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OuremReal

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28.07.19

A propósito de incêndios


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A propósito da vaga de incêndios que vai por aí, ocorre-me dizer o seguinte:

- Não tenho por hábito falar sobre aquilo que não conheço e, de facto, sobre incêndios, pouco ou nada sei. Mesmo assim, parece-me oportuno dizer que:

1 – Sou muito cético no que diz respeito à auto-ignição. A grande maioria dos incêndios não deflagram espontaneamente e haverá sempre algo ou alguém que os provoca. E enquanto não forem identificadas as causas e feitas as necessárias correções...o perigo manter-se-à.

2 – De pouco ou nada servirá arranjar muitas leis, por mais bonitas, ou bem intencionadas que elas sejam, se, por um lado, não forem, na prática, exequíveis, ou, se, por outro, não se impuser o seu cumprimento. Fazer leis só para “inglês ver”...é uma brincadeira! De péssimo gosto, diga-se! Cabe, aqui, uma referência aos planos diretores municipais, aos planos de ordenamento do território, aos planos de emergência para cada município, para cada freguesia, para cada vila ou aldeia. Cada autarquia devia ser obrigada a ter um levantamento atualizado de todas as situações que, no seu território, são suscetíveis de ser geradoras de perigo, identificar as causas e propor a melhor maneira de as resolver. Cada munícipe deveria estar consciente da necessidade e importância do seu envolvimento, da sua responsabilidade na gestão do território da sua autarquia, da sua cidade, vila ou aldeia, na busca das estratégias e das soluções mais adequadas para que, no momento das aflições, não nos limitemos a culpar apenas os outros pelo mal que nos acontece.

3 – Não tenho números certos, nem sei se será possível contabilizar, com exatidão, os custos anuais dos incêndios, tendo em conta as verbas orçamentadas e as não orçamentadas, com os prejuízos incalculáveis para pessoas e bens. Mas arrisco que serão uns largos milhões...e, se se perderem vidas humanas...não haverá preço possível!

E estes prejuízos vêm-se repetindo, ano após ano, como se de uma fatalidade se tratasse e da qual não é possível fugir. E a discussão, a confrontação, o passa culpas, o arremesso de acusações, insultos, insinuações e os aproveitamentos vários vão acontecendo, ciclicamente, e de forma mais intensa em ano eleitoral. A comunicação social, das rádios às televisões e aos jornais, mais as redes sociais, dão um inestimável contributo para que a opinião pública seja “formatada” à medida de cada interesse. E ao abrigo de uma liberdade de expressão que não olha a regras, nem respeita limites, tudo se vai dizendo, entre verdades, meias verdades e muitas mentiras com o único objetivo de angariar apoiantes e adeptos para as causas mais diversas. E os agentes de toda esta campanha, profissionais uns e amadores outros, muitos de forma consciente e muitos mais por ignorância, lá vão contribuindo para que vamos tendo, cada vez mais, uma opinião pública com pessoas desinformadas, descontentes, naturalmente desinteressadas da construção da sociedade em que se inserem e cada vez menos solidárias, mas mais exigentes, reivindicando, com ou sem razão, que outros resolvam os problemas por si próprios criados.

Para terminar: É urgente estancar esta hemorragia que nos vai enfraquecendo com muito património destruído, algumas vidas perdidas, orçamentos delapidados, pessoas descontentes e uma sociedade cada vez menos solidária e mais contestatária, a reivindicar sempre mais direitos sem cuidar de cumprir os necessários deveres. È preciso que todos tomemos consciência disto e que cada um faça o que lhe compete e não tenhamos que chegar à conclusão que, afinal, alguém, um D. Sebastião qualquer, terá que nos vir impor o que, livremente, podemos e devemos fazer.

 

O.C.

 

30.06.19

MUDAR


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Toda a vida é feita de mudança, como diz a canção! De facto, assim é! No sentido oposto ao que é estático, que não muda, não evolui, não progride.

MUDAR é preciso! É urgente! Para que a mudança nunca signifique retrocesso!

Assim:

M – de movimento, de vida, de envolvimento e cooperação.

U – de união, entendimento, sã convivência entre as pessoas, na busca do bem comum. E capacidade de aceitar as decisões das maiorias, quando, de todo, não for possível ultrapassar qualquer divergência.

D – de democracia no que ela tem de mais belo que é o entendimento, a capacidade de gerir diferenças, harmonizar opiniões, vontades, interesses e pontos de vista diversos. E também um D de disponibilidade para ouvir, escutar e respeitar a opinião alheia. Ninguém tem de abdicar dos seus ideais, nem tentar impô-los a quem quer que seja. Impor a unicidade, seja de pensamento, seja de ação é negar a democracia!

A – de ação, intervenção, participação, dinâmica. No fundo, fazer o que é preciso, tendo sempre em conta a oportunidade, a disponibilidade e os meios em cada momento. E é, também, um A de alerta para as ameaças, cada vez mais preocupantes, que nos chegam, constantemente, através dos meios de comunicação, sejam jornais, revistas, rádios, televisões, redes sociais, onde um sem número de energúmenos se prestam a “vender” o seu tempo e a debitar toda a sua arrogância, ideologia e intenções várias sobre todos os incautos que tendem a acreditar sem pensar; ou por falta de informação, ou por incapacidade para o fazer.

R – de renovação, para que se possa ir corrigindo, melhorando, progredindo. Também no sentido do comportamento, quer individual, quer coletivo. Nos tempos que correm é notória a crise de comportamento. Por vaidade, por interesses vários, por oportunismo, por falta de escrúpulos, por falta de respeito para com os outros, por falta de civismo. No fundo, por falta de educação, por falta de referências e de valores.

É por tudo isto (e muito mais) que é preciso MUDAR! É urgente!

Se cada um de nós assumir estes princípios será expectável que, em breve, tenhamos este movimento muito mais alargado e participado para que, efetivamente, seja possível MUDAR!

 

O.C.

 

28.05.19

Vergonha


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Noticiário de hoje, às 8 da noite, na RTP.

Uma notícia dizia que o Estado já injetou nos bancos desde 2007 a 2018 mais de 20 mil milhões de euros. É evidente que quando se diz Estado se está a dizer contribuintes, todos nós, que pagamos impostos! É o nosso dinheiro que anda a sustentar agiotas, agiotagens e muitas "agiotices"!

Outra notícia dizia que o Banco de Portugal impede que seja divulgada a lista dos grandes devedores ao Estado! Porque é o sigilo bancário... porque é a imagem das pessoas... porque era (ou poderia ser) uma catástrofe para o "negócio" deles...bancos, banqueiros e derivados (digo eu!). Portanto, protejam-se os caloteiros...! E quanto maiores... maior deve ser a proteção! Se assim não é...assim parece! E depois fica todo o mundo indignado com o facto do sr. Berardo ir para a Assembleia da República gozar com a malta...! É caso para perguntar: afinal onde está o idiota...?

Uma outra notícia dizia que as Finanças, conjuntamente com a GNR, fez uma operação stop para apanhar devedores ao fisco e caçar-lhe viaturas ou outros bens para pagar as respetivas dívidas! E ninguém se incomodou com a imagem destes devedores, nem com o sigilo disto ou daquilo, porque a televisão estava lá (deve ter aparecido por acaso...!) e mostrou uma sr.ª que mostrava papéis para pagar o que não sabia que devia, mais um sr. que descarregou dois cavalos dum camião e que deve ter ficado sem eles (?), mais umas viaturas que foram confiscadas...e mais não sei o quê! Nem interessa! Importa a ação!

Para terminar, juntemos isto tudo: milhões para sustentar os bancos; proteção aos grandes caloteiros (perdão, devedores); caça aos devedores de "tostões" . Desta mistura toda resulta qualquer coisa que, para além da indignação que (me) provoca, deve ter um nome qualquer, mas que eu, na falta de melhor ideia, classifico, apenas, como...vergonha...!!! Moral da história: já dizia o outro -" se ninguém é preso... o crime compensa"!

 

O.C.

20.04.19

Factchecking


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Maria João Rodrigues foi repreendida no Parlamento Europeu por "assédio sexual" a uma assistente?



Isto está “escarrapachado” com letras garrafais na página de uma “coisa” que se intitula de jornal de factchecking, que dá pelo nome de “polígrafo” e que, pelos vistos, anda a divertir muito boa gente nas redes sociais. Ora, como sabemos, polígrafo é o nome que se dá a uma máquina de detetar mentiras e factchecking poder-se-á traduzir (+ ou –) por “testar factos”, a fim de concluir se são verdadeiros ou falsos. À falta de ideias mais construtivas, os autores desta “coisa”, preocupadíssimos com o apuramento da verdade e dar conta dela aos seus leitores, usa a seguinte estratégia: faz perguntas, lança suspeitas sobre pessoas, factos, situações várias e, conforme os objetivos a atingir, põe em destaque o que causa mais impacto. Na notícia acima transcrita o que está entre aspas é falso. Afinal tratou-se de assédio laboral, que é coisa diferente. Só que para se chegar a esta conclusão é preciso ler a notícia toda. E, bem lá no final da conversa, lá vem o esclarecimento. Mas...é preciso ler! Quem se ficar pelas letras gordas dos cabeçalhos fica, apenas, com a mentira que passa a considerar como verdade. E os donos do pasquim sabem disso! É caso para dizer que a “sacanice” já não tem limites! Era para dizer “filhadaputice”, mas não digo – o computador não reconhece o vocábulo, portanto não será muito recomendável! Fico-me por aqui!



O.C.

12.04.19

Eleições


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Se não estivessem eleições à porta...muitas coisas não aconteciam! De repente, um candidato "descobriu" que havia "famílias inteiras" nos gabinetes do governo. O assunto passou a ser de "preocupação" nacional e ocupação de notícias, comentadores, opinadores e líderes políticos que, à falta de melhor, usaram o assunto até à exaustão. O sr. P. da R. quer uma lei que impeça a nomeação de familiares de governantes até ao 6.º grau. Estava-se mesmo a ver...! Curiosamente nunca ninguém deu por nada em governos anteriores...! Até Cavaco Silva se esqueceu do que aconteceu nos seus governos...!

Agora é o estudo sobre a Segurança Social...a sustentabilidade do sistema...e a recomendação de uma diminuição dos montantes das pensões, a subida da idade da reforma para os 69, ou 70 anos e outras preocupações que só servem para alarmar o pessoal. Parece que a S.S. só tem problemas agora! Ou que nunca teve mais problemas do que atualmente...! Claro que isto é ouro sobre azul para os políticos que há muito defendem a privatização do sistema...! No todo ou em parte! É claro que o assunto já está na ordem do dia! E os palradores do costume onde não chegam mandam recado! Até convencerem os eleitores de que têm a melhor solução para resolver este e outros problemas. Sim, resolver (?)..., mesmo que não saibam como, porque, como diz a direita, estas eleições para o Parlamento Europeu têm de ser um cartão amarelo ao governo! E só não é vermelho porque não serviria de nada...! Portanto não interessa nada discutir a Europa...! Vota-se para o P. E. a pensar em atacar a governação caseira.

Isto é que é política séria...! E a sério...!

 

O.C.

15.02.19

Moção de censura


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A líder do CDS, Assunção Cristas, vive num autêntico sufoco! Já não sabe o que fazer para tentar travar a descida previsível do seu partido, e a sua própria, a caminho duma próxima votação abaixo dos dois dígitos percentuais. Já tentou de tudo! Confrontando e contrariando, constantemente, a sua atual postura com a prática que teve enquanto esteve no governo, evidencia a enorme falta de capacidade para apresentar qualquer alternativa válida no sentido de colmatar as falhas que aponta à atual governação, tal como não teve capacidade, inteligência e clarividência para evitar toda a austeridade que afetou os portugueses enquanto governante. Aproveita todas as desgraças para acusar o governo. Os incêndios, a derrocada da pedreira, o bairro da Jamaica, os grevistas da saúde, da educação, da justiça, onde quer que haja uma greve, um problema social, ela está lá, a tomar partido pelo descontentamento, mas sem dizer uma palavra acerca da maneira como resolveria essas questões. Falhou na tentativa de inviabilizar o O.E., no esforço concertado da direita parlamentar, mas não desistiu de usar todos os meios possíveis para dificultar e inviabilizar a governação e, se possível, derrubar o governo. A toda esta incapacidade juntam-se outras preocupações: por um lado, o facto do PSD de Rui Rio não ser, exatamente, como o de Passos Coelho; por outro, o surgimento de novas forças políticas na área da direita, com as dissidências verificadas na ala mais à direita do PSD, com destaque para a Aliança de Santana Lopes, que ameaçam, claramente, levar algum do eleitorado tradicional do CDS. Embalada pela onda de contestação que vai alastrando pela Europa, animada com o populismo de alguns líderes e movimentos, entusiasmada com o derrube do governo dos vizinhos espanhóis que já têm eleições intercalares marcadas para 28 de abril próximo, resolveu passar ao ataque e jogar na antecipação, apresentando uma moção de censura ao governo, porque as eleições para o Parlamento Europeu estão à porta e, depois, as do Parlamento nacional. Com isto, parece claro que pretende pressionar o PSD e testar o seu posicionamento, na expetativa de poder colher dividendos futuros.

Tanto quanto é possível prever, a esquerda parlamentar não vai deixar aprovar a moção de censura pelo que toda esta encenação se resumirá ao teste ao PSD. Se votar ao lado do CDS dir-se-à que anda a reboque, não tem iniciativa e o partido de Cristas procurará colher louros, assumindo-se como verdadeira oposição. Não sendo expectável que vote contra a moção, resta ao PSD a abstenção e, aí, o que transparecerá é um certo afastamento entre as duas forças de direita suscetível de vir a provocar dificuldades para um entendimento futuro.

Em resumo: uma moção de censura do CDS ao governo que mais não é que um teste ao PSD para clarificar, ou tentar clarificar, quem é quem na direita parlamentar portuguesa.

 

O.C.

18.12.18

O acidente do helicóptero do INEM


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O recente acidente com o helicóptero do INEM veio mostrar, uma vez mais, que há profissões de elevado risco, que há pessoas que correm esses riscos para ajudar os outros, que há organismos que parece que não encontram o ritmo certo para desempenhar as funções para que foram criadas, que há pessoas que teimam em colocar-se no centro do “mundo”, que tudo aproveitam para a luta partidária, que há gente que devia estar calada, porque falar antes de tempo faz correr o risco de dizer disparates e induzir outros em erro e, ainda, a tendência doentia de valorizar o que, de momento, não é mais importante em prejuízo do que, de facto, é prioritário.

Infelizmente, quatro pessoas perderam a vida, quando terminavam uma missão que consistiu em conduzir ao hospital uma pessoa em perigo de vida. A vontade de regressar à base, dar a missão por terminada e repor a equipa em prontidão terão feito com que a viagem de regresso tivesse sido decidida com condições meteorológicas adversas. Quando o piloto do helicóptero decide descolar de Massarelos e informar o controle aéreo do Porto de que vai manter 1500 pés de altitude (450 m acima do nível do mar) e que regressará ao ponto de partida se não tiver condições para aterrar e reabastecer em Baltar, ter-se-á de concluir que, além de estar a voar em condições de visibilidade que lhe garantem ver o caminho, também tem um profundo conhecimento do terreno para, na eventualidade de, momentaneamente, perder essa visibilidade, continuar em segurança. Por razões que se desconhecem, não foi o que aconteceu. Terá embatido numa torre de comunicações que estaria a uma altitude próxima dos 400 m e despenhou-se. Mesmo que as exatas causas fiquem por esclarecer, porque o helicóptero não tem as caixas de registo de voo, sabe-se que não comunicou ao controle de tráfego aéreo qualquer avaria; embateu na antena, porque, certamente, não a viu; e, se não a viu, é porque perdeu a visibilidade e, nesse caso não deveria ter prosseguido, ou, pelo menos, devia saber que a 1500 pés correria riscos que não teria corrido se soubesse que a antena lá estava e tivesse passado a voar mais alto.

Depois...bem, depois disto vem o problema das operações de socorro que, uma vez mais, parece que teimam em não funcionar. Ou é o 112 que não avisou quem devia, ou é o comando distrital de operações de socorro que não atendeu chamadas telefónicas, ou foi a navegação aérea que não deu o alerta tão depressa quanto devia, ou é o presidente dos bombeiros que quer um rigoroso inquérito e que se retirem as necessárias consequências políticas, ou é, no fundo, a Autoridade Nacional de Proteção Civil que, uma vez mais, é posta em causa e, por arrastamento, o ministro e o próprio governo que são alvo de todas as críticas por parte duma oposição que aproveita todas as desgraças para fazer fora da Assembleia da República o que não consegue fazer lá dentro. Mesmo que as circunstâncias em que ocorreu o acidente não tivessem permitido um desfecho diferente, ainda que o socorro tivesse chegado de imediato, fica uma certeza: duas horas depois é inadmissível! Mesmo tendo em conta as condições climatéricas, a hora tardia, a falta de visibilidade e o desconhecimento exato do local de embate. O mecanismo de comunicação entre os patamares da hierarquia tem que ser agilizado, rápido e eficaz. Cada um tem que saber o que tem a fazer e ser responsabilizado por isso. Não pode haver indefinições, não tem que haver duplicações. A estrutura hierárquica tem que ser simples e competente.

Como sempre acontece em casos idênticos, há muita gente a dizer coisas, porque a comunicação social, em especial as televisões, precisam de preencher noticiários e quanto mais divergências encontrarem no que se diz, melhor. Fala o Presidente, fala o ministro, fala o comentador, falam os responsáveis partidários, toda a gente diz coisas, quando, afinal, não se sabe, ainda, o suficiente para falar com precisão.

Esperemos que os inquéritos de que se fala, e já são quatro, ao que se diz, sejam céleres, conclusivos e tornados públicos para que possamos, todos, saber a verdade do que se passou.

 

O.C.

21.11.18

Moral espanhola


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A Espanha está a fazer um alarido tremendo, até já ameaçou com veto, pelo facto dos britânicos não abdicarem de incluir Gibraltar nas negociações para a saída da União Europeia, considerando que aquele território na Península Ibérica é parte integrante do Reino Unido, contrariando as pretensões espanholas que reivindicam direito ao mesmo.



Só para recordar...



" O território de Gibraltar foi cedido à Grã-Bretanha pela Espanha, em 1713, pelo Tratado de Utrecht, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola".

Foi cedido! Mesmo assim, os espanhóis acham-se no direito de reivindicar o território!



No início do século XIX, em maio de 1801, os espanhóis, fazendo o jogo dos então amigos franceses,invadiram Portugal ( a tal guerra das laranjas) e ocuparam algumas vilas e cidades fronteiriças, incluindo Olivença, como que fazendo o ensaio, preparando o terreno para aquilo que viria a acontecer, meia dúzia de anos depois, com o terror, a pilhagem, a destruição e morte que nos trouxeram as três invasões francesas, (com a ajuda dos espanhóis) dos generais Junot, Soul e Massena.(1807 a 1810).

Aproveitando a falta de preparação e todas as fragilidades portuguesas os espanhóis de Carlos IV e os franceses de Napoleão Bonaparte forçaram Portugal a aceitar o tratado de Badajoz, a 6 de junho desse ano de 1801, que ditou a anexação de Olivença.



O Congresso de Viena (1814/1815) considerou nulo o tratado de Badajoz, (tal como D. João VI, depois de ter mudado o governo para o Brasil) já tinha feito em 1808.



Em 1817, quando subscreveu o diploma resultante do Congresso de Viena, a Espanha reconheceu a soberania portuguesa sobre Olivença, comprometendo-se à devolução do território o mais rapidamente possível. No entanto, isso ainda não aconteceu!



Moral da história (se bem que esta história o que menos tem é moral):

Os espanhóis deram Gibraltar aos ingleses e agora acham que têm direito ao território. Por outro lado, ocuparam e anexaram Olivença a Portugal, foram obrigados, aceitaram e comprometeram-se a devolvê-lo e, passados 200 anos, ainda não tiveram tempo para cumprir esse dever!



O que é que vamos chamar a isto...? 

 

O.C.

31.10.18

Os bolsonaros


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O facto de 55 milhões de brasileiros terem escolhido um presidente que se tem manifestado como racista, vingativo, misógino, não seria muito importante, no meu ponto de vista, visto que, afinal, foi uma decisão tomada por uma enorme quantidade de pessoas, que, nem todas serão analfabetas, estúpidas e tão racistas, misóginas e vingativas como o seu eleito, se, por detrás da sua decisão, não houvesse motivos demasiado preocupantes. As pessoas cansaram-se! Da insegurança, da corrupção, da impunidade, do agravamento, em geral, das suas condições de vida! E viam no outro candidato, com ou sem razão, (não sei!) a continuidade do estado de coisas e da situação em que caíram. Acho, até, que muitos dos que elegeram Bolsonaro o fizeram mais para se manifestarem contra o candidato do PT, para impedirem a sua eleição, do que por concordarem com tudo o que aquele candidato de extrema-direita afirmou que irá fazer e os valores que defende. O verdadeiro problema está nas causas que motivaram a decisão dos eleitores e é nessas causas que nos devemos concentrar. Todos vimos a cobardia de um candidato que se recusou a debates com o adversário. Todos vimos a tática que usou, desde o uso que fez das redes sociais à aliança com a igreja evangélica e à aproximação aos militares, ao ponto de dizer que a sua eleição foi um milagre e que foi enviado por Jesus e que a ditadura militar que governou o Brasil com mão de ferro, desde o golpe de estado de 1 de abril de 1964 até 1985, afinal, não foi ditadura nenhuma. Quem tiver dúvidas sobre essa ditadura basta que procure a informação disponível na internet; e lá não estará tudo, certamente! E se aquilo não foi ditadura…então…será a conceção que o candidato, agora futuro presidente, Bolsonaro tem de democracia. E 55 milhões votaram nisso! Deve ser um gozo para os que o elegeram! Já os do “contra” será bom que se cuidem!

Mas o que os brasileiros decidiram é lá com eles! Esperemos que as perseguições políticas não desencadeiem uma fuga do tipo “mediterrânico” com barcos e mais barcos carregados de gente a pedir asilo à Europa!

Mas fica um aviso! E sério! A esquerda, a democrática, tem muito em que refletir e aprender! A permissividade, a facilidade com que permite que os anticorpos se movimentem, na ilusão de que a democracia também é isso…! A constante preocupação de que todos temos todos os direitos, mesmo que não respeitemos os dos outros e nos esqueçamos dos deveres…! A pouca exigência, mesmo que aparente, de que quem detém o poder, a qualquer nível, o faça com total isenção e com absoluta transparência...! A falta de exigência de que tudo deve caminhar, constantemente, para a maior eficiência possível...! A falta de autocrítica e a capacidade de corrigir, atempadamente, o que estiver menos bem...! O “deixar andar” e não estar sempre atento e corrigir, na hora, todas as mentiras, ou meias verdades, que circulam, abundantemente, por tudo o que é comunicação e rede social...! Prometer e não cumprir, ou, no mínimo, não justificar a razão do não cumprimento...! A falta de senso, ou de sentimento, nas prioridades das decisões políticas…Tudo isso vai corroendo, vai abrindo caminho à permeabilidade da propaganda adversária e acaba, inevitavelmente, por causar sentimentos que levam à “necessidade” de um salvador. E se a religião entra nisso…então…!

 

O.C.

24.09.18

Apoio a militares


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Acho muito bem que se apoiem todos os militares que regressam de missões no estrangeiro, quer em teatros de guerra, quer em missões de apoio mais pacífico, na medida das suas necessidades, mesmo que tenham ido para elas voluntariamente. Mas, sobre este assunto dos apoios a combatentes, repito o que sempre tenho dito: É vergonhoso, é uma imbecilidade que, desde 1974 (para não falar no antes 74, que era igual) que nenhum dos poderes democraticamente eleitos pelos portugueses se tenha preocupado e atuado, com a devida atenção, para com os ex-militares que serviram as nossas forças armadas durante os 13 anos da guerra colonial e que, por via disso, viram as suas vidas desfeitas e as das respetivas famílias. Foram centenas de milhar de jovens (e outros menos jovens) que se viram atirados, a larguíssima maioria a isso foi obrigada, para uma guerra que, além de não entenderam, também não estavam para ela preparados. Uns milhares perderam a vida! Muitos outros nunca mais foram como antes! Alguns já faleceram! Já deixaram de ser “problema”! Outros ainda andarão por aí, alguns a penar, sem que o Estado, o tal que os mandou para a guerra, lhes dispense os cuidados de que precisam e merecem!

1974 já foi há 44 anos! Os “jovens” que fizeram a guerra estarão com idades a rondar os 75 anos, uns mais outros menos! O que quer dizer que mais 10 anos e o “problema” estará resolvido! Ou muito perto disso, porque já sobrarão poucos!

Esta será a maneira mais ordinária, mais baixa, mais indigna de um país que se diz civilizado, de resolver um problema desta dimensão, desta sensibilidade!

E mais uma coisa: Nunca esquecerei os militares africanos que serviram as nossas forças armadas, voluntários ou obrigados, pouco importa, e que na data da retirada dos nossos exércitos foram lá deixados, abandonados, entregues aos desvarios mais diversos de movimentos e contra movimentos que se preocupavam, essencialmente, com a disputa do poder e que não olhavam a meios para atingir os fins em vista.

Culpados? Muitos! Antes e depois de 74! Militares e políticos! E nós todos que andamos há décadas a votar em gente a que não temos exigido que cumpra, com dignidade, o seu dever para com os que serviram a Pátria nas guerras para que foram mandados.

 

O.C.