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OuremReal

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26.09.08

O Magalhães


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A escola de hoje não é mais a que conhecemos quando por lá passámos, menos ainda como a dos nossos pais e quase nada a pode comparar com a dos nossos avós. Da mesma maneira como as famílias de hoje são bem diferentes das de há trinta anos atrás e mais ainda das de cinquenta ou sessenta. Tal como a sociedade em que vivemos e aquela que moldou os nossos pais e avós. Tudo é diferente e, quando começamos a fazer comparações, temos que ter o discernimento suficiente para contextualizar o que estamos a comparar, sob pena de cairmos no disparate. Vem isto a propósito da recente entrega de computadores a alunos do ensino básico e da comparação que uma encarregada de educação, entrevistada à porta de um jardim de infância, fez  por causa de não haver pessoal auxiliar em número sufuciente. Dizia ela: " não há dinheiro para pagar a mais empregadas, mas há dinheiro para computadores para as escolas ".  É claro que se compreende a insatisfação pela falta das auxiliares, mas isso nada tem a ver com a entrega dos computadores; são coisas bem distintas, e querer estabelecer este tipo de comparação revela, pelo menos, ignorância.

 

Mas vamos ao Magalhães - assim se chama o computador que já foi entregue a algumas escolas e que, segundo se diz, vai poder cobrir todo o ensino básico, ou seja, o ensino obrigatório do 1º ao 9º anos, em paralelo com um outro programa de fornecimento de computadores que já foi lançado há mais tempo.

O Magalhães merece-me alguns comentários:

 

1º - O acesso dos alunos às novas tecnologias é uma decisão acertada e o facto de ser a  escola de hoje a incorporar essa preocupação na sua acção, parece-me ser positivo.

 

2º - O computador será dado a cada aluno. Bem... a ser assim, não se compreende toda a filosofia que vem sendo apregoada de dar mais a quem mais precisa, as capitações e os escalões para os subsídios da acção social escolar e, muito menos, a conversa fiada da moralidade e de mais não sei o quê. A escola ( quer dizer, o Orçamento de Estado/o nosso dinheiro ) não tem que dar computadores, como não dá livros a toda a gente, nem almoços, nem transportes, nem (quase) nada, pela simples razão de que não há dinheiro para tanto. E enquanto a gratuitidade do ensino for uma miragem,  parece que o melhor é fazer doer a todos. A escola deve, isso sim, é proporcionar a todos o acesso ao computador; quem o quiser, para lhe chamar seu, pode comprá-lo. É simples!

 

3º - A entrega. Mesmo simbólica, não precisava de tanto espalhafato. Foram ministros a mais, comitivas a mais, deslocações a mais, despesas a mais. Televisão a mais! 

 

4º - O impacto na escola. Não tenho a certeza de que as escolas estivessem avisadas para contar com esta "novidade" na elaboração dos seus projectos curriculares para o ano escolar em curso. Como também não tenho a certeza que todos os professores dominem, suficientemente bem, as técnicas didáctico-pedagógicas, no que a esta ferramenta diz respeito, de modo a tirar o melhor rendimento do seu uso. O computador não pode ser um brinquedo para entreter meninos, nem um obstáculo ao trabalho docente. E não parece espectável que o seu uso se restrinja ao período das actividades de complemento curricular, pelo que parece necessário um bom período de adaptação até que o computador ocupe o lugar a que tem direito no dia a dia de uma sala de aula.

 

5º - O impacto nas famílias. Para a maioria, o computador já não será novidade o que não significa que perceba suficientemente do assunto para poder intervir, se necessário, ou acompanhar o seu educando nas dúvidas, nos estudos, na net, enfim, em todas as valências que o computador oferece. Tenho dúvidas que, da parte de muitas famílias, haja a capacidade de evitar que as coisas descambem para o lado errado. A net tem demasiados perigos que convivem mal com o desconhecimento, a distracção, ou excessos de confiança.

Também aqui a escola vai ter de incrementar uma maior concertação e união de esforços para que tenhamos, cada vez mais, encarregados de educação informados e avisados.

 

E já que os computadores vão para casa, que todos os usem, os aproveitem. Convenientemente!

 

E que não apareça alguém que ache que o melhor é vendê-lo para ... comprar uma porcaria qualquer!

 

 

O.C.

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