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OuremReal

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24.09.18

Apoio a militares


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Acho muito bem que se apoiem todos os militares que regressam de missões no estrangeiro, quer em teatros de guerra, quer em missões de apoio mais pacífico, na medida das suas necessidades, mesmo que tenham ido para elas voluntariamente. Mas, sobre este assunto dos apoios a combatentes, repito o que sempre tenho dito: É vergonhoso, é uma imbecilidade que, desde 1974 (para não falar no antes 74, que era igual) que nenhum dos poderes democraticamente eleitos pelos portugueses se tenha preocupado e atuado, com a devida atenção, para com os ex-militares que serviram as nossas forças armadas durante os 13 anos da guerra colonial e que, por via disso, viram as suas vidas desfeitas e as das respetivas famílias. Foram centenas de milhar de jovens (e outros menos jovens) que se viram atirados, a larguíssima maioria a isso foi obrigada, para uma guerra que, além de não entenderam, também não estavam para ela preparados. Uns milhares perderam a vida! Muitos outros nunca mais foram como antes! Alguns já faleceram! Já deixaram de ser “problema”! Outros ainda andarão por aí, alguns a penar, sem que o Estado, o tal que os mandou para a guerra, lhes dispense os cuidados de que precisam e merecem!

1974 já foi há 44 anos! Os “jovens” que fizeram a guerra estarão com idades a rondar os 75 anos, uns mais outros menos! O que quer dizer que mais 10 anos e o “problema” estará resolvido! Ou muito perto disso, porque já sobrarão poucos!

Esta será a maneira mais ordinária, mais baixa, mais indigna de um país que se diz civilizado, de resolver um problema desta dimensão, desta sensibilidade!

E mais uma coisa: Nunca esquecerei os militares africanos que serviram as nossas forças armadas, voluntários ou obrigados, pouco importa, e que na data da retirada dos nossos exércitos foram lá deixados, abandonados, entregues aos desvarios mais diversos de movimentos e contra movimentos que se preocupavam, essencialmente, com a disputa do poder e que não olhavam a meios para atingir os fins em vista.

Culpados? Muitos! Antes e depois de 74! Militares e políticos! E nós todos que andamos há décadas a votar em gente a que não temos exigido que cumpra, com dignidade, o seu dever para com os que serviram a Pátria nas guerras para que foram mandados.

 

O.C.

17.08.18

Aposentação aos 70 anos


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Na minha aldeia usava-se muito a expressão “não acordes moscas adormecidas”, quando alguém trazia para a discussão assuntos passados que não interessava muito recordar. É um pouco o que está a acontecer com a idade em que os funcionários do Estado são obrigados a aposentar-se, que é, como sabemos, no dia em que completa os 70 anos. Como se costuma dizer…”despeja a gaveta, arruma a trouxa e vai à vida”! Contrariamente ao que acontece no setor privado em que, por acordo entre empregado e patrão, o vínculo laboral pode ser prolongado. Por que razão é que esta discussão passou a ser atual é coisa que desconheço! Mas…como não há fumo sem fogo…algo deve estar no ar…!

Como sabemos, esta norma da obrigatoriedade da aposentação aos 70 anos tem, praticamente, um século! Foi em Julho de 1926, depois do derrube da primeira república que tudo começou e, três anos depois, com a publicação do decreto-lei n.ª16563, no diário do governo de 5 de Março de 1929, que se confirmou aquela obrigatoriedade. Em 1926 argumentava-se que a partir dos 70 anos o espírito de iniciativa desaparece para dar lugar à rotina e, em 1929, reforçava-se a teoria com o argumento de que o serviço prestado depende não só da qualidade do funcionário, mas também da sua capacidade de adaptação às mudanças dos tempos. Esclarecedor! Se tivermos em conta que o Presidente da República se chamava Óscar Carmona e o ministro das finanças e futuro chefe do governo Oliveira Salazar… era mesmo preciso uma grande capacidade de adaptação às mudanças dos tempos…!

Mas, voltemos à discussão atual. Em novembro de 2016, o CDS apresentou na Assembleia da República uma proposta no sentido de se rever a obrigatoriedade de aposentação aos 70 anos de idade. Essa proposta teve o voto favorável, além do proponente, também do PSD e do PS. O voto contra dos restantes partidos. Cada um tem os seus argumentos e, segundo as perspetivas de cada grupo, todos terão as suas razões. É evidente que é preciso rejuvenescer os quadros, modernizar as estruturas; compreende-se que a eventual permanência acima dos 70 anos poderia impedir o acesso de outros; que a adaptação às mudanças, como se dizia, nem sempre é fácil e a idade poderá ser fator agravante; que haverá vícios instalados que é preciso debelar. Mas…também há muito saber acumulado, muita competência e experiência que, em muitos casos, é desperdício deitar fora. E, ainda, o facto de ser uma minoria (muito minoritária, passe a expressão) o número daqueles que, chegados aos 70, se mostram disponíveis para continuar.

É neste sentido que deixo a minha opinião: Em casos excecionais, devidamente definidos, comprovados e publicitados, sempre por vontade do funcionário e conveniência dos serviços, a continuidade deveria ser permitida desde que acordada e contratualizada pelas partes, em períodos definidos, e não constituísse qualquer espécie de bloqueio, tanto na estruturação dos serviços, como nos quadros de pessoal. Todo o processo da aposentação deveria ficar concluído e encerrado na data dos 70 anos, apenas a saída não seria forçada. Para que não houvesse alterações nos orçamentos o serviço respetivo e a caixa geral de aposentações acertariam o modo de pagamento.

Para terminar: não sabendo o porquê do reacender da discussão, faço votos para que não se esteja a engendrar nada de menos sério! Porque já custa engolir que os funcionários do Estado estejam “incapazes”, ou "inúteis" aos 70 anos e haja quem esteja acima de tudo isso e continue “capaz”, de "grande utilidade", "insubstituível", até lhe apetecer, para desempenhar os mais altos cargos – Parlamento, Governo, Presidência da República!  

 

O.C.

08.08.18

Portugal não tem conserto!


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Portugal não tem conserto!

Como é possível que, ano após ano, se vão repetindo os trágicos incêndios que vão destruindo floresta, casas, bens e vidas humanas e não se tomem medidas que ponham fim, de uma vez por todas, a esta calamidade?

As notícias de hoje davam conta que o incêndio que lavra na zona de Monchique há cinco dias, estava a ser combatido por 1300 bombeiros, com mais de 400 viaturas e 13 meios aéreos e já estão destruídos 19 mil hectares de floresta. Há dezenas de pessoas deslocadas, há feridos e vidas em risco. E mais povoações e pessoas estão ameaçadas! E a situação parece estar longe de ser controlada!

E continuamos a constatar que há habitações “enfiadas” na floresta, continuam a não ser respeitados os mais elementares cuidados de prevenção por parte das populações, continuam a não ser tomadas as medidas que se impõem por parte de quem tem que as tomar, seja a nível local, regional ou nacional.

Passou-se um ano sobre a tragédia que vitimou dezenas de pessoas e, parece, que não se aprendeu nada.

Continua a discutir-se eucalipto, sim, eucalipto não! Continua a preocupação de muitos entendidos em substituir o ministro, o secretário de estado, ou mesmo o primeiro-ministro e nem o presidente da república escapa, porque ainda não “sugeriu” que se demitisse este ou aquele. E as televisões continuam no terreno a recolher os desabafos de angústia, tristeza e medo das pessoas atingidas e a ouvir a sua revolta e as acusações, porque… “ninguém chegou para ajudar”, em tempo útil, a ponto de evitar as desgraças. E, a seguir, virá a contabilização dos prejuízos, os pedidos de apoio e as indemnizações. Com ou sem aproveitamentos! E a Assembleia da República ainda há de arranjar uma comissão de inquérito, ou duas, para entreter deputados, fazer crer que está preocupada com este assunto e engendrar um relatório que permita apontar o dedo a quem estiver a incomodar! Isto, depois de chamar ao parlamento o ministro A e o B, se necessário, para fazer aquelas inquirições que, muitas vezes, dão vontade de rir.

É assim que tem sido! Nada surpreende que assim continue! Mas o problema não se resolverá assim! Nem de outra maneira enquanto cada um puxar para seu lado, ao sabor de interesses de cada momento, da cada força mais ou menos organizada. A menos que haja coragem, determinação e força para fazer o ordenamento do território, a reorganização da floresta, a descentralização de competências e dotações orçamentais para as autarquias, leis equilibradas e capacidade para impor o seu cumprimento.

Os milhões que estão a ser consumidos no combate aos incêndios e nas inevitáveis indemnizações, pelo menos a grande fatia desses milhões, têm que ser gastos na preparação e prevenção. E as populações deverão tomar consciência dos riscos que poderão correr, caso não se enquadrem nos planos que, localmente, terão de ser adotados.

Quem governa, quem toma decisões, quem nomeia, quem dirige, quem comanda tem que ter competência para tal e tem que ser responsabilizado por aquilo que faz ou devia ter feito e deixou de fazer! Porque, a continuar assim, Portugal não terá mesmo conserto!

 

O.C.

22.07.18

A carreira dos professores


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Muito se tem falado sobre a luta dos professores pela recuperação do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira o que, na prática, significa a contagem do tempo para a mudança de escalão e consequente aumento do vencimento.

Como todos sabemos, o atual governo não é responsável pelo congelamento da progressão desde 30.08.2005 a 31.12.2007; nem dos anos de 2011 a 2015. Eram outros os governantes. Será responsável pelo tempo de 2016 e 2017 e é, igualmente, responsável pelo descongelamento a partir de 31.12.17. Devia tê-lo feito mais cedo! Não sei se podia!

É evidente que se é o governo em exercício é a ele que os professores têm que reivindicar aquilo a que têm direito. E é indiscutível que têm razão para exigir o que lhes foi retirado. O que surpreende é que tenham andado silenciosos durante tanto tempo e, de repente, tenham adotado uma forma de luta tão radical que não se compadece com o prejuízo de alunos e famílias ao porem em causa as avaliações em final de ano letivo.

Percebe-se que existe por detrás disto tudo uma agenda político-partidária que os sindicatos vão usando de acordo com a oportunidade e a conveniência que os seus mentores acham mais adequada e também porque há quem entenda que tudo o que puder dificultar a ação governativa deve ser aproveitado e explorado para que qualquer hipótese de sucesso acabe em fracasso.

Os sindicatos sabem, os professores também, todos sabemos que a situação económica é demasiado frágil para que se possam assumir, no curto prazo, encargos elevados como os que resultariam da satisfação de todos os que foram prejudicados pela anterior governação. E não foram só os professores. Foram todos os que viram vencimentos e pensões cortados e impostos aumentados. Todos viriam reivindicar tratamento igual, porque, afinal, todos temos os mesmos direitos e não pode haver uns mais privilegiados que outros. Quanto é que isto iria custar aos cofres do Estado? Não faço ideia! Mas o equilíbrio do Orçamento de Estado seria posto em causa, naturalmente! E o ministro das finanças não correrá esse risco! Neste contexto, parece que o braço de ferro entre governo e sindicatos vai continuar e tudo vai girar à volta da maior ou menor flexibilidade para “arrumar” a despesa orçamental, com corte aqui, corte ali, de modo a ir satisfazendo exigências e compromissos, sempre com as próximas eleições no horizonte.

 

O.C.

28.05.18

28 de maio


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28 de maio. Neste dia, no ano de 1926, há, portanto, 92 anos, um golpe militar, comandado pelo general Gomes da Costa, pôs fim à que foi designada como a 1.ª república, que tinha sido implantada em 5 de Outubro de 1910, com o fim da monarquia.

Era Presidente do Conselho de Ministros (1.º ministro) António Maria da Silva e Presidente da República Bernardino Machado. O Presidente do Conselho tinha tomado posse a 18 de dezembro de 1925, como chefe do 23.º governo desde 1920, facto que atesta bem sobre a instabilidade vivida em Portugal naquela época – 23 governos em 5 anos!

Logo no dia seguinte ao início do golpe militar, que se iniciou em Braga e prosseguiu para sul, em direção a Lisboa, com a adesão sucessiva de unidades militares das principais cidades, foi constiuída a Junta de Salvação Pública, designação dada à ditadura que se instalou e que assim continuou até 1933. Neste ano, com a aprovação da nova Constituição, a ditadura mudou de nome e passou a ser designada por Estado Novo. Terminou em 25 de abril de 1974, com outro golpe militar, como todos sabemos.

Ainda nesse mês de maio, no último dia, 31, foi encerrado o Parlamento, o Congresso da República Portuguesa, como era designado.

A consagração (chamemos-lhe assim) do general Gomes da Costa teve lugar no dia 7 de Junho, com um imponente desfile militar de 15 mil homens na avenida da Liberdade e o aplauso de centenas de milhar de pessoas, como relatam as crónicas da época.

Curiosamente, ou talvez não, os diferentes pontos de vista, os desentendimentos, as lutas pelo poder dentro das forças vitoriosas levaram à detenção daquele que foi a grande figura do golpe militar. Detido no palácio de Belém, a 8 de Julho, o general Gomes da Costa é levado sob prisão para Caxias e, posteriormente, deportado para a Ilha Terceira.

Como a história se repete…! Vale a pena estabelecer a comparação entre o 28 de maio de 1926 e o 25 de abril de 1974 para ver como há um paralelismo, uma sequência de factos que, ao longo do tempo, vão contribuindo para que, num primeiro momento, a revolta aconteça e, depois, o rumo dos acontecimentos a ser encontrado conforme os interesses do momento e a maior ou menor capacidade dos protagonistas em imporem os seus pontos de vista, mesmo, como é o caso, quando as motivações ideológicas sejam completamente antagónicas.

 

O.C.

15.03.18

Toupeiras


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Com alguma surpresa, leio nas notícias de ontem o seguinte texto:

De acordo com a informação avançada esta quarta-feira pelo jornal ‘i’, não é só o Benfica que tem ’toupeiras’ no sistema judicial português, mas também o FC Porto e Sporting. O referido diário escreve que muitos dos magistrados do Ministério Público suspeitam da existência de várias ’toupeiras’ dos três grandes do futebol português e que tanto os procuradores como os juízes já não confiam no portal Citius, uma plataforma que pretendia unificar o sistema judicial português na internet.”

Não é que a “toupeiragem” no futebol, a existir, me incomode o suficiente para que perca muito tempo com o assunto. Incomoda-me, isso sim, que a “toupeiragem” possa existir em assuntos mais sérios como, por exemplo, noutros processos judiciais e possamos assistir a fugas de informação que põem na praça pública o que deveria permanecer em segredo e leva a que a vida ou o bom nome de alguns cidadãos ou instituições sejam lançados na lama e a opinião pública os “condene” antes de se saber se cometeram ou não crime para tal. E como ninguém é responsabilizado por isso, pelo menos parece que não tem sido, e as liberdades e os direitos não têm que ser equilibrados com a responsabilidade e os deveres de respeitar os outros, há meios de comunicação que, ao abrigo da (quase) intocável liberdade de expressão e do inquestionável direito (e dever) de informar, lá vão continuando a usar e abusar das “fontes”, sempre ocultas, na mira de vender papel, captar audiências, com quanto mais sensacionalismo melhor! Eu, na minha modesta capacidade de entender, vou confundindo “fontes” com “toupeiras”e não consigo distinguir umas das outras.

Mas, como dizia no início, a minha surpresa não é tanto com as “toupeiras” que, pelos vistos, são um pouco como as bruxas… “não acredito nelas…mas lá que as há…há!” A verdadeira surpresa é constatar que se diga que …”muitos dos magistrados suspeitam da existência de toupeiras não só no Benfica, mas também no FC Porto e Sporting” e que …” tanto procuradores como juízes não confiam no portal Citius”. E isto é dito, escrito e lido e como ninguém desmente, para muitas pessoas passa a ser verdade! Naturalmente! Para outras ficará a dúvida: isto será mesmo verdade? É que, a ser verdade, das duas, uma: ou há quem queira envolver F C Porto e Sporting, na mesma embrulhada, para que não seja, apenas, o Benfica a ficar mal visto e, então, lança a suspeita para o ar…! Ou, as suspeitas têm mesmo fundamento e, inexplicavelmente, em vez de se atuar pelas vias legais, deita-se mão de um jornal, atira-se a notícia e deixa-se que a confusão vá aumentando, na expetativa de que quanto mais se mexer no lodo menos peixe se possa vir a apanhar.

Quanto a procuradores e juízes não confiarem no portal Cítius…Então, se assim é, quem confiará?

 

O.C.

11.02.18

O crime não compensa!


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No dia 4 de Julho de 2010, cerca das 15.45, um avião ligeiro do aeroclube de Leiria, vindo da Covilhã, com instrutor e aluno, aterrou de emergência no IC8, em Chão de Couce, Ansião, por falta de combustível. Com a ajuda de populares o avião foi levado para fora do IC, para uma estrada particular. Depois de reabastecido descolou dessa estrada por volta das 19 h, rumo ao destino que, presumo, seria o aeroclube.

Esta “habilidade” valeu ao piloto uma coima de 3600 euros por ter descolado em local não certificado para o efeito e outra de 2200 por não ter notificado a ANAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil) pela aterragem de emergência.

A sentença proferida pelo tribunal de Santarém, no passado dia 2, alterou, após impugnação, a decisão inicial da ANAC que tinha aplicado 2 coimas de 4000 € cada uma. Digamos que o tribunal demorou, mas… aproveitou! Foi mais “amigo” que a ANAC!

Moral da história (se é que há alguma moral nisto): aterrar de emergência por falta de combustível, sem uma beliscadura, nem no pessoal, nem na máquina, nem no património alheio e descolar em segurança e chegar ao destino, são e salvo, e dentro do programado já foi feito digno de…não direi louvor, mas…digno de apreço! Outros tempos, outros contextos, outras obrigações e outras soluções! Resta saber se deixar o avião onde aterrou, desmontá-lo e transportá-lo para o destino seria mais barato ou não! Porque 5800 euros em coimas…parece dinheiro a mais para tão pouco “crime”! Mas, pronto…lei é lei! Regras são regras! Há que cumpri-las! Mesmo que a lógica pareça uma batata! Como costuma dizer-se: O “crime” não compensa!

 

O.C.

28.01.18

30 kms / hora


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A propósito da sinistralidade rodoviária ocorrida em 2017, em especial o número de acidentes mortais por atropelamento, começa a falar-se em alterar as regras de condução dentro das localidades, impondo novos limites que alguns querem reduzir para 30 kms / hora. A esse propósito, devo dizer que não concordo com os 30 kms/h generalizados. Nalguns sítios, sim! Noutros, que serão a maioria, é um disparate! O problema passa, essencialmente, pelo civismo. E o civismo resulta da educação. De automobilistas e peões. E aqui talvez se esteja a falhar demasiado! Passa, também, pela sinalização adequada e colocação de passadeiras em locais apropriados. Pela colocação de sinais de controle de velocidade, semáforos nas passadeiras e pela penalização de quem não cumprir. E, para além de tudo, também é preciso ter sorte, porque não há ninguém que não erre! Mas, todo o cuidado é pouco, como se costuma dizer. E se as pessoas não o têm...terá que ser imposto! E alguma coisa terá que ser feita para que se acabem, ou, pelo menos, diminuam os números assustadores de mortes e feridos que, em cada ano, resultam desta nossa "guerra civil" em que se transformou a sinistralidade rodoviária. Nesse sentido...e caso os cidadãos, todos os cidadãos, peões e condutores, não corrijam os seus procedimentos, acabará por se justificar que se imponha e tenhamos que aceitar aquilo com que não concordamos...!

 

O.C.

31.12.17

IVA dos partidos políticos


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O problema do IVA dos partidos não é mais nem menos importante que as restantes benesses concedidas; para além das subvenções, claro. Na minha opinião há duas grandes questões que se colocam:

Primeira – Queremos ou não queremos um regime democrático, plural, com partidos políticos, ou outras organizações semelhantes?

Segunda – A classe política que está instalada, à custa das sucessivas coberturas que lhe temos dado, tem ou não tem qualidade para estar onde está e desempenhar o papel que se quer que desempenhe?

Porque, se queremos um regime democrático e plural, temos que estar predispostos a pagar o seu funcionamento para poder impor regras que permitam colocar todos em pé de igualdade e a exigir e controlar o cumprimento dessas regras. Pouco importa que seja com subvenções, isenção de IVA, ou de IMI, ou do que quer que seja. Importa é que haja regras, limites, exigência e fiscalização. E transparência! As organizações que vivem com dinheiros públicos (ou outras benesses) têm que ser obrigadas a prestar contas, em cada ano, porque os cidadãos têm que saber como é que o seu dinheiro é gasto! E quem não cumprir tem que ser penalizado! E, por favor, quando apelarem à memória e ao bom exemplo do dr. Salazar, tenham presente que ele também assentou e sustentou a sua governação num partido político, a União Nacional, partido único que não admitia contraditório dentro da Assembleia Nacional, nem qualquer tipo de oposição fora dela, cujos deputados eram escolhidos como se sabe, que funcionava conforme a sua vontade e interesse e que não prestava contas ao Povo. Portanto…sobre bons exemplos nesta matéria…estamos falados!

Quanto à classe política que temos…não adianta muito falar, porque o que é bom para o A é mau para o B e por aí adiante. Portanto, fiquemos com a liberdade de escolha que, felizmente, vamos tendo e saibamos assumir a responsabilidade e as consequências dessa escolha. Mas não nos esqueçamos que o que não presta não está só na classe política! Longe disso! Os que estão fora, digam-se políticos, ou não políticos, são, exatamente, iguais. Muitos, se tivessem o poder que alguns políticos têm, seriam iguais ou piores que eles. Não tenho nenhuma dúvida disso!

Quanto à maneira como as alterações à lei foram feitas, já li adjetivações das mais terríveis, tenho uma opinião muito simples: reprovo, mas não faço disso um drama. Lamento que não consigam, em Comissão, muito mais acordos em matérias muito mais importantes para as nossas vidas, de modo a evitarem o espetáculo, às vezes vergonhoso, e a perda de tempo das sessões plenárias. O partido que votou contra fê-lo, naturalmente, com calculismo e oportunismo. Toda a gente percebe que é um partido que se for a votos fora da Coligação não terá expressão que lhe permita levantar a voz e limita-se a explorar situações de turbulência para tentar ficar bem na fotografia. Tanto quanto se sabe nunca rejeitou os benefícios que a lei em vigor lhe tem conferido, tal como aos outros partidos. Vir misturar o IVA das carcaças e do leite com o IVA dos partidos é pura demagogia!

Quanto ao veto presidencial…alguma comunicação social já o deu como certo, mesmo antes dele ter acontecido! Assim sendo, e uma vez que a opinião pública já está “feita” o mais provável é que venha a acontecer. Caso o assunto volte à Assembleia caberá à maioria decidir. Tudo vai depender de negociações, conveniências, incoerências e outras ocorrências. Como de costume.

 

O.C.

05.12.17

Somos os maiores!?


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Até parece que estamos a ser melhores lá fora do que cá dentro!

Sem entrar no exagero do sr. Presidente que diz que deixámos de ser o patinho feio para passarmos a ser o cisne resplandecente, o que se constata é que Portugal, este pequeno país do canto mais ocidental da Europa, o mais periférico dos periféricos, velho, pequeno e “pobre”, de vez em quando assume jeitos, talvez tiques, de “gente grande”. Já fomos piores…! No início do século XV resolvemos partir Atlântico abaixo, misturámos audácia, com necessidade, aventura, religião e outros condimentos, alguns pouco recomendáveis, e foi o que se viu. Começámos em Ceuta (1415), chegámos à Índia (1498) e ao Brasil (1500) e parámos, tristemente, em Alcácer-Quibir (1578) para virmos a acabar a aventura, em definitivo, em 1975 da maneira como todos sabemos. Mas fomos grandes! Ao que se diz! Pelo menos aparentemente! Mas só o fomos, curiosamente, fora de portas! Porque, cá dentro continuamos a ser pequenos como sempre! E essa pequenez resulta, ou parece resultar, principalmente, da avaliação que fazemos de nós mesmos e da maneira como nos combatemos! Por interesses, por egoísmo, por vaidade, por intolerância, por ignorância e por muita presunção!

E agora, neste último ano, parece que o velho país, pequeno e periférico, está, outra vez, e ressalvadas as devidas diferenças e distâncias, a assumir tiques de gente grande. Parafraseando o jornal espanhol El País, “este é o ano em que Portugal comanda o Mundo!”

Depois da seleção nacional de futebol ter ganho o campeonato da Europa e de, no início do ano, António Guterres chegar ao cargo de Secretário-Geral da ONU, em maio Salvador Sobral ganhou o festival da Eurovisão da canção e, agora, neste mês de dezembro, o ministro das finanças, Mário Centeno, é eleito Presidente do Eurogrupo. É caso para perguntar: quem é que fez melhor?

Mas, curiosamente, todo este sucesso acontece fora de portas! Outra vez! É a nossa fatalidade a repetir-se! Porque, cá dentro, somos os piores dos piores! No futebol é confrangedor ouvir e ler o que os adeptos dos clubes dizem uns dos outros (e fazem uns aos outros), as críticas, os comentários, o que se diz, o que se inventa, as suspeitas! Na política não há adjetivos que classifiquem o que se diz e faz na tentativa de destruir, diminuir e humilhar o adversário, a falta de honestidade intelectual, a calúnia, a mentira que, muitas vezes, mais não são do que estratégias para disfarçar a própria incompetência e a incapacidade para apresentar melhores soluções para os problemas do dia-a-dia! No mundo da canção é o salve-se quem puder! O “pobre” do Salvador Sobral ia sendo trucidado antes de ter ganho o festival! Vai-se salvando alguma solidariedade que se regista, felizmente, nos grandes infortúnios que se vão abatendo sobre o país.!

Concluindo:

Provavelmente, não somos tão maus como nos fazemos uns aos outros! Nem seremos tão bons como, de vez em quando, nos julgamos ou queremos ser! Mas, uma coisa é certa: tudo o que somos capazes de ser lá fora, resulta do que somos cá dentro! O que nos permite concluir que o que faz a diferença, afinal, estará no contexto e no processo da avaliação.

 

O.C.