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OuremReal

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02.08.08

Os "novos" incêndios


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Parece estar a tornar-se uma fatalidade e, como qualquer fatalidade, está a tornar-se incontrolável e inevitável: Verão é sinónimo de calor; calor significa incêndio(s); e os incêndios estão a tornar-se a calamidade do dia a dia. E nem são precisas temperaturas muito altas para que o flagelo se manifeste! E as causas ficam quase sempre por apurar, os autores quase sempre por identificar e a teoria do acendimento espontêneo não dá para entender.

Já vão muito longe os tempos em que os grandes incêndios eram raros, os pequenos eram atacados pelas populações, o alarme era dado pelo rebate do sino e ninguém ficava à espera que os outros resolvessem o problema.

Mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades, as atitudes, os interesses, o clima, sei lá!, mudou tudo!

Os incêndios, principalmente os que ocorrem em pinhais, ou mato, adquiriram características que não tinham: uma que tem a ver com o grau de dificuldade, porque estão a acontecer cada vez mais em locais de difícil acesso (por que será?); outra, a componente espectacular que põe muita gente a olhar para o ar. Os bombeiros parece que passaram a ter um tipo de intervenção diferente da que era habitual e já não são os protagonistas principais. Longe disso! o que não significa que não continuem a ser importantes...

Agora as estrelas são os aviões e os helicópteros, ligeiros ou pesados, com mais água ou menos água, com balde ou sem ele, uns que enchem logo ali, outros que demoram uma infinidade de tempo, porque não têm tantos pontos para reabastecer como seria preciso, uns que são mais "afoitos" e vão lá mesmo abaixo largar a água, outros que têm que passar mais por cima, mas todos eles a "cativar" um público de espectadores atentos e mais concentrados nas manobras aéreas do que no que está a arder.

Os dois últimos exemplos a que assisti, perto de Ourém, confirmaram isso mesmo. Na 6ª feira, entre Seiça e Fontaínhas, ontem, sábado, na zona de Alqueidão e Cerimónia. Neste último estiveram dois aviões ligeiros, dois aviões pesados e quatro helicópteros, pelo menos, para além de todo o contingente terrestre que terá estado mobilizado e que não pude avaliar.
Em qualquer deles a assistência era mais que muita!

A parte mais trágica de tudo isto, para além do património destruído, o que é grave, e da espectacularidade parecer estar a banalizar a tragédia, o que não é nada lisonjeiro, o que é trágico é que, sem nos darmos conta, estamos a delapidar milhares de euros, nem calculo quantos, por cada hora que este espectáculo dura. E são muitas horas, dias, semanas, meses com mais do mesmo!

Às vezes fica-se com a sensação que alguém se está a divertir com tudo isto!

 

O.C.