes e José Mourinho não têm a mesma importância, ou, se quisermos ser um pouco mais "compreensivos", diremos que aproveitar a oportunidade de apanhar o directo com o segundo, foi mais importante do que o directo com o primeiro. Admito que se acontecesse o contrário, a reacção do protagonista pudesse ser a mesma, porque ambos se julgam suficientemente importantes para desfeitas destas, ambos aparentam vaidade suficiente para não aguentar uma afronta desta natureza. E aqui para nós: Santana Lopes é um político sem grande gabarito. José Mourinho é um treinador de sucesso; pelo menos por enquanto. Tendo em conta o que cada um faz... um é, claramente, melhor que o outro. Não querendo comparar, e muito menos misturar, política com futebol, numa lógica de dar prioridade ao que, de momento, é mais importante, a SIC parece ter feito a escolha certa.
Catástrofe! O PSD foi a votos para escolha do seu presidente e, pela primeira vez, em eleições directas. Quem ouviu os dois candidatos, o que disseram um do outro, para dentro e para fora do partido, só poderia pensar que se tratava de dois inimigos ferozes, que nada tinham a ver um com o outro. Quem analisou, com cuidado, os respectivos discursos, só pode concluir da nulidade de conteúdos e da demagogia com que pretenderam impressionar. Para além de criticar o governo e o partido do governo, sem deitarem cá para fora uma única ideia para fazer melhor, nada disseram. O PSD mostrou que Alberto João Jardim é capaz de ter razão! Por muito que custe dizer isto!
E a história das quotas e dos cadernos eleitorais já faz lembrar outros tempos...
Depois de tudo isto: a um sulista e elitista, sucede um nortista e populista. Grande escolha!

O.C.

14.09.07

Em "ministrês"


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Esta semana ouvi duas "tiradas" da Sr.ª Ministra da Educação que me deixaram, no mínimo, a perguntar a mim mesmo se ando a ouvir bem ou, então, se não será melhor fazer um curso de "ministrês". Sim, ministrês, que é uma linguagem, relativamente nova, que algumas pessoas usam para dizer  que não disseram o que toda a gente ouviu, ou  para falar sobre aquilo de que não percebem, ou, então, muito simplesmente para não estarem caladas. E, muitas vezes, se estivessem caladas era um grande favor que faziam.

Em ministrês fluente dizia-se que a escolaridade obrigatória poderá passar, dentro em breve, para os 12 anos. Para quem não consegue fazer com que a actual obrigatoriedade de 9 anos seja cumprida por uma larguíssima percentagem dos nossos jovens, o que nos transforma na vergonha da Europa... É obra ! Valha-nos o RVCC (reconhecimento, validação e creditação de competências) uma nova descoberta para tentar diminuir o analfabetismo.

Hoje, no telejornal da noite, dava-se conta da descoberta mais recente e não menos bombástica: os professores do 1º ciclo deviam trabalhar mais e melhor para evitar que as crianças reprovassem nos primeiros anos de escolaridade; sim, porque as nossas crianças, enfatizava-se, não são diferentes das dos outros países, e lá não há tantas reprovações. Logo, a culpa, está-se mesmo a ver, é dos nossos professores que não trabalham o suficiente.

O que não se disse, é que nos outros países há culturas diferentes, hábitos diferentes, famílias diferentes, sociedades diferentes, organização e protecção social diferentes, escolas diferentes, e até governos, ministérios e ministros diferentes.

Também não se percebe por que é que, sendo tudo, ou quase, diferente, as crianças não poderão ser diferentes !

Às vezes fica-se com a impressão de que a Sr.ª Ministra tem um trauma qualquer de infância relacionado com a sua escolaridade, tal é a "agressividade" com que parece tratar os professores.

Ou então percebe muito pouco de escolas e crianças do 1º ciclo. Se soubesse das dificuldades e das condições de trabalho de muitas das nossas escolas, talvez falasse de outra maneira.

Mas está sempre a tempo de mostrar que sabe do que fala: Vá lá, a uma das muitas escolas "jeitosas" que por aí há e mostre como se faz. Os professores que "não trabalham bem" ficar-lhe-ão muito agradecidos. Tenho a certeza!

 

O.C.

10.09.07

Mais uma !!!


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A maioria que governa a Câmara Municipal de Ourém terá chegado à conclusão que há necessidade de criar mais uma empresa municipal, precisamente para gerir o Centro de Negócios. Tanto quanto sabemos, o Município, embora detenha 99% do capital daquele Centro, terá que negociar com os detentores do restante, o que poderá retardar aquela criação. Mas o aspecto que mais desperta a curiosidade dos oureenses que se interessam por estas coisas que vão acontecendo na sua terra, não é tanto saber quando é que isso vai acontecer, não é saber para que serve, exactamente, o Centro de Negócios e, consequentemente, o que há para gerir, mas antes saber quem vai ser nomeado para a respectiva Direcção.

A curiosidade é grande ! Quem é que estará por aí melhor colocado na lista dos "boys" locais, que, pelos relevantes serviços prestados à causa  social - democrata, ou por razões estratégicas de outra ordem, irá ser contemplado com este "job" ? E respectivo ordenado, claro !

 

O.C.

 

10.09.07

Pobre não tem que ser miserável !


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Já tivemos a oportunidade de comentar, o " Bom Negócio !!! " que é a forma de financiar a construção do novo edifício dos Paços do Concelho, principalmente pelos encargos a que vai sujeitar os orçamentos municipais nos próximos 40 anos e pelo que uma decisão desta natureza representa. A "facilidade" com que se encaram e resolvem problemas da "coisa pública", pode ser reveladora de uma de duas qualidades: coragem ou irresponsabilidade. Uma  ou outra, porque as duas, em simultâneo, são incompatíveis. No caso presente, parece que a segunda sobreleva a primeira; mas, como a decisão está tomada , não adianta dizer mais do mesmo; resta-nos esperar que o tempo possa esclarecer os incrédulos, dar conforto aos apoiantes da decisão e abrir os olhos aos que não querem ver.

Mas, como se costuma dizer, o pobre não tem que ser miserável !

E pobre, neste caso, tem que ser quem não tem capacidade financeira para uma obra de 4 ou 5 milhões de euros e tem de deitar mão de um expediente que a vai onerar  5 ou 6 vezes.

E o pobre que não tem que ser miserável é aquele que, neste contexto, ainda é capaz de dizer que " ... de todo o edifício destacamos alguns espaços que perante o público serão de particular simbolismo: átrio de entrada, salão nobre, anfiteatro e gabinete do Presidente da Câmara. Sem prejuízo da decoração a dar a todo o edifício, os espaços referidos deverão ser objecto de um cuidado especial. Propõe a abertura de um concurso, a nível nacional, para obtenção de elementos de decoração ( pintura e escultura ) com motivos de Ourém. "

A esta proposta do Senhor Presidente da Câmara, feita em reunião do executivo, e abstraindo, com dificuldade, é certo, da história dos 40 anos, direi, apenas que, apesar da situação, pobre não tem que ser miserável e, se não houver exageros, não me parece que tenha sido uma proposta descabida.

 

O.C.

 

04.09.07

Problemas


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Há, pelo menos, três maneiras de encarar os problemas e resolvê-los.

A primeira e a mais sensata de todas é evitá-los. Pressupõe conhecimento das situções, capacidade de planeamento, visão estratégica, capacidade de intervenção oportuna, facilidade de diálogo  e, acima de tudo, bom senso. 

A segunda, porventura aquela de que mais deitam mão os oportunistas e os de carácter duvidoso, consiste em  fingir que se desconhece o problema; e problema que se desconhece é problema que não existe; e se não existe, não há nada a resolver; continua tudo na paz dos anjos, cada um a safar-se como pode. 

A terceira é típica dos arrogantes e prepotentes, tipo quero posso e mando; sabe-se que a situação é problemática, que se for por diante vai causar problema sério, que para fazer as coisas com cabeça, tronco e membros vai ser uma grande "chatice", porque não há maneira de fazer " passar o elefante pelo buraco da agulha ", a menos que se mude um ou outro...ou os dois; só que mudar pode significar reduzir interesses...E aqui tudo se complica! Então, fecham-se os olhos à evidência, tapam-se os ouvidos às críticas e acelera-se a situação para que o problema surja; e surja com uma dimensão tal ( tipo caso consumado) que a solução tenha que ser uma solução de emergência, de preferência altruista, ou mesmo drástica,  em que aparece alguém de coração bondoso, disposto a dar, contribuir, ceder, sei lá mais o quê, para que tudo se resolva a bem da comunidade, ou, se quisermos, a bem do interesse público. Porque, se ninguém ceder, o tal interesse público justificará, se necessário, a expropriação do que for preciso. Porque o problema tem que ser resolvido! Manda quem pode!

Três casos típicos desta forma de resolver problemas, ocorridos na cidade de Ourém, em tempos recentes:

Rua de Castela - autoriza-se, ao arrepio das leis em vigor, um prédio de 5 pisos que prejudica as habitações de rés-do-chão do outro lado da rua. O tribunal dá razão aos protestos dos donos das habitações e determina a demolição do prédio. Mas o prédio lá continua, habitado, e as moradias vão ser expropriadas, para demolição, por interesse público. Problema resolvido !

Corredoura - Intermarché - Autoriza-se a construção do hipermercado, centro comercial, com atropelo de regras que justificou a interrupção das obras por largo período, com todos os prejuizos inerentes. A obra acabou por ser construída, corrigidos os erros iniciais. Problema resolvido ! Não se sabe quanto custou a teimosia.

Modelo - Autoriza-se a construção, sabendo-de, de antemão, que a sua localização é problemática. Porque vai, claramente, alterar todo o ambiente duma zona habitacional em expansão. Porque vai, indubitavelmente, sobrecarregar de tráfego automóvel uma zona que é das mais congestionadas da cidade, uma zona mal dimensionada urbanisticamente, com ruas estreitas e prédios altos, sem facilidade de escoamento de trânsito e com os passeios a servir de estacionamento. Mas, também neste caso, o problema vai ser resolvido! Temos a certeza disso! Ao jeito de quem o criou! Como não podia deixar de ser!

 

O.C.