Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

OuremReal

OuremReal

18.12.18

O acidente do helicóptero do INEM


ouremreal

O recente acidente com o helicóptero do INEM veio mostrar, uma vez mais, que há profissões de elevado risco, que há pessoas que correm esses riscos para ajudar os outros, que há organismos que parece que não encontram o ritmo certo para desempenhar as funções para que foram criadas, que há pessoas que teimam em colocar-se no centro do “mundo”, que tudo aproveitam para a luta partidária, que há gente que devia estar calada, porque falar antes de tempo faz correr o risco de dizer disparates e induzir outros em erro e, ainda, a tendência doentia de valorizar o que, de momento, não é mais importante em prejuízo do que, de facto, é prioritário.

Infelizmente, quatro pessoas perderam a vida, quando terminavam uma missão que consistiu em conduzir ao hospital uma pessoa em perigo de vida. A vontade de regressar à base, dar a missão por terminada e repor a equipa em prontidão terão feito com que a viagem de regresso tivesse sido decidida com condições meteorológicas adversas. Quando o piloto do helicóptero decide descolar de Massarelos e informar o controle aéreo do Porto de que vai manter 1500 pés de altitude (450 m acima do nível do mar) e que regressará ao ponto de partida se não tiver condições para aterrar e reabastecer em Baltar, ter-se-á de concluir que, além de estar a voar em condições de visibilidade que lhe garantem ver o caminho, também tem um profundo conhecimento do terreno para, na eventualidade de, momentaneamente, perder essa visibilidade, continuar em segurança. Por razões que se desconhecem, não foi o que aconteceu. Terá embatido numa torre de comunicações que estaria a uma altitude próxima dos 400 m e despenhou-se. Mesmo que as exatas causas fiquem por esclarecer, porque o helicóptero não tem as caixas de registo de voo, sabe-se que não comunicou ao controle de tráfego aéreo qualquer avaria; embateu na antena, porque, certamente, não a viu; e, se não a viu, é porque perdeu a visibilidade e, nesse caso não deveria ter prosseguido, ou, pelo menos, devia saber que a 1500 pés correria riscos que não teria corrido se soubesse que a antena lá estava e tivesse passado a voar mais alto.

Depois...bem, depois disto vem o problema das operações de socorro que, uma vez mais, parece que teimam em não funcionar. Ou é o 112 que não avisou quem devia, ou é o comando distrital de operações de socorro que não atendeu chamadas telefónicas, ou foi a navegação aérea que não deu o alerta tão depressa quanto devia, ou é o presidente dos bombeiros que quer um rigoroso inquérito e que se retirem as necessárias consequências políticas, ou é, no fundo, a Autoridade Nacional de Proteção Civil que, uma vez mais, é posta em causa e, por arrastamento, o ministro e o próprio governo que são alvo de todas as críticas por parte duma oposição que aproveita todas as desgraças para fazer fora da Assembleia da República o que não consegue fazer lá dentro. Mesmo que as circunstâncias em que ocorreu o acidente não tivessem permitido um desfecho diferente, ainda que o socorro tivesse chegado de imediato, fica uma certeza: duas horas depois é inadmissível! Mesmo tendo em conta as condições climatéricas, a hora tardia, a falta de visibilidade e o desconhecimento exato do local de embate. O mecanismo de comunicação entre os patamares da hierarquia tem que ser agilizado, rápido e eficaz. Cada um tem que saber o que tem a fazer e ser responsabilizado por isso. Não pode haver indefinições, não tem que haver duplicações. A estrutura hierárquica tem que ser simples e competente.

Como sempre acontece em casos idênticos, há muita gente a dizer coisas, porque a comunicação social, em especial as televisões, precisam de preencher noticiários e quanto mais divergências encontrarem no que se diz, melhor. Fala o Presidente, fala o ministro, fala o comentador, falam os responsáveis partidários, toda a gente diz coisas, quando, afinal, não se sabe, ainda, o suficiente para falar com precisão.

Esperemos que os inquéritos de que se fala, e já são quatro, ao que se diz, sejam céleres, conclusivos e tornados públicos para que possamos, todos, saber a verdade do que se passou.

 

O.C.

21.11.18

Moral espanhola


ouremreal


A Espanha está a fazer um alarido tremendo, até já ameaçou com veto, pelo facto dos britânicos não abdicarem de incluir Gibraltar nas negociações para a saída da União Europeia, considerando que aquele território na Península Ibérica é parte integrante do Reino Unido, contrariando as pretensões espanholas que reivindicam direito ao mesmo.



Só para recordar...



" O território de Gibraltar foi cedido à Grã-Bretanha pela Espanha, em 1713, pelo Tratado de Utrecht, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola".

Foi cedido! Mesmo assim, os espanhóis acham-se no direito de reivindicar o território!



No início do século XIX, em maio de 1801, os espanhóis, fazendo o jogo dos então amigos franceses,invadiram Portugal ( a tal guerra das laranjas) e ocuparam algumas vilas e cidades fronteiriças, incluindo Olivença, como que fazendo o ensaio, preparando o terreno para aquilo que viria a acontecer, meia dúzia de anos depois, com o terror, a pilhagem, a destruição e morte que nos trouxeram as três invasões francesas, (com a ajuda dos espanhóis) dos generais Junot, Soul e Massena.(1807 a 1810).

Aproveitando a falta de preparação e todas as fragilidades portuguesas os espanhóis de Carlos IV e os franceses de Napoleão Bonaparte forçaram Portugal a aceitar o tratado de Badajoz, a 6 de junho desse ano de 1801, que ditou a anexação de Olivença.



O Congresso de Viena (1814/1815) considerou nulo o tratado de Badajoz, (tal como D. João VI, depois de ter mudado o governo para o Brasil) já tinha feito em 1808.



Em 1817, quando subscreveu o diploma resultante do Congresso de Viena, a Espanha reconheceu a soberania portuguesa sobre Olivença, comprometendo-se à devolução do território o mais rapidamente possível. No entanto, isso ainda não aconteceu!



Moral da história (se bem que esta história o que menos tem é moral):

Os espanhóis deram Gibraltar aos ingleses e agora acham que têm direito ao território. Por outro lado, ocuparam e anexaram Olivença a Portugal, foram obrigados, aceitaram e comprometeram-se a devolvê-lo e, passados 200 anos, ainda não tiveram tempo para cumprir esse dever!



O que é que vamos chamar a isto...? 

 

O.C.

31.10.18

Os bolsonaros


ouremreal

O facto de 55 milhões de brasileiros terem escolhido um presidente que se tem manifestado como racista, vingativo, misógino, não seria muito importante, no meu ponto de vista, visto que, afinal, foi uma decisão tomada por uma enorme quantidade de pessoas, que, nem todas serão analfabetas, estúpidas e tão racistas, misóginas e vingativas como o seu eleito, se, por detrás da sua decisão, não houvesse motivos demasiado preocupantes. As pessoas cansaram-se! Da insegurança, da corrupção, da impunidade, do agravamento, em geral, das suas condições de vida! E viam no outro candidato, com ou sem razão, (não sei!) a continuidade do estado de coisas e da situação em que caíram. Acho, até, que muitos dos que elegeram Bolsonaro o fizeram mais para se manifestarem contra o candidato do PT, para impedirem a sua eleição, do que por concordarem com tudo o que aquele candidato de extrema-direita afirmou que irá fazer e os valores que defende. O verdadeiro problema está nas causas que motivaram a decisão dos eleitores e é nessas causas que nos devemos concentrar. Todos vimos a cobardia de um candidato que se recusou a debates com o adversário. Todos vimos a tática que usou, desde o uso que fez das redes sociais à aliança com a igreja evangélica e à aproximação aos militares, ao ponto de dizer que a sua eleição foi um milagre e que foi enviado por Jesus e que a ditadura militar que governou o Brasil com mão de ferro, desde o golpe de estado de 1 de abril de 1964 até 1985, afinal, não foi ditadura nenhuma. Quem tiver dúvidas sobre essa ditadura basta que procure a informação disponível na internet; e lá não estará tudo, certamente! E se aquilo não foi ditadura…então…será a conceção que o candidato, agora futuro presidente, Bolsonaro tem de democracia. E 55 milhões votaram nisso! Deve ser um gozo para os que o elegeram! Já os do “contra” será bom que se cuidem!

Mas o que os brasileiros decidiram é lá com eles! Esperemos que as perseguições políticas não desencadeiem uma fuga do tipo “mediterrânico” com barcos e mais barcos carregados de gente a pedir asilo à Europa!

Mas fica um aviso! E sério! A esquerda, a democrática, tem muito em que refletir e aprender! A permissividade, a facilidade com que permite que os anticorpos se movimentem, na ilusão de que a democracia também é isso…! A constante preocupação de que todos temos todos os direitos, mesmo que não respeitemos os dos outros e nos esqueçamos dos deveres…! A pouca exigência, mesmo que aparente, de que quem detém o poder, a qualquer nível, o faça com total isenção e com absoluta transparência...! A falta de exigência de que tudo deve caminhar, constantemente, para a maior eficiência possível...! A falta de autocrítica e a capacidade de corrigir, atempadamente, o que estiver menos bem...! O “deixar andar” e não estar sempre atento e corrigir, na hora, todas as mentiras, ou meias verdades, que circulam, abundantemente, por tudo o que é comunicação e rede social...! Prometer e não cumprir, ou, no mínimo, não justificar a razão do não cumprimento...! A falta de senso, ou de sentimento, nas prioridades das decisões políticas…Tudo isso vai corroendo, vai abrindo caminho à permeabilidade da propaganda adversária e acaba, inevitavelmente, por causar sentimentos que levam à “necessidade” de um salvador. E se a religião entra nisso…então…!

 

O.C.

24.09.18

Apoio a militares


ouremreal

Acho muito bem que se apoiem todos os militares que regressam de missões no estrangeiro, quer em teatros de guerra, quer em missões de apoio mais pacífico, na medida das suas necessidades, mesmo que tenham ido para elas voluntariamente. Mas, sobre este assunto dos apoios a combatentes, repito o que sempre tenho dito: É vergonhoso, é uma imbecilidade que, desde 1974 (para não falar no antes 74, que era igual) que nenhum dos poderes democraticamente eleitos pelos portugueses se tenha preocupado e atuado, com a devida atenção, para com os ex-militares que serviram as nossas forças armadas durante os 13 anos da guerra colonial e que, por via disso, viram as suas vidas desfeitas e as das respetivas famílias. Foram centenas de milhar de jovens (e outros menos jovens) que se viram atirados, a larguíssima maioria a isso foi obrigada, para uma guerra que, além de não entenderam, também não estavam para ela preparados. Uns milhares perderam a vida! Muitos outros nunca mais foram como antes! Alguns já faleceram! Já deixaram de ser “problema”! Outros ainda andarão por aí, alguns a penar, sem que o Estado, o tal que os mandou para a guerra, lhes dispense os cuidados de que precisam e merecem!

1974 já foi há 44 anos! Os “jovens” que fizeram a guerra estarão com idades a rondar os 75 anos, uns mais outros menos! O que quer dizer que mais 10 anos e o “problema” estará resolvido! Ou muito perto disso, porque já sobrarão poucos!

Esta será a maneira mais ordinária, mais baixa, mais indigna de um país que se diz civilizado, de resolver um problema desta dimensão, desta sensibilidade!

E mais uma coisa: Nunca esquecerei os militares africanos que serviram as nossas forças armadas, voluntários ou obrigados, pouco importa, e que na data da retirada dos nossos exércitos foram lá deixados, abandonados, entregues aos desvarios mais diversos de movimentos e contra movimentos que se preocupavam, essencialmente, com a disputa do poder e que não olhavam a meios para atingir os fins em vista.

Culpados? Muitos! Antes e depois de 74! Militares e políticos! E nós todos que andamos há décadas a votar em gente a que não temos exigido que cumpra, com dignidade, o seu dever para com os que serviram a Pátria nas guerras para que foram mandados.

 

O.C.

17.08.18

Aposentação aos 70 anos


ouremreal

Na minha aldeia usava-se muito a expressão “não acordes moscas adormecidas”, quando alguém trazia para a discussão assuntos passados que não interessava muito recordar. É um pouco o que está a acontecer com a idade em que os funcionários do Estado são obrigados a aposentar-se, que é, como sabemos, no dia em que completa os 70 anos. Como se costuma dizer…”despeja a gaveta, arruma a trouxa e vai à vida”! Contrariamente ao que acontece no setor privado em que, por acordo entre empregado e patrão, o vínculo laboral pode ser prolongado. Por que razão é que esta discussão passou a ser atual é coisa que desconheço! Mas…como não há fumo sem fogo…algo deve estar no ar…!

Como sabemos, esta norma da obrigatoriedade da aposentação aos 70 anos tem, praticamente, um século! Foi em Julho de 1926, depois do derrube da primeira república que tudo começou e, três anos depois, com a publicação do decreto-lei n.ª16563, no diário do governo de 5 de Março de 1929, que se confirmou aquela obrigatoriedade. Em 1926 argumentava-se que a partir dos 70 anos o espírito de iniciativa desaparece para dar lugar à rotina e, em 1929, reforçava-se a teoria com o argumento de que o serviço prestado depende não só da qualidade do funcionário, mas também da sua capacidade de adaptação às mudanças dos tempos. Esclarecedor! Se tivermos em conta que o Presidente da República se chamava Óscar Carmona e o ministro das finanças e futuro chefe do governo Oliveira Salazar… era mesmo preciso uma grande capacidade de adaptação às mudanças dos tempos…!

Mas, voltemos à discussão atual. Em novembro de 2016, o CDS apresentou na Assembleia da República uma proposta no sentido de se rever a obrigatoriedade de aposentação aos 70 anos de idade. Essa proposta teve o voto favorável, além do proponente, também do PSD e do PS. O voto contra dos restantes partidos. Cada um tem os seus argumentos e, segundo as perspetivas de cada grupo, todos terão as suas razões. É evidente que é preciso rejuvenescer os quadros, modernizar as estruturas; compreende-se que a eventual permanência acima dos 70 anos poderia impedir o acesso de outros; que a adaptação às mudanças, como se dizia, nem sempre é fácil e a idade poderá ser fator agravante; que haverá vícios instalados que é preciso debelar. Mas…também há muito saber acumulado, muita competência e experiência que, em muitos casos, é desperdício deitar fora. E, ainda, o facto de ser uma minoria (muito minoritária, passe a expressão) o número daqueles que, chegados aos 70, se mostram disponíveis para continuar.

É neste sentido que deixo a minha opinião: Em casos excecionais, devidamente definidos, comprovados e publicitados, sempre por vontade do funcionário e conveniência dos serviços, a continuidade deveria ser permitida desde que acordada e contratualizada pelas partes, em períodos definidos, e não constituísse qualquer espécie de bloqueio, tanto na estruturação dos serviços, como nos quadros de pessoal. Todo o processo da aposentação deveria ficar concluído e encerrado na data dos 70 anos, apenas a saída não seria forçada. Para que não houvesse alterações nos orçamentos o serviço respetivo e a caixa geral de aposentações acertariam o modo de pagamento.

Para terminar: não sabendo o porquê do reacender da discussão, faço votos para que não se esteja a engendrar nada de menos sério! Porque já custa engolir que os funcionários do Estado estejam “incapazes”, ou "inúteis" aos 70 anos e haja quem esteja acima de tudo isso e continue “capaz”, de "grande utilidade", "insubstituível", até lhe apetecer, para desempenhar os mais altos cargos – Parlamento, Governo, Presidência da República!  

 

O.C.

08.08.18

Portugal não tem conserto!


ouremreal

Portugal não tem conserto!

Como é possível que, ano após ano, se vão repetindo os trágicos incêndios que vão destruindo floresta, casas, bens e vidas humanas e não se tomem medidas que ponham fim, de uma vez por todas, a esta calamidade?

As notícias de hoje davam conta que o incêndio que lavra na zona de Monchique há cinco dias, estava a ser combatido por 1300 bombeiros, com mais de 400 viaturas e 13 meios aéreos e já estão destruídos 19 mil hectares de floresta. Há dezenas de pessoas deslocadas, há feridos e vidas em risco. E mais povoações e pessoas estão ameaçadas! E a situação parece estar longe de ser controlada!

E continuamos a constatar que há habitações “enfiadas” na floresta, continuam a não ser respeitados os mais elementares cuidados de prevenção por parte das populações, continuam a não ser tomadas as medidas que se impõem por parte de quem tem que as tomar, seja a nível local, regional ou nacional.

Passou-se um ano sobre a tragédia que vitimou dezenas de pessoas e, parece, que não se aprendeu nada.

Continua a discutir-se eucalipto, sim, eucalipto não! Continua a preocupação de muitos entendidos em substituir o ministro, o secretário de estado, ou mesmo o primeiro-ministro e nem o presidente da república escapa, porque ainda não “sugeriu” que se demitisse este ou aquele. E as televisões continuam no terreno a recolher os desabafos de angústia, tristeza e medo das pessoas atingidas e a ouvir a sua revolta e as acusações, porque… “ninguém chegou para ajudar”, em tempo útil, a ponto de evitar as desgraças. E, a seguir, virá a contabilização dos prejuízos, os pedidos de apoio e as indemnizações. Com ou sem aproveitamentos! E a Assembleia da República ainda há de arranjar uma comissão de inquérito, ou duas, para entreter deputados, fazer crer que está preocupada com este assunto e engendrar um relatório que permita apontar o dedo a quem estiver a incomodar! Isto, depois de chamar ao parlamento o ministro A e o B, se necessário, para fazer aquelas inquirições que, muitas vezes, dão vontade de rir.

É assim que tem sido! Nada surpreende que assim continue! Mas o problema não se resolverá assim! Nem de outra maneira enquanto cada um puxar para seu lado, ao sabor de interesses de cada momento, da cada força mais ou menos organizada. A menos que haja coragem, determinação e força para fazer o ordenamento do território, a reorganização da floresta, a descentralização de competências e dotações orçamentais para as autarquias, leis equilibradas e capacidade para impor o seu cumprimento.

Os milhões que estão a ser consumidos no combate aos incêndios e nas inevitáveis indemnizações, pelo menos a grande fatia desses milhões, têm que ser gastos na preparação e prevenção. E as populações deverão tomar consciência dos riscos que poderão correr, caso não se enquadrem nos planos que, localmente, terão de ser adotados.

Quem governa, quem toma decisões, quem nomeia, quem dirige, quem comanda tem que ter competência para tal e tem que ser responsabilizado por aquilo que faz ou devia ter feito e deixou de fazer! Porque, a continuar assim, Portugal não terá mesmo conserto!

 

O.C.

22.07.18

A carreira dos professores


ouremreal

Muito se tem falado sobre a luta dos professores pela recuperação do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira o que, na prática, significa a contagem do tempo para a mudança de escalão e consequente aumento do vencimento.

Como todos sabemos, o atual governo não é responsável pelo congelamento da progressão desde 30.08.2005 a 31.12.2007; nem dos anos de 2011 a 2015. Eram outros os governantes. Será responsável pelo tempo de 2016 e 2017 e é, igualmente, responsável pelo descongelamento a partir de 31.12.17. Devia tê-lo feito mais cedo! Não sei se podia!

É evidente que se é o governo em exercício é a ele que os professores têm que reivindicar aquilo a que têm direito. E é indiscutível que têm razão para exigir o que lhes foi retirado. O que surpreende é que tenham andado silenciosos durante tanto tempo e, de repente, tenham adotado uma forma de luta tão radical que não se compadece com o prejuízo de alunos e famílias ao porem em causa as avaliações em final de ano letivo.

Percebe-se que existe por detrás disto tudo uma agenda político-partidária que os sindicatos vão usando de acordo com a oportunidade e a conveniência que os seus mentores acham mais adequada e também porque há quem entenda que tudo o que puder dificultar a ação governativa deve ser aproveitado e explorado para que qualquer hipótese de sucesso acabe em fracasso.

Os sindicatos sabem, os professores também, todos sabemos que a situação económica é demasiado frágil para que se possam assumir, no curto prazo, encargos elevados como os que resultariam da satisfação de todos os que foram prejudicados pela anterior governação. E não foram só os professores. Foram todos os que viram vencimentos e pensões cortados e impostos aumentados. Todos viriam reivindicar tratamento igual, porque, afinal, todos temos os mesmos direitos e não pode haver uns mais privilegiados que outros. Quanto é que isto iria custar aos cofres do Estado? Não faço ideia! Mas o equilíbrio do Orçamento de Estado seria posto em causa, naturalmente! E o ministro das finanças não correrá esse risco! Neste contexto, parece que o braço de ferro entre governo e sindicatos vai continuar e tudo vai girar à volta da maior ou menor flexibilidade para “arrumar” a despesa orçamental, com corte aqui, corte ali, de modo a ir satisfazendo exigências e compromissos, sempre com as próximas eleições no horizonte.

 

O.C.

28.05.18

28 de maio


ouremreal

28 de maio. Neste dia, no ano de 1926, há, portanto, 92 anos, um golpe militar, comandado pelo general Gomes da Costa, pôs fim à que foi designada como a 1.ª república, que tinha sido implantada em 5 de Outubro de 1910, com o fim da monarquia.

Era Presidente do Conselho de Ministros (1.º ministro) António Maria da Silva e Presidente da República Bernardino Machado. O Presidente do Conselho tinha tomado posse a 18 de dezembro de 1925, como chefe do 23.º governo desde 1920, facto que atesta bem sobre a instabilidade vivida em Portugal naquela época – 23 governos em 5 anos!

Logo no dia seguinte ao início do golpe militar, que se iniciou em Braga e prosseguiu para sul, em direção a Lisboa, com a adesão sucessiva de unidades militares das principais cidades, foi constiuída a Junta de Salvação Pública, designação dada à ditadura que se instalou e que assim continuou até 1933. Neste ano, com a aprovação da nova Constituição, a ditadura mudou de nome e passou a ser designada por Estado Novo. Terminou em 25 de abril de 1974, com outro golpe militar, como todos sabemos.

Ainda nesse mês de maio, no último dia, 31, foi encerrado o Parlamento, o Congresso da República Portuguesa, como era designado.

A consagração (chamemos-lhe assim) do general Gomes da Costa teve lugar no dia 7 de Junho, com um imponente desfile militar de 15 mil homens na avenida da Liberdade e o aplauso de centenas de milhar de pessoas, como relatam as crónicas da época.

Curiosamente, ou talvez não, os diferentes pontos de vista, os desentendimentos, as lutas pelo poder dentro das forças vitoriosas levaram à detenção daquele que foi a grande figura do golpe militar. Detido no palácio de Belém, a 8 de Julho, o general Gomes da Costa é levado sob prisão para Caxias e, posteriormente, deportado para a Ilha Terceira.

Como a história se repete…! Vale a pena estabelecer a comparação entre o 28 de maio de 1926 e o 25 de abril de 1974 para ver como há um paralelismo, uma sequência de factos que, ao longo do tempo, vão contribuindo para que, num primeiro momento, a revolta aconteça e, depois, o rumo dos acontecimentos a ser encontrado conforme os interesses do momento e a maior ou menor capacidade dos protagonistas em imporem os seus pontos de vista, mesmo, como é o caso, quando as motivações ideológicas sejam completamente antagónicas.

 

O.C.

15.03.18

Toupeiras


ouremreal

Com alguma surpresa, leio nas notícias de ontem o seguinte texto:

De acordo com a informação avançada esta quarta-feira pelo jornal ‘i’, não é só o Benfica que tem ’toupeiras’ no sistema judicial português, mas também o FC Porto e Sporting. O referido diário escreve que muitos dos magistrados do Ministério Público suspeitam da existência de várias ’toupeiras’ dos três grandes do futebol português e que tanto os procuradores como os juízes já não confiam no portal Citius, uma plataforma que pretendia unificar o sistema judicial português na internet.”

Não é que a “toupeiragem” no futebol, a existir, me incomode o suficiente para que perca muito tempo com o assunto. Incomoda-me, isso sim, que a “toupeiragem” possa existir em assuntos mais sérios como, por exemplo, noutros processos judiciais e possamos assistir a fugas de informação que põem na praça pública o que deveria permanecer em segredo e leva a que a vida ou o bom nome de alguns cidadãos ou instituições sejam lançados na lama e a opinião pública os “condene” antes de se saber se cometeram ou não crime para tal. E como ninguém é responsabilizado por isso, pelo menos parece que não tem sido, e as liberdades e os direitos não têm que ser equilibrados com a responsabilidade e os deveres de respeitar os outros, há meios de comunicação que, ao abrigo da (quase) intocável liberdade de expressão e do inquestionável direito (e dever) de informar, lá vão continuando a usar e abusar das “fontes”, sempre ocultas, na mira de vender papel, captar audiências, com quanto mais sensacionalismo melhor! Eu, na minha modesta capacidade de entender, vou confundindo “fontes” com “toupeiras”e não consigo distinguir umas das outras.

Mas, como dizia no início, a minha surpresa não é tanto com as “toupeiras” que, pelos vistos, são um pouco como as bruxas… “não acredito nelas…mas lá que as há…há!” A verdadeira surpresa é constatar que se diga que …”muitos dos magistrados suspeitam da existência de toupeiras não só no Benfica, mas também no FC Porto e Sporting” e que …” tanto procuradores como juízes não confiam no portal Citius”. E isto é dito, escrito e lido e como ninguém desmente, para muitas pessoas passa a ser verdade! Naturalmente! Para outras ficará a dúvida: isto será mesmo verdade? É que, a ser verdade, das duas, uma: ou há quem queira envolver F C Porto e Sporting, na mesma embrulhada, para que não seja, apenas, o Benfica a ficar mal visto e, então, lança a suspeita para o ar…! Ou, as suspeitas têm mesmo fundamento e, inexplicavelmente, em vez de se atuar pelas vias legais, deita-se mão de um jornal, atira-se a notícia e deixa-se que a confusão vá aumentando, na expetativa de que quanto mais se mexer no lodo menos peixe se possa vir a apanhar.

Quanto a procuradores e juízes não confiarem no portal Cítius…Então, se assim é, quem confiará?

 

O.C.

11.02.18

O crime não compensa!


ouremreal

No dia 4 de Julho de 2010, cerca das 15.45, um avião ligeiro do aeroclube de Leiria, vindo da Covilhã, com instrutor e aluno, aterrou de emergência no IC8, em Chão de Couce, Ansião, por falta de combustível. Com a ajuda de populares o avião foi levado para fora do IC, para uma estrada particular. Depois de reabastecido descolou dessa estrada por volta das 19 h, rumo ao destino que, presumo, seria o aeroclube.

Esta “habilidade” valeu ao piloto uma coima de 3600 euros por ter descolado em local não certificado para o efeito e outra de 2200 por não ter notificado a ANAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil) pela aterragem de emergência.

A sentença proferida pelo tribunal de Santarém, no passado dia 2, alterou, após impugnação, a decisão inicial da ANAC que tinha aplicado 2 coimas de 4000 € cada uma. Digamos que o tribunal demorou, mas… aproveitou! Foi mais “amigo” que a ANAC!

Moral da história (se é que há alguma moral nisto): aterrar de emergência por falta de combustível, sem uma beliscadura, nem no pessoal, nem na máquina, nem no património alheio e descolar em segurança e chegar ao destino, são e salvo, e dentro do programado já foi feito digno de…não direi louvor, mas…digno de apreço! Outros tempos, outros contextos, outras obrigações e outras soluções! Resta saber se deixar o avião onde aterrou, desmontá-lo e transportá-lo para o destino seria mais barato ou não! Porque 5800 euros em coimas…parece dinheiro a mais para tão pouco “crime”! Mas, pronto…lei é lei! Regras são regras! Há que cumpri-las! Mesmo que a lógica pareça uma batata! Como costuma dizer-se: O “crime” não compensa!

 

O.C.