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OuremReal

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10.05.20

1.º de maio


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Confesso que as cerimónias evocativas do 1.º de maio levadas a cabo pela CGTP, na Alameda, em Lisboa, me passaram um pouco ao lado, porque, dadas as atuais circunstâncias, me pareceu que não poderiam ser muito mais do que um ato simbólico, sem a participação e o fulgor habituais. Acabaram por ser mais ou menos isso, com o relvado da Alameda ocupado com uma coreografia condicionada pelas restrições de distanciamento em vigor, mas, ainda a cerimónia não tinha terminado e já rebentava a polémica, a indignação era mais do que muita, porque era uma afronta, uns não podem sair de casa para ver os filhos, os pais, os netos, a família toda; outros podem ir onde querem; uns não podem sair do concelho de residência e outros podem andar a passear de autocarro de norte a sul, de nascente a poente. Ou, ainda, porque o governo tem medo do PCP, ou porque todos têm medo da CGTP, ou porque alguém quis fazer frete a ambos. Tudo se disse e, naturalmente, há que respeitar a opinião de cada um. A minha opinião sobre o assunto é muito simples:

Ninguém morria e a CGTP não deixaria de ser o que é se o 1.º de maio tivesse sido comemorado de outra forma que não a concentração na Alameda.

Contudo... se entendo que cada um possa ter a sua opinião, não entendo a incoerência daqueles que debateram e aprovaram na Assembleia da República o que acabaria por ser consubstanciado no decreto do sr. Presidente da República, com o n.º 20-A/2020 de 17 de abril, publicado no Diário da República n.º 76, 1.ª série, de 17 de abril de 2020, o qual procede à segunda renovação da declaração de estado de emergência, com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública. .
Diz este decreto, a certa altura do seu preâmbulo:

Tendo em consideração que no final do novo período se comemora o Dia do Trabalhador, as limitações ao direito de deslocação deverão ser aplicadas de modo a permitir tal comemoração, embora com os limites de saúde pública previstos no artigo 4.º, alínea e), do presente Decreto"...

Segundo julgo saber, este assunto foi previamente debatido e aprovado na Assembleia da República por uma maioria em que se incluem PSD e CDS. Daí o não conseguir compreender todo o alarido que os responsáveis destes dois partidos fizeram pelo facto da CGTP ter feito o que fez. Fica-se com a sensação de que há dirigentes partidários que vivem numa permanente dualidade ao terem que assumir uma posição para público ver e não ficar mal na fotografia e outra para o interior dos partidos onde a oposição interna não lhes dá sossego.

O.C.

 

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