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OuremReal

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12.07.20

Economia vs Pandemia


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Não percebo o suficiente de economia para discutir o assunto com economistas, nem paciência para gastar tempo com curiosos, pretensos economistas, que, percebendo da matéria mais ou menos o mesmo que eu, falam como se entendessem do que dizem. Mas, mesmo não discutindo economia, há uma coisa que sei, todos sabemos - a situação económica do país é péssima, há empresas em grandes dificuldades, o desemprego é muito preocupante e há famílias a viver mal. Isto é tão evidente que qualquer “analfabeto” em economia percebe. Como é que isto se resolve!? Gostava de saber, mas não sei! Dizem alguns economistas, gritam alguns alarmistas e repetem muitos oportunistas que o governo está a gerir mal a situação! Quem sou eu para dizer o contrário...!? Portanto, admito que talvez assim seja! E a minha primeira pergunta é óbvia: Então e como é que se devia/deve fazer? E é essa resposta, essa alternativa, essa maneira de fazer bem o que se está (?) a fazer mal, que não tenho visto! E uma segunda pergunta, tão óbvia como a primeira: E o resto? Empresas, empresários, empregadores, trabalhadores, empregados, desempregados, famílias, jovens, menos jovens, velhos, menos velhos, tudo, todos, será que cada um está a cumprir o seu dever e a contribuir para que a situação se resolva o mais depressa e o melhor possível? Creio bem que não! Uma boa parte, claramente, não! A sensação é que, ao contrário, parece haver quem anseie para que tudo corra mal, o quanto pior melhor, porque, não sabendo, ou não querendo dizer como fazer melhor, sempre vão podendo dar largas à sua vocação de ir dizendo mal e remetendo as culpas de tudo para outros.

Há 5 ou 6 meses a situação era bem diferente! Apesar das vozes discordantes nunca deixarem de se fazer ouvir, como é normal num regime democrático, e de nem tudo também ser o mar de rosas que alguns apregoavam, as empresas funcionavam e produziam, as exportações tinham um bom ritmo, o comércio funcionava, o turismo alimentava uma boa parte das receitas, as contas públicas estavam sob controle, o desemprego era baixo, o poder de compra melhorara e as dificuldades de algumas famílias nada tinham a ver com o atual desespero em que muitas caíram.

Mas, de repetente, a pandemia que nos atingiu veio revelar muita coisa. E o que sobressai, num primeiro plano, de toda esta crise, é a fragilidade de todo este sistema em que vamos vivendo as nossas vidas. E como tudo está interligado e interdependente. E como todos somos importantes e necessários, cada um com o seu contributo, a sua ação, o seu trabalho, para que toda a organização social vá funcionando e a máquina que lhe dá vida não pare.

Para evitar a propagação da pandemia foi preciso fechar escolas, empresas, aeroportos, fronteiras e muitos serviços, restringir o funcionamento de outros e a circulação de pessoas. O resultado...!? Ao fim de dois meses estava tudo do avesso! Não há produção, não há exportação, não há turismo, não há trabalho, há profissões que têm que reinventar a maneira de sobreviver, os rendimentos baixam, quando não acabam, as famílias sofrem a maior instabilidade de que alguém se lembra e o Serviço Nacional de Saúde é posto à prova, como nunca o fora antes.

Esta crise também mostrou que, ao primeiro abanão, dezenas de milhar de empresas, umas com razão, outras, porventura, sem ela, ou com menos, recorreram ao sistema de lay-off decidido pelo governo e mandaram mais de um milhão de empregados para uma situação de redução salarial, ou terminaram contratos; o que é um sinal claro de que a sua estrutura era, afinal, de uma grande fragilidade ou a falta de escrúpulos falou mais alto que a razoabilidade e a solidariedade.

O fecho de fronteiras e aeroportos veio mostrar como a mobilidade das pessoas é importante para a economia e como o turismo é uma indústria frágil e incerta. E como é altamente perigoso que algumas zonas do país se dediquem, quase em exclusivo, a essa atividade e como tudo fica comprometido quando o afluxo de pessoas, por qualquer razão, é interrompido.

E também se constatou que, afinal, aqueles que por ideologia, ou por simples simpatia, reclamam por um sistema de menos Estado e mais Privado, quando chegam as horas de aperto, é ao Estado que se encostam e recorrem e todos são potenciais candidatos a subsídios para isto e mais aquilo, atirando com a ideologia para o cesto dos papéis, pelo menos até voltar a haver interesse em ir lá buscá-la, de novo.

Passados três meses de restrições já todos percebemos muito bem que, embora pandemia rime com economia, nada têm a ver uma com a outra, antes pelo contrário, são perfeitamente incompatíveis. E por causa dessa incompatibilidade, quanto mais se prolongar a pandemia, ou as restrições a ela associadas, pior vai ficando a economia. E esta já chegou a um ponto tal que ou avança e melhora, ou tudo ficará seriamente comprometido com consequências que não se conseguem calcular. Daí a necessidade de ir levantando, progressivamente, algumas restrições, o que já começou a ser feito. Mas, como era previsível, tudo o que depender do comportamento das pessoas é suscetível de correr mal. E os primeiros indícios apontam, precisamente, nesse sentido. Começaram os ajuntamentos, contrariando as normas da DGS, numa espécie de provocação e confrontação com os poderes instituídos, o que motivou a tomada de medidas mais drásticas no sentido de evitar que as situações de contágio continuem a acontecer. Uns por inconsciência, outros por negligência, outros por falta de civismo, outros de forma deliberada e com fins bem claros, vão contribuindo para que se instale alguma instabilidade, seja dificultada a ação dos que têm por missão debelar este flagelo e a propagação do vírus continue a ameaçar e amedrontar uma boa parte da população, com todos os prejuízos inerentes.

 

O.C.

14.06.20

Presidenciais 2021


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Acerca da saída do ministro das finanças do governo li, ontem, um comentário que se resumia, mais ou menos, no seguinte: Mário Centeno saiu do governo, porque precisa preparar a sua candidatura à Presidência da República em 2021. Assim mesmo! Não sei se alguém já se teria lembrado disto antes, se o próprio MC alguma vez o pensou ou virá a pensar! Pouco importa!

E, neste cenário, desenhava-se o filme que era, mais ou menos, assim:

A direita democrática , PSD e CDS, tem o seu candidato natural – Marcelo Rebelo de Sousa. Embora militante do PSD terá o apoio institucional do CDS, caso se (re)candidate ao cargo. Isto, porque o CDS já percebeu, há muito, que a este nível ou em legislativas, e mesmo autárquicas, ou se mantém colado ao seu vizinho da direita, ou corre o risco de desaparecer. O PSD também sabe que sem o seu apêndice da direita a sua posição tende a fragilizar-se, portanto, o melhor é harmonizar as posições. Para ambos há duas novas ameaças: Ventura e Cotrim que só poderão ir buscar apoios aos terrenos de Rui Rio e Francisco R. Santos.

Na outra direita parlamentar há, pelo menos, um candidato anunciado pelo Chega, André Ventura, enquanto a Iniciativa Liberal ainda nada anunciou sobre o assunto, não sendo expectável que apoie Marcelo. Esta direita irá contabilizar uma parte dos que há três anos ajudaram e eleger Marcelo, mas estão descontentes com a sua magistratura, onde se incluem, naturalmente, os saudosistas do dr. António, mesmo que muitos não tenham vivido no seu tempo e não saibam nada da realidade de então; mesmo assim, vão dizendo que nesse tempo é que era bom, porque havia ordem, respeito, segurança, trabalho, havia muito ouro, não havia corrupção, nem marginalidade, nem migrantes, nem nenhuma das “desgraças” de hoje. O povo era ordeiro, vivia feliz com os seus costumes, os trabalhadores trabalhavam, os patrões mandavam, nada de greves nem manifestações, nada de partidos políticos, porque a União Nacional era a nossa Pátria e tanto bastava, havia futebol aos domingos para entreter o pessoal, a religião ajudava a manter as almas serenas e a polícia política fazia o resto que fosse necessário, com as penitenciárias e o Tarrafal, a “tratar” dos mais renitentes. Ora, esta gente, ou grande parte dela, já percebeu que com o atual Presidente da República, não alcançará os seus objetivos e as críticas já se vão fazendo ouvir, sendo de prever que com o aproximar do ato eleitoral se vão agudizando.

Do lado da esquerda é previsível que tanto o BE como o PCP / PEV apoiem candidatos da área respetiva tentando que as coisas se resolvam na segunda volta. O que não é previsível é o comportamento do PS! O secretário geral já deu um ar da sua graça quando, publicamente, incitou Marcelo a recandidatar-se, o que foi entendido como um apoio que parece não ter caído bem em muitos socialistas; as opiniões divergentes não se fizeram esperar e as “movimentações” internas que parecem começar-se a desenhar deixam prever que das duas uma: ou aparece um candidato que reúna o consenso do partido, o que já não é fácil, dada a atitude do secretário geral, ou acabará por acontecer o que já vem acontecendo em situações semelhantes – o partido vai-se dividir, uns votarão em Marcelo, outros num candidato da área socialista que acabará por aparecer e, muitos outros não votarão.

No primeiro cenário, com um candidato de consenso na área socialista e, aqui, aparecia o nome de Mário Centeno, seria de prever que nenhum candidato recolhesse a maioria absoluta na primeira volta e, na segunda, haveria a grande probabilidade de Marcelo não ser reeleito, já que, pelo menos em teoria, o peso eleitoral de toda a esquerda, sem a divisão do PS, seria maior do que o da direita. Contudo, a atitude de António Costa com a conversa na Auto-Europa, vai, muito provavelmente, provocar a divisão do eleitorado socialista e, se assim for, Marcelo terá a reeleição garantida.

Veremos!

 

O.C.

 

 

22.05.20

Grande comício!


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Há muito que não assistia a um comício partidário com a intensidade, clareza e objetividade como o que presenciei hoje no telejornal da hora do almoço. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a pretexto de ir a Ovar prestar a sua homenagem e mostrar o seu reconhecimento à população daquele concelho pela maneira como enfrentou o confinamento por causa da pandemia, aproveitou para fazer o que há muito o seu partido lhe “exigia” e a sua consciência de militante lhe estaria a pedir : puxar pelo PSD, pelo presidente do partido, Rui Rio, pelos autarcas do partido, por todos os seus apoiantes e eleitores, porque as sondagens não vão sendo favoráveis.

Todos conhecemos a forma habilidosa e inteligente como Marcelo R. de Sousa conduz a sua magistratura, em especial o seu pragmatismo e a capacidade de, em cada momento, se adaptar às circunstâncias e atuar em conformidade. Ele sabe que o descontentamento nas hostes do seu partido é grande, porque o desconforto de estar na oposição está criando muitos anti-corpos nos quadros mais ambiciosos e muito descontentamento nas suas bases de apoio que, tendo criado expetativas de que ele, Presidente, pudesse ser, de alguma maneira, a oposição ao governo que o partido não consegue fazer, verificam que tal não tem acontecido. Também sabe que o atual presidente do partido, Rui Rio, está longe de ser um elemento agregador e que são mais que muitas as vozes discordantes da sua atuação. O episódio de há poucos dias na auto-europa, em que o primeiro ministro sugeriu a recandidatura de Marcelo e levou muita gente a tirar conclusões precipitadas de se estar perante um apoio do PS a essa recandidatura, também terá pesado para que a ação presidencial ganhasse mais urgência. E aconteceu hoje! Numa autarquia do PSD, Marcelo juntou o Presidente do partido, Rui Rio, ao Presidente da Câmara local e não se poupou em elogios. O Presidente da Câmara foi um herói, antes, durante e depois do confinamento, a população de Ovar mereceu os maiores louvores pelo seu comportamento e Rui Rio, Presidente do PSD e, como diz Marcelo, o líder da oposição, teve um comportamento digno dos maiores louvores e só visto em estadistas de alta craveira, reconhecido não só dentro do País, como no estrangeiro. O facto de ter declarado apoio ao governo nesse cenário de pandemia que nos afetou foi, segundo disse, determinante para os bons resultados que se têm obtido. Foi ainda mais longe! No esforço que fez para realçar a figura do Presidente do seu partido disse que sabe bem como é difícil ser líder da oposição, que já foi, acha mesmo que é mais difícil ser líder da oposição do que ser primeiro ministro, mesmo que nunca o tenha sido.

Um comício como há muito não via! Um comício fora de tempo! Ou talvez não!

 

O.C.

10.05.20

1.º de maio


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Confesso que as cerimónias evocativas do 1.º de maio levadas a cabo pela CGTP, na Alameda, em Lisboa, me passaram um pouco ao lado, porque, dadas as atuais circunstâncias, me pareceu que não poderiam ser muito mais do que um ato simbólico, sem a participação e o fulgor habituais. Acabaram por ser mais ou menos isso, com o relvado da Alameda ocupado com uma coreografia condicionada pelas restrições de distanciamento em vigor, mas, ainda a cerimónia não tinha terminado e já rebentava a polémica, a indignação era mais do que muita, porque era uma afronta, uns não podem sair de casa para ver os filhos, os pais, os netos, a família toda; outros podem ir onde querem; uns não podem sair do concelho de residência e outros podem andar a passear de autocarro de norte a sul, de nascente a poente. Ou, ainda, porque o governo tem medo do PCP, ou porque todos têm medo da CGTP, ou porque alguém quis fazer frete a ambos. Tudo se disse e, naturalmente, há que respeitar a opinião de cada um. A minha opinião sobre o assunto é muito simples:

Ninguém morria e a CGTP não deixaria de ser o que é se o 1.º de maio tivesse sido comemorado de outra forma que não a concentração na Alameda.

Contudo... se entendo que cada um possa ter a sua opinião, não entendo a incoerência daqueles que debateram e aprovaram na Assembleia da República o que acabaria por ser consubstanciado no decreto do sr. Presidente da República, com o n.º 20-A/2020 de 17 de abril, publicado no Diário da República n.º 76, 1.ª série, de 17 de abril de 2020, o qual procede à segunda renovação da declaração de estado de emergência, com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública. .
Diz este decreto, a certa altura do seu preâmbulo:

Tendo em consideração que no final do novo período se comemora o Dia do Trabalhador, as limitações ao direito de deslocação deverão ser aplicadas de modo a permitir tal comemoração, embora com os limites de saúde pública previstos no artigo 4.º, alínea e), do presente Decreto"...

Segundo julgo saber, este assunto foi previamente debatido e aprovado na Assembleia da República por uma maioria em que se incluem PSD e CDS. Daí o não conseguir compreender todo o alarido que os responsáveis destes dois partidos fizeram pelo facto da CGTP ter feito o que fez. Fica-se com a sensação de que há dirigentes partidários que vivem numa permanente dualidade ao terem que assumir uma posição para público ver e não ficar mal na fotografia e outra para o interior dos partidos onde a oposição interna não lhes dá sossego.

O.C.

 

18.03.20

Emergência


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Vem aí o decreto! Vem aí a emergência! Porque, infelizmente, o civismo e outros deveres têm que ser impostos! É preciso restringir direitos, liberdades e garantias, porque há quem não saiba viver com isso! Uns acham que já devia ter sido! Outros acham que tem que ser! Outros, enfim, que remédio! Mas todos, mesmo todos, sabem muito bem o que vai acontecer ! Às pessoas, às famílias, às empresas, aos empregos, a tudo! Aqueles que nunca experimentaram uma ditadura vão poder apreciar o que é ter de viver sem alguns (poucos) dos tais direitos, liberdades e garantias. Vão ter um cheirinho, embora muito, muito leve do que é estar vigiado e controlado nos movimentos e saborear como é amargo ser abordado por alguém que tem o poder de lhe perguntar o que anda a fazer, de onde vem, para onde vai e dar-lhe ordem de ir para casa ou, na pior das hipóteses, sancioná-lo. Os que sempre acharam que os tais direitos, liberdades e garantias são exagerados e que a Constituição da República que os sustenta deve ser modificada, não estarão muito incomodados, a menos que sejam incoerentes ao ponto de quererem para os outros, coisa diferente do que querem para si próprios! Os que se fartaram e não têm a mínima saudade das outras liberdades, dos outros direitos e das outras garantias, da outra Constituição, da outra República, do outro regime...vão ter que ter paciência e não perder a esperança de que este sobressalto passe depressa. Os que não sabem, não têm sabido usar e aproveitar o bem que têm tido (e têm), podem parar um pouco e pensar como seriam as suas vidas se, por norma e por cada dia, todos os dias fossem não, exatamente, como os próximos 15, mas como seriam se estas e muitas outras liberdades fossem uma miragem. Contudo, pelo caminho que as coisas tomaram, parece que o sr. Presidente da República não teria grande alternativa. Qualquer decisão seria motivo de crítica, ou porque sim, ou porque não! Resta a esperança de que a quase unanimidade que, agora, parece existir, se repita, quando tudo isto passar e for preciso reconstruir o que o vendaval destruiu.

 

O.C.

29.02.20

Coronavirus


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O coronavírus está aí, como ameaça mundial, a condicionar as nossas vidas! Em todos os capítulos, a começar pelo bem mais precioso que podemos ter – a saúde. São as vidas condicionadas pelo medo, pela incerteza, pelas restrições a que nos conduzem as dúvidas e as prevenções, que tanto podem ser insuficientes, como exageradas. São as viagens que não se fazem, são os negócios que ficam por fazer, são os compromissos já assumidos que têm de ser cancelados, são os projetos que são adiados, são oportunidades que se perdem, são investimentos que já estavam em curso e em que qualquer retrocesso ou cancelamento deixa capitais em risco. A juntar a tudo isto, há o alarmismo! Uma comunicação social que à escala global, para o melhor e, também, para o pior, está constantemente, a bombardear as pessoas com informação em que se misturam verdades com meias verdades, até mentiras, assuntos que interessa conhecer com outros que para a esmagadora maioria das pessoas não tem interesse algum, mas que, ao sabor dos interesses de quem a comanda, visa não só dar a ideia de grande eficiência, como “encharcar”as mentes dos destinatários, retirando-lhes o discernimento para selecionarem e escolherem entre o interessante e útil e aquilo que não passa de lixo tóxico. E é no aproveitamento desta dificuldade de discernimento e com este lixo que lidam os fazedores de opinião com o objetivo de ir formatando as mentalidades. Na televisão, na rádio, nos jornais, nas revistas, nas redes sociais, em tudo o que é possível verter imagem, notícia, entrevista, ou opinião, a “informação” aí está, pressionando, procurando, à lupa, qualquer ponta solta que permita alimentar a corrente, se possível com alguma polémica à mistura, para que tudo fique mais apelativo e o produto se vá vendendo. É paradigmático o que se está a passar com esta surto de coronavírus. Constantemente se mostram números de casos suspeitos, de casos confirmados, testes positivos, testes negativos, de mortos, deste país, daquele e do outro. E mais a sr.ª que veio de Itália e que foi ao Centro de Saúde e esteve (?) fechada na casa de banho não sei quantas horas; e da aluna duma escola que veio de Itália e que levou os encarregados de educação dos colegas a impedirem os filhos de ir às aulas, porque estava lá a colega que tinha vindo de Itália; com uma encarregada de educação à porta da escola a dar entrevista a uma televisão, como se fosse a pessoa mais entendida na matéria. Foi o caso dos portugueses que estavam na China e que o governo decidiu repatriar, mas não mandou ir buscar o cidadão português que trabalhava num cruzeiro e que foi internado num hospital chinês para ser seguido convenientemente. Constantemente aparece nas televisões a diretora geral da saúde a ter que dizer uma vez e outra vez o que já foi dito e redito; a dizer números e coisas que correm o risco de ser mal entendidas, ou interpretadas na diagonal e aproveitadas para se fazer crer que foi dito o que não se disse. É a ministra da saúde com os microfones à perna, mal põe o pé na rua. É o presidente da república a ser atacado porque disse o que era óbvio – que não fazia sentido ir à China buscar o tripulante do cruzeiro, quando podia e devia ser tratado localmente. E, para frustração dos caçadores e aproveitadores de desgraças, ainda não houve nenhum caso positivo em Portugal. Quando o houver, e tudo leva a crer que isso acontecerá, então vão soar as sirenes todas! O SNS vai ser atacado, a ministra vai ser cilindrada, a diretora geral da saúde vai ser triturada, o primeiro ministro vai ser arrasado e o próprio presidente da república sairá chamuscado se não se demarcar, depressa, de tudo o que está a acontecer e não criticar o governo pelo que fez e não fez!

É assim que se vai vivendo no retângulo do extremo sudoeste da Europa!

 

O.C.

31.01.20

O aeroporto


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São fases! Há quem diga que são modas! Agora está na moda querer um aeroporto aqui, outro ali, conforme interesses e necessidades. Tudo porque o congestionamento da aeroporto da Portela, em Lisboa, há muito tempo que pôs muita gente a falar no assunto e a “inventar” soluções. Fazem-se, têm sido feitos estudos e mais estudos, angariaram-se apoios para esta e para aquela solução, apareceram os grupos de pressão para cada uma das hipóteses e criaram-se os movimentos contrários, com regionalismos e bairrismos a demonstrar ou a tentar demonstrar que nenhuma era viável e por cada “vantagem” apontada para cada proposta aparecia, no mínimo, um “inconveniente” a fazer voltar tudo à estaca zero.

E, assim, temos andado, de “solução” em “solução” até chegarmos aos dias de hoje sem solução nenhuma, pelo menos definitiva, depois de muito tempo passado e milhões de euros gastos, com a hipótese Montijo a ganhar força, porque o atual governo decidiu que era de tempo de acabar com o impasse e acha que esta é a solução mais adequada.

Já tivemos a Ota, Poceirão, Alcochete, Alverca, Monte Real, Beja, Tancos e, ao que parece, vamos acabar no Montijo. E, se esta for a decisão final, o problema principal da Portela não ficará resolvido, porque o aeroporto continuará dentro da cidade de Lisboa. Impõe-se a construção de um aeroporto moderno que, por si só, assegure o número de movimentos/hora que estão a sufocar a Portela, com duas pistas a funcionar em simultâneo para aterragens e descolagens, sem necessidade de complementares e que retire o aeroporto do centro da cidade. Um empreendimento caro, certamente, e que, por isso mesmo, poderia ser feito em duas ou três fases, até desativar, por completo, a Portela. Mas, parece que não é isso que mais interessa aos “interesses” instalados.

Ultimamente ganhou alguma visibilidade, a nível mais restrito e ao que ao Médio Tejo diz respeito, a discussão sobre a transformação do aeródromo militar de Tancos em aeroporto. Não é claro se os promotores da ideia enquadram essa obra numa eventual solução para complementar a Portela ou se, apenas, estão a pensar no âmbito regional, de modo a dar resposta às supostas necessidades de uma região que se pretende dinâmica no setor empresarial e que aposta, principalmente, no turismo e no desenvolvimento da região centro em que se insere. Na primeira hipótese, como complementar da Portela, Tancos não resolve o problema, porque não retira o aeroporto do centro da cidade de Lisboa. Tal como a solução Montijo não resolve. Além disso, e isto serve para qualquer que seja a finalidade que se pretenda, tenho sérias dúvidas da viabilidade de um aeroporto naquele sítio, o mesmo onde existiu a BA3, de boa memória, onde tive a honra e o prazer de trabalhar durante 3 anos. No enfiamento da pista, para nascente, está a vila de Constância, a pouca distância, em linha reta. E para poente, V.N. da Barquinha, Atalaia e Entroncamento. O argumento de que já lá estiveram aviões militares durante muitos anos e nunca “incomodaram” não é sustentável, porque todos sabemos que as aeronaves que lá estiveram não têm nada a ver com aviões comerciais de grande porte; depois, a pista tem, apenas, um comprimento de dois mil, quatrocentos e poucos metros e não dará para expandir muito mais; as ajudas que são precisas para as aterragens precisam de uma extensão de alguns kms para cada lado da pista e não parece que esse espaço exista. Depois haverá pormenores técnicos que não domino, claro, mas que, em minha opinião, dificilmente viabilizarão a instalação do aeroporto que alguns pretendem.

Entretanto, algumas manifestações mais entusiásticas e, nalguns casos, de propaganda político-partidária a que vamos assistindo, prestariam um bom serviço se apresentassem, publicamente, os estudos, os projetos, ou o que seja, em que sustentam as suas pretensões. Ficaríamos todos esclarecidos e, eventualmente, poderíamos participar na euforia.

 

O.C.

16.09.19

As cadernetas da CGD


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As cadernetas afetas às contas bancárias da caixa geral de depósitos deixaram de ter a utilidade que tinham até aqui. Deixaram de se poder fazer levantamentos, pagamentos e transferências, podendo, apenas, serem utilizadas para verificação de movimentos e saldos. Segundo leio, serão cerca de 290 mil os utentes que terão essas cadernetas e que, em muitos casos, não terão cartão multibanco, de débito ou de crédito, porque a simplicidade da sua gestão bancária, não exigia mais do que as operações que a caderneta lhes permitia. Eu incluo-me nesses milhares, por uma questão de hábito, comodidade e de interesse, embora possua um cartão de débito da mesma conta. No meu caso, o “desaparecimento” da caderneta não é um drama, mas admito que para muita gente o possa ser! Para além deste incómodo, o que quero realçar é toda a estratégia e artimanha que preside a esta decisão. Li, algures, que estavam a ser seguidas recomendações das instituições europeias por falta de segurança das tais cadernetas. Claro que, em primeiro lugar, qualquer detentor duma daquelas cadernetas terá que agradecer, comovidamente, às tais instituições ou a quaisquer outras, por tal preocupação com as suas poupanças! Depois, nunca ninguém disse quantos casos é que se registaram de “assalto” às contas por causa da falta de segurança das cadernetas! Mas temos de admitir que terão sido muitos para se ter de tomar tal decisão! Nem nunca ninguém disse quantos detentores das cadernetas pediram para que elas fossem esvaziadas das suas funções, porque deixaram de precisar ou estavam fartos delas! E muito menos quantos é que suplicaram para que lhes fossem fornecidos, em troca, cartões multibanco com anuidades para pagar! É, no mínimo, estranho que a banda magnética duma caderneta, ou o respetivo código, sejam menos seguros do que os de um cartão multibanco! Nem consigo compreender como é que essas fragilidades não podem ser resolvidas! E não vale a pena vir com a treta de que o cartão será oferecido, sem anuidade para pagar, porque mesmo que assim seja no início, depressa deixará de o ser! E, o mais grave de tudo, é isto estar a acontecer com o banco público, CGD, que deveria estar ao serviço de todos nós, mas que, afinal, se transformou numa instituição igual a todas as outras do género que vivem da exploração que fazem de quem delas se serve. Não pagam juros das eventuais poupanças que lá se depositem e com as quais fazem negócio! Cobram quanto podem por algum crédito que concedam e por todas as operações que fazem, por mais simples que sejam, como, por exemplo fazer um levantamento ao balcão! E não faltará muito para que as operações no multibanco também sejam taxadas! Não têm escrúpulos em pagar ordenados milionários a quem muito bem entendem, nem distribuir dividendos a quem lhes apetece! E o banco público (CGD) ainda se dá ao luxo de gastar milhares de milhões para tapar buracos que alguns privados, com todos os desvarios que se conhecem, vão abrindo com as suas gestões ruinosas.

Para terminar: Na minha modesta opinião, as cadernetas deixaram de ter as funcionalidades que tinham porque:

1 – Eram fornecidas gratuitamente e não pagavam anuidade; coisa que não interessa!

2 – Em sua substituição vão ter de ser usados cartões que pagarão anuidade, mais tarde ou mais cedo, ou feitas operações que serão taxadas; que é o que interessa!

Porque a alegada falta de segurança, ou a preocupação com as poupanças dos utentes...não passam de simples e descarada hipocrisia!

28.07.19

A propósito de incêndios


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A propósito da vaga de incêndios que vai por aí, ocorre-me dizer o seguinte:

- Não tenho por hábito falar sobre aquilo que não conheço e, de facto, sobre incêndios, pouco ou nada sei. Mesmo assim, parece-me oportuno dizer que:

1 – Sou muito cético no que diz respeito à auto-ignição. A grande maioria dos incêndios não deflagram espontaneamente e haverá sempre algo ou alguém que os provoca. E enquanto não forem identificadas as causas e feitas as necessárias correções...o perigo manter-se-à.

2 – De pouco ou nada servirá arranjar muitas leis, por mais bonitas, ou bem intencionadas que elas sejam, se, por um lado, não forem, na prática, exequíveis, ou, se, por outro, não se impuser o seu cumprimento. Fazer leis só para “inglês ver”...é uma brincadeira! De péssimo gosto, diga-se! Cabe, aqui, uma referência aos planos diretores municipais, aos planos de ordenamento do território, aos planos de emergência para cada município, para cada freguesia, para cada vila ou aldeia. Cada autarquia devia ser obrigada a ter um levantamento atualizado de todas as situações que, no seu território, são suscetíveis de ser geradoras de perigo, identificar as causas e propor a melhor maneira de as resolver. Cada munícipe deveria estar consciente da necessidade e importância do seu envolvimento, da sua responsabilidade na gestão do território da sua autarquia, da sua cidade, vila ou aldeia, na busca das estratégias e das soluções mais adequadas para que, no momento das aflições, não nos limitemos a culpar apenas os outros pelo mal que nos acontece.

3 – Não tenho números certos, nem sei se será possível contabilizar, com exatidão, os custos anuais dos incêndios, tendo em conta as verbas orçamentadas e as não orçamentadas, com os prejuízos incalculáveis para pessoas e bens. Mas arrisco que serão uns largos milhões...e, se se perderem vidas humanas...não haverá preço possível!

E estes prejuízos vêm-se repetindo, ano após ano, como se de uma fatalidade se tratasse e da qual não é possível fugir. E a discussão, a confrontação, o passa culpas, o arremesso de acusações, insultos, insinuações e os aproveitamentos vários vão acontecendo, ciclicamente, e de forma mais intensa em ano eleitoral. A comunicação social, das rádios às televisões e aos jornais, mais as redes sociais, dão um inestimável contributo para que a opinião pública seja “formatada” à medida de cada interesse. E ao abrigo de uma liberdade de expressão que não olha a regras, nem respeita limites, tudo se vai dizendo, entre verdades, meias verdades e muitas mentiras com o único objetivo de angariar apoiantes e adeptos para as causas mais diversas. E os agentes de toda esta campanha, profissionais uns e amadores outros, muitos de forma consciente e muitos mais por ignorância, lá vão contribuindo para que vamos tendo, cada vez mais, uma opinião pública com pessoas desinformadas, descontentes, naturalmente desinteressadas da construção da sociedade em que se inserem e cada vez menos solidárias, mas mais exigentes, reivindicando, com ou sem razão, que outros resolvam os problemas por si próprios criados.

Para terminar: É urgente estancar esta hemorragia que nos vai enfraquecendo com muito património destruído, algumas vidas perdidas, orçamentos delapidados, pessoas descontentes e uma sociedade cada vez menos solidária e mais contestatária, a reivindicar sempre mais direitos sem cuidar de cumprir os necessários deveres. È preciso que todos tomemos consciência disto e que cada um faça o que lhe compete e não tenhamos que chegar à conclusão que, afinal, alguém, um D. Sebastião qualquer, terá que nos vir impor o que, livremente, podemos e devemos fazer.

 

O.C.

 

30.06.19

MUDAR


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Toda a vida é feita de mudança, como diz a canção! De facto, assim é! No sentido oposto ao que é estático, que não muda, não evolui, não progride.

MUDAR é preciso! É urgente! Para que a mudança nunca signifique retrocesso!

Assim:

M – de movimento, de vida, de envolvimento e cooperação.

U – de união, entendimento, sã convivência entre as pessoas, na busca do bem comum. E capacidade de aceitar as decisões das maiorias, quando, de todo, não for possível ultrapassar qualquer divergência.

D – de democracia no que ela tem de mais belo que é o entendimento, a capacidade de gerir diferenças, harmonizar opiniões, vontades, interesses e pontos de vista diversos. E também um D de disponibilidade para ouvir, escutar e respeitar a opinião alheia. Ninguém tem de abdicar dos seus ideais, nem tentar impô-los a quem quer que seja. Impor a unicidade, seja de pensamento, seja de ação é negar a democracia!

A – de ação, intervenção, participação, dinâmica. No fundo, fazer o que é preciso, tendo sempre em conta a oportunidade, a disponibilidade e os meios em cada momento. E é, também, um A de alerta para as ameaças, cada vez mais preocupantes, que nos chegam, constantemente, através dos meios de comunicação, sejam jornais, revistas, rádios, televisões, redes sociais, onde um sem número de energúmenos se prestam a “vender” o seu tempo e a debitar toda a sua arrogância, ideologia e intenções várias sobre todos os incautos que tendem a acreditar sem pensar; ou por falta de informação, ou por incapacidade para o fazer.

R – de renovação, para que se possa ir corrigindo, melhorando, progredindo. Também no sentido do comportamento, quer individual, quer coletivo. Nos tempos que correm é notória a crise de comportamento. Por vaidade, por interesses vários, por oportunismo, por falta de escrúpulos, por falta de respeito para com os outros, por falta de civismo. No fundo, por falta de educação, por falta de referências e de valores.

É por tudo isto (e muito mais) que é preciso MUDAR! É urgente!

Se cada um de nós assumir estes princípios será expectável que, em breve, tenhamos este movimento muito mais alargado e participado para que, efetivamente, seja possível MUDAR!

 

O.C.