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OuremReal

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30.06.21

Um sr. chamado Berardo


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Há anos que andamos a ouvir falar do sr. Berardo e das suas dívidas de milhões, ou hipotéticas dívidas, já não sei, porque, segundo o próprio, não deve nada a ninguém. Pela parte que me toca é pouco importante que deva ou não deva. O que importa é que o dinheiro parece ter desaparecido e era bom que se soubesse para onde foi ou onde está. Também não importa muito saber se o tal sr. é “artista”, “vigarista”, “aldrabão”, se é isso tudo, ou se não é nada disso. Esse assunto deverá ser esclarecido por quem de direito. Como cidadão e contribuinte incomoda-me, fundamentalmente, que tivesse sido possível acontecer o que aconteceu. Como é possível haver a permissividade “legal” que permite que isto aconteça? Como é possível que a Justiça seja tão lenta a intervir para que tudo se esclareça e acabe? Como é possível que haja bancos, especialmente a C.G.de Depósitos, que possam ter tido o comportamento que tiveram sem que tenha havido a necessária supervisão, ou, se a houve, o que aconteceu? Quem foram os responsáveis por todas as operações que acabaram por lesar o erário público? Onde estão esses responsáveis? E por que não foram já todos chamados à responsabilidade? E que bens foram adquiridos com os empréstimos concedidos? Onde estão e a quem pertencem? E que garantias foram dadas para que os empréstimos se tivessem concretizado? E onde estão essas garantias?

Como é que é possível que o sr Berardo tenha tido o desplante de ir ao Parlamento, tenha “gozado”, claramente, com os deputados da Comissão e estes não se tenham levantado e posto o dito sr no olho da rua?

Só pergunto, porque não consigo entender...!!!

Agora o sr Berardo foi preso! O mesmo que foi condecorado por dois Presidentes da República e que mereceu do ex-comentador televisivo Marcelo Rebelo de Sousa os mais rasgados elogios. O mesmo sr que, ao que consta, depois destes milhões todos, tem como único património uma garagem no Funchal!

Não dá para acreditar!

 

O.C.

09.05.21

Limpeza da floresta


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O Governo considerou, a nível nacional, 1002 freguesias como de intervenção prioritária no que respeita a limpeza de floresta e fiscalização da gestão de combustíveis. Destas, 47 pertencem à região do Médio Tejo, com 13 concelhos, onde se inclui o concelho de Ourém.

Foram contemplados 12, não sendo abrangido apenas o concelho do Entroncamento.

No concelho de Ourém, que, como é sabido, possui uma vasta área do seu território coberto com zona florestal, essencialmente pinhal, (mais do que Ourém apenas o concelho da Sertã), foram contempladas 10 freguesias, 6 depois de agregadas, a saber : Espite, Fátima, U.F. de Freixianda, Ribeira do Fárrio e Formigais, U.F. de Matas e Cercal, U.F. de Rio de Couros e Casal dos Bernardos e, ainda, Urqueira.

Não tenho informação acerca da maneira como se vai efetivar essa intervenção prioritária, o que se vai fazer, onde, quando, como e por quem. Como não tenho informação do que foi feito, ou ficou por fazer, desde o último verão, que o mesmo é dizer que nada sei sobre os procedimentos que foram adotados pelo município, por um lado, e as freguesias por outro, de modo a evitar, ou minimizar, que os cenários se repitam e continue a arder o que ainda sobra das calamidades dos incêndios de verões anteriores.

E como não sei...não comento!

Mas de uma coisa tenho a certeza:

Estamos em maio e o verão está à porta! E com ele virão os incêndios! E o que não estiver devidamente organizado, programado e acautelado, não ficará aprontado neste curto espaço de tempo que ainda falta até junho.

Resta uma esperança e, também, um desejo:

A esperança é que tudo aquilo que deveria ter sido feito para prevenir uma época de mais do que prováveis sobressaltos e prejuízos, desde as limpezas dos terrenos, zonas de segurança de habitações e vias de comunicação até à prontidão, agilização e divulgação dos planos de emergência/ação de cada freguesia, esteja feito.

O desejo é que todo o investimento que vier a ser feito com a dita intervenção prioritária seja aplicado com transparência e rigor para que o concelho de Ourém possa, de uma vez por todas, ou, pelo menos, o mais e o melhor possível, libertar-se desse flagelo de cada verão e que as pessoas tenham sossego e não vejam os seus bens ou as suas vidas continuadamente ameaçados.

 

O.C.

 

11.04.21

Manipulação


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A manipulação continua. Foram 7 anos de novela que tiveram como primeiro episódio o miserável espetáculo da detenção de um ex-primeiro-ministro à chegada ao aeroporto de Lisboa, com o folclore televisivo a que o país assistiu. Foram as muitas “fugas” de informação ao longo de todo esse tempo. Foi a prisão e a humilhação com a comunicação social a contribuir para que a opinião pública fosse formatada no sentido de antecipar uma condenação que, mais cedo ou mais tarde, se pretendia ver confirmada. Foram anos de inquérito até às seis mil e muitas páginas finais. Foi uma misturada de casos a que se deu a designação de mega-processo batizado de operação marquês, ficando-se sem perceber se isto foi decidido para simplificar ou se, pelo contrário, se pretendeu, deliberadamente, complicar e dificultar para que na nebulosa de tantos factos, algumas impossibilidades, incapacidades e insuficiências se pudessem diluir e, por ventura, disfarsar alguma tentativa de fazer mais “justiça” do que a justiça permitia, mas que a opinião pública ansiava, porque para isso estava a ser preparada. Mas, algo não terá corrido como previsto. Em três horas e meia de sacudidelas o tal mega-processo não aguentou e uma boa parte dessa construção majestosa, pura e simplesmente, ruiu. E, naturalmente, as expetativas dos seus arquitetos, por um lado, e dos esforçados promotores, por outro, saíram defraudadas. Não perderam tempo! Uns vão interpor recurso, outros desencadearam uma petição pública para não deixar arrefecer os ânimos. As redes sociais estão inundadas de manifestações de indignação, a comunicação social, de uma maneira geral, continua a bater na tecla que lhe convem e há comentadores que sabem tudo, de tudo. Mas ninguém leu o processo. O que menos se tem visto é ponderação e a sensatez para tentar perceber por que é que tudo isto está a acontecer. E a coragem para identificar o que está mal, no sentido de se corrigir o que for preciso corrigir.

No final de tudo isto, o pior que pode acontecer é deixar-se que tudo fique como está, que se permita que a opinião pública continue a ser manipulada, que a mentira e a dúvida continuem a fazer o seu caminho e que as instituições e os seus atores possam deixar transparecer qualquer sinal que possa pôr em causa a confiança que nelas temos de depositar.

 

O.C.

18.03.21

Organizações secretas


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O Conselheiro de Estado, António Lobo Xavier, terá afirmado (só li, não ouvi) “ tenho clientes que me dizem que são vítimas de extorsão por serem ameaçados, entregando dinheiro e quantias e assumindo comportamentos, se não são perseguidos por uma rede maçónica que vai desde a política até às magistraturas".

Parece claro que uma denúncia desta gravidade deverá ser, de imediato, investigada por quem de direito, de modo a apurar, afinal, que extorsões, que comportamentos, que pessoas, que ações e ligações são estas.

Por sua vez, o PSD apresenta uma proposta de lei no sentido de obrigar os políticos a declararem se pertencem à Maçonaria ou à Opus Dei, fazendo crer que há perigo nas ligações a essas sociedades secretas. Há ainda quem advogue que essa obrigatoriedade deveria ser extensiva a juízes, procuradores, investigadores, PSP, GNR e PJ.

A primeira questão que se coloca é: Por que motivo é que só estes devem declarar se pertencem a essas organizações? Afinal, o "problema" é a existência delas, ou é outro? Se é por existirem, ilegalizem-se! Vamos ver quem tem coragem para isso! Passa tudo à clandestinidade e quem for apanhado na "caça às bruxas"...sofre as consequências! (Já tivemos disso!) Se o problema não está nas organizações, se são permitidas, então terá que haver tratamento igual para todos e cada um pertence ao que entender e ninguém tem nada com isso. Outra coisa, ainda, é saber se essa eventual pertença é incompatível com o exercício dos tais cargos que são referidos, porque, se essa incompatibilidade existe, das duas uma: Quem for membro, deixa de o ser, anula a “filiação” enquanto ocupar o cargo que vai exercer e pode, perfeitamente, declarar que não pertence. Se escolhe continuar na organização, deixa o cargo para outro. Quem não for membro, não tem problema em declará-lo e se, porventura, tinha intenção de o vir a ser, é só esperar que o exercício do cargo chegue ao fim. Em qualquer dos casos, quem é o que é, não deixa de o ser só porque tem que declarar que não o é.

Voltamos à velha história da célebre declaração a que se refere o art.º 1.º do dec. Lei n.º 27003, de 14 de setembro de 1936, do regime salazarista, (quem nunca leu, devia ler; são apenas 9 artigos, muito elucidativos, sobre os objetivos do diploma) em que qualquer cidadão com pretensões a ser funcionário do Estado tinha que fazer e assinar uma declaração que dizia: “Declaro que estou integrado na ordem social estabelecida pela constituição política de 1933, com ativo repúdio do comunismo e de todas as ideias subversivas”. É claro que quem precisava do emprego assinava quantas declarações fossem precisas! Sabia, perfeitamente, que se fosse “apanhado” a ser, ou a parecer, o que tinha dito que não era, estava irremediavelmente perdido.

Com esta proposta do PSD parece que estamos a repetir a história! De má memória!

As pessoas no exercício dos seus cargos têm que ser avaliadas por aquilo que fazem ou não fizeram e deviam ter feito ou pelo que dizem e não deviam ter dito, ou deixaram de dizer, quando era importante que o dissessem. E não com base em filiações, convicções, suposições, denúncias anónimas, meias verdades ou outras artimanhas. Estamos num Estado de direito e para isso existe a Justiça! Se funciona bem ou não...é outra coisa!

 

O.C.

21.01.21

A pandemia


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Em notícias de hoje leio que, segundo os dados mais recentes, em Portugal já morreram 9.465 pessoas dos 581.605 casos de infeção confirmados, o que, percentualmente, significa que em cada 100 casos de infeção acontece 1 morte (1,627%, mais precisamente).

E quase um terço dos doentes em cuidados intensivos tem menos de 60 anos.

Os doentes com mais de 80 anos representam 41% dos internados em tratamento da COVID-19. Destes, apenas 4% estão em unidades de cuidados intensivos (UCI).

Dos doentes em UCI, pelo menos 211 têm menos de 60 anos, ou seja, 32% do total (quase um terço). Dois têm entre 0 e 19 anos; cinco de 20 a 29 anos; 20 de 30 a 39 anos; 41 de 40 a 49 anos e 143 de 50 a 59 anos.

Estes números, tristemente trágicos e que, no contexto atual, estarão a aumentar por cada hora que passa, terão, forçosamente, que nos fazer pensar. Como chegámos até aqui? Como vamos sair disto? O que fazer? O que deixar de fazer? Que medidas? Que decisões? Que comportamentos?

O que se vai constatando, por um lado, é que quem tem de tomar as grandes decisões, para a diversidade complexa de um país inteiro, se vê confrontado com as dificuldaes próprias de quem sabe que qualquer medida que se tome terá consequências, umas mais complicadas que outras, é certo, mas todas têm custos que é preciso prever e acautelar, de modo a que tudo aconteça com a conta, peso e medida necessários, para que se possa atingir a maior eficácia possível com o menor dano. É claro que este equilíbrio e as melhores decisões no momento mais oportuno nem sempre são conseguidos. E, em muitos casos, a prudência manda que se vão alterando as decisões em função da evolução dos acontecimentos. E esta espera, por vezes, é fatal. Perde-se a oportunidade e, em contexto pandémico, pode significar vidas perdidas. O que é trágico.

Por outro lado, a contestação social, quase generalizada e incentivada por quem aproveita a natural frustração, o desânimo e a dor de muita gente para capitalizar apoios para causa própria.

A contestação e reivindicações, mais ou menos organizadas, setor a setor, por aqueles que põem, em primeiro lugar, as suas conveniências, interesses e negócios e, só depois, os outros.

Mais aqueles que "sabem" tudo e se acham acima de todas as regras e que entendem que não têm que respeitar a segurança alheia e teimam em assumir comportamentos que põem em risco a sua vida e a dos outros.

E as campanhas de desinformação organizadas para confundir as pessoas, com mentiras e meias verdades que visam a rebeldia, a rejeição e o incumprimento de todas as normas, por mais elementares que sejam, para que os objetivos de quem tem a necessidade e o dever de ditar essas normas não sejam alcançados, porque o que se pretende é tentar demonstrar que esses que as ditam não conseguem resolver os problemas e, assim sendo, terão que ser considerados incompetentes.

É neste contexto pandémico e, simultaneamente “pindérico” que aqueles números não param de nos atormentar, porque, ao que parece, não haverá soluções eficazes se teimarmos em não as querer cumprir. Nem haverá estado de emergência que valha a pena se não houver força para fazer cumprir o que é determinado.

O mais fácil é atribuir culpas aos outros. Pelo que fazem, ou pelo que deveriam ter feito e não fizeram. Fácil é ter soluções depois dos factos ocorrerem. E, muitas vezes, falsas soluções que, se tivessem sido implementadas teriam resultados tanto ou mais danosos do que aqueles a que se chegou não as implementando. Antes, criticam, mas não apresentam alternativas credíveis.

Cabe a cada um de nós cumprir a sua parte. Se assim for, tudo será mais fácil!

Caso contrário...se tiver que se impor...Imponha-se!

 

O.C.

30.10.20

Corrupção


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Fala-se muito sobre corrupção e, por isso, talvez valha/valesse a pena começar pelo princípio.

Primeiro - Só há corrupção porque há pessoas corruptas. Simples! Não é preciso "descobrir" nada para chegar a essa conclusão! E não são só os "poderosos", ou seja, os que têm algum tipo de poder, ou capacidade, ou oportunidade, ou dever de decisão que são corruptos! Longe disso!

Segundo - Qual corrupção? A pequena, a mediana, a alta. Aquela que não parece ser, mas é!? Aquela que é tão evidente que toda a gente acha que é!? Ou aquela que, afinal, não o sendo, acaba por ser rotulada disso, porque há sempre quem esteja interessado em fazer crer que assim é!?

Corrupção não é, apenas, o que a comunicação social divulga! É muito mais do que isso! E nem tudo o que é divulgado é credível, porque a informação é tão manipulável, quanto as pessoas são suscetíveis de ser influenciadas. E há quem explore isso!

Terceiro - Por que é que há gente corrupta? Não vamos crer que seja genético...embora, às vezes, pareça! Mas teremos que ir ao princípio: à família e ao meio social em que se nasce, vive e vai crescendo, à educação que se recebe, aos exemplos que vamos observando, aos ensinamentos que nos vão sendo transmitidos, aos valores que nos vão sendo incutidos. Tudo isto vai sendo somado e dará um resultado final, com a certeza de que a qualidade desse resultado refletirá a qualidade de todas aquelas parcelas. E, a avaliar pela qualidade do resultado final que se constata, a qualidade de cada uma das parcelas não tem sido a desejável! E o problema não é novo! É velho de muitas décadas, ou muito mais do que isso, como todos sabemos! E os que já por cá andam há mais tempo sabê-lo-ão ainda melhor! Quando se perspetivava que as coisas fossem mudando para melhor...eis que a realidade é, apenas, dececionante. É fácil culpar este mundo e o outro. Não adianta, porque o mal tem que ser resolvido, ou, pelo menos, remediado, indo à sua origem. Se assim não for...restará impor e fazer cumprir! Com todas as contingências indesejáveis que se adivinham! Precisamos de outras e melhores pessoas! E isso começa em cada um de nós! Não queiramos que sejam os outros a fazer o que nos compete!

 

O.C.

12.07.20

Economia vs Pandemia


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Não percebo o suficiente de economia para discutir o assunto com economistas, nem paciência para gastar tempo com curiosos, pretensos economistas, que, percebendo da matéria mais ou menos o mesmo que eu, falam como se entendessem do que dizem. Mas, mesmo não discutindo economia, há uma coisa que sei, todos sabemos - a situação económica do país é péssima, há empresas em grandes dificuldades, o desemprego é muito preocupante e há famílias a viver mal. Isto é tão evidente que qualquer “analfabeto” em economia percebe. Como é que isto se resolve!? Gostava de saber, mas não sei! Dizem alguns economistas, gritam alguns alarmistas e repetem muitos oportunistas que o governo está a gerir mal a situação! Quem sou eu para dizer o contrário...!? Portanto, admito que talvez assim seja! E a minha primeira pergunta é óbvia: Então e como é que se devia/deve fazer? E é essa resposta, essa alternativa, essa maneira de fazer bem o que se está (?) a fazer mal, que não tenho visto! E uma segunda pergunta, tão óbvia como a primeira: E o resto? Empresas, empresários, empregadores, trabalhadores, empregados, desempregados, famílias, jovens, menos jovens, velhos, menos velhos, tudo, todos, será que cada um está a cumprir o seu dever e a contribuir para que a situação se resolva o mais depressa e o melhor possível? Creio bem que não! Uma boa parte, claramente, não! A sensação é que, ao contrário, parece haver quem anseie para que tudo corra mal, o quanto pior melhor, porque, não sabendo, ou não querendo dizer como fazer melhor, sempre vão podendo dar largas à sua vocação de ir dizendo mal e remetendo as culpas de tudo para outros.

Há 5 ou 6 meses a situação era bem diferente! Apesar das vozes discordantes nunca deixarem de se fazer ouvir, como é normal num regime democrático, e de nem tudo também ser o mar de rosas que alguns apregoavam, as empresas funcionavam e produziam, as exportações tinham um bom ritmo, o comércio funcionava, o turismo alimentava uma boa parte das receitas, as contas públicas estavam sob controle, o desemprego era baixo, o poder de compra melhorara e as dificuldades de algumas famílias nada tinham a ver com o atual desespero em que muitas caíram.

Mas, de repetente, a pandemia que nos atingiu veio revelar muita coisa. E o que sobressai, num primeiro plano, de toda esta crise, é a fragilidade de todo este sistema em que vamos vivendo as nossas vidas. E como tudo está interligado e interdependente. E como todos somos importantes e necessários, cada um com o seu contributo, a sua ação, o seu trabalho, para que toda a organização social vá funcionando e a máquina que lhe dá vida não pare.

Para evitar a propagação da pandemia foi preciso fechar escolas, empresas, aeroportos, fronteiras e muitos serviços, restringir o funcionamento de outros e a circulação de pessoas. O resultado...!? Ao fim de dois meses estava tudo do avesso! Não há produção, não há exportação, não há turismo, não há trabalho, há profissões que têm que reinventar a maneira de sobreviver, os rendimentos baixam, quando não acabam, as famílias sofrem a maior instabilidade de que alguém se lembra e o Serviço Nacional de Saúde é posto à prova, como nunca o fora antes.

Esta crise também mostrou que, ao primeiro abanão, dezenas de milhar de empresas, umas com razão, outras, porventura, sem ela, ou com menos, recorreram ao sistema de lay-off decidido pelo governo e mandaram mais de um milhão de empregados para uma situação de redução salarial, ou terminaram contratos; o que é um sinal claro de que a sua estrutura era, afinal, de uma grande fragilidade ou a falta de escrúpulos falou mais alto que a razoabilidade e a solidariedade.

O fecho de fronteiras e aeroportos veio mostrar como a mobilidade das pessoas é importante para a economia e como o turismo é uma indústria frágil e incerta. E como é altamente perigoso que algumas zonas do país se dediquem, quase em exclusivo, a essa atividade e como tudo fica comprometido quando o afluxo de pessoas, por qualquer razão, é interrompido.

E também se constatou que, afinal, aqueles que por ideologia, ou por simples simpatia, reclamam por um sistema de menos Estado e mais Privado, quando chegam as horas de aperto, é ao Estado que se encostam e recorrem e todos são potenciais candidatos a subsídios para isto e mais aquilo, atirando com a ideologia para o cesto dos papéis, pelo menos até voltar a haver interesse em ir lá buscá-la, de novo.

Passados três meses de restrições já todos percebemos muito bem que, embora pandemia rime com economia, nada têm a ver uma com a outra, antes pelo contrário, são perfeitamente incompatíveis. E por causa dessa incompatibilidade, quanto mais se prolongar a pandemia, ou as restrições a ela associadas, pior vai ficando a economia. E esta já chegou a um ponto tal que ou avança e melhora, ou tudo ficará seriamente comprometido com consequências que não se conseguem calcular. Daí a necessidade de ir levantando, progressivamente, algumas restrições, o que já começou a ser feito. Mas, como era previsível, tudo o que depender do comportamento das pessoas é suscetível de correr mal. E os primeiros indícios apontam, precisamente, nesse sentido. Começaram os ajuntamentos, contrariando as normas da DGS, numa espécie de provocação e confrontação com os poderes instituídos, o que motivou a tomada de medidas mais drásticas no sentido de evitar que as situações de contágio continuem a acontecer. Uns por inconsciência, outros por negligência, outros por falta de civismo, outros de forma deliberada e com fins bem claros, vão contribuindo para que se instale alguma instabilidade, seja dificultada a ação dos que têm por missão debelar este flagelo e a propagação do vírus continue a ameaçar e amedrontar uma boa parte da população, com todos os prejuízos inerentes.

 

O.C.

14.06.20

Presidenciais 2021


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Acerca da saída do ministro das finanças do governo li, ontem, um comentário que se resumia, mais ou menos, no seguinte: Mário Centeno saiu do governo, porque precisa preparar a sua candidatura à Presidência da República em 2021. Assim mesmo! Não sei se alguém já se teria lembrado disto antes, se o próprio MC alguma vez o pensou ou virá a pensar! Pouco importa!

E, neste cenário, desenhava-se o filme que era, mais ou menos, assim:

A direita democrática , PSD e CDS, tem o seu candidato natural – Marcelo Rebelo de Sousa. Embora militante do PSD terá o apoio institucional do CDS, caso se (re)candidate ao cargo. Isto, porque o CDS já percebeu, há muito, que a este nível ou em legislativas, e mesmo autárquicas, ou se mantém colado ao seu vizinho da direita, ou corre o risco de desaparecer. O PSD também sabe que sem o seu apêndice da direita a sua posição tende a fragilizar-se, portanto, o melhor é harmonizar as posições. Para ambos há duas novas ameaças: Ventura e Cotrim que só poderão ir buscar apoios aos terrenos de Rui Rio e Francisco R. Santos.

Na outra direita parlamentar há, pelo menos, um candidato anunciado pelo Chega, André Ventura, enquanto a Iniciativa Liberal ainda nada anunciou sobre o assunto, não sendo expectável que apoie Marcelo. Esta direita irá contabilizar uma parte dos que há três anos ajudaram e eleger Marcelo, mas estão descontentes com a sua magistratura, onde se incluem, naturalmente, os saudosistas do dr. António, mesmo que muitos não tenham vivido no seu tempo e não saibam nada da realidade de então; mesmo assim, vão dizendo que nesse tempo é que era bom, porque havia ordem, respeito, segurança, trabalho, havia muito ouro, não havia corrupção, nem marginalidade, nem migrantes, nem nenhuma das “desgraças” de hoje. O povo era ordeiro, vivia feliz com os seus costumes, os trabalhadores trabalhavam, os patrões mandavam, nada de greves nem manifestações, nada de partidos políticos, porque a União Nacional era a nossa Pátria e tanto bastava, havia futebol aos domingos para entreter o pessoal, a religião ajudava a manter as almas serenas e a polícia política fazia o resto que fosse necessário, com as penitenciárias e o Tarrafal, a “tratar” dos mais renitentes. Ora, esta gente, ou grande parte dela, já percebeu que com o atual Presidente da República, não alcançará os seus objetivos e as críticas já se vão fazendo ouvir, sendo de prever que com o aproximar do ato eleitoral se vão agudizando.

Do lado da esquerda é previsível que tanto o BE como o PCP / PEV apoiem candidatos da área respetiva tentando que as coisas se resolvam na segunda volta. O que não é previsível é o comportamento do PS! O secretário geral já deu um ar da sua graça quando, publicamente, incitou Marcelo a recandidatar-se, o que foi entendido como um apoio que parece não ter caído bem em muitos socialistas; as opiniões divergentes não se fizeram esperar e as “movimentações” internas que parecem começar-se a desenhar deixam prever que das duas uma: ou aparece um candidato que reúna o consenso do partido, o que já não é fácil, dada a atitude do secretário geral, ou acabará por acontecer o que já vem acontecendo em situações semelhantes – o partido vai-se dividir, uns votarão em Marcelo, outros num candidato da área socialista que acabará por aparecer e, muitos outros não votarão.

No primeiro cenário, com um candidato de consenso na área socialista e, aqui, aparecia o nome de Mário Centeno, seria de prever que nenhum candidato recolhesse a maioria absoluta na primeira volta e, na segunda, haveria a grande probabilidade de Marcelo não ser reeleito, já que, pelo menos em teoria, o peso eleitoral de toda a esquerda, sem a divisão do PS, seria maior do que o da direita. Contudo, a atitude de António Costa com a conversa na Auto-Europa, vai, muito provavelmente, provocar a divisão do eleitorado socialista e, se assim for, Marcelo terá a reeleição garantida.

Veremos!

 

O.C.

 

 

22.05.20

Grande comício!


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Há muito que não assistia a um comício partidário com a intensidade, clareza e objetividade como o que presenciei hoje no telejornal da hora do almoço. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a pretexto de ir a Ovar prestar a sua homenagem e mostrar o seu reconhecimento à população daquele concelho pela maneira como enfrentou o confinamento por causa da pandemia, aproveitou para fazer o que há muito o seu partido lhe “exigia” e a sua consciência de militante lhe estaria a pedir : puxar pelo PSD, pelo presidente do partido, Rui Rio, pelos autarcas do partido, por todos os seus apoiantes e eleitores, porque as sondagens não vão sendo favoráveis.

Todos conhecemos a forma habilidosa e inteligente como Marcelo R. de Sousa conduz a sua magistratura, em especial o seu pragmatismo e a capacidade de, em cada momento, se adaptar às circunstâncias e atuar em conformidade. Ele sabe que o descontentamento nas hostes do seu partido é grande, porque o desconforto de estar na oposição está criando muitos anti-corpos nos quadros mais ambiciosos e muito descontentamento nas suas bases de apoio que, tendo criado expetativas de que ele, Presidente, pudesse ser, de alguma maneira, a oposição ao governo que o partido não consegue fazer, verificam que tal não tem acontecido. Também sabe que o atual presidente do partido, Rui Rio, está longe de ser um elemento agregador e que são mais que muitas as vozes discordantes da sua atuação. O episódio de há poucos dias na auto-europa, em que o primeiro ministro sugeriu a recandidatura de Marcelo e levou muita gente a tirar conclusões precipitadas de se estar perante um apoio do PS a essa recandidatura, também terá pesado para que a ação presidencial ganhasse mais urgência. E aconteceu hoje! Numa autarquia do PSD, Marcelo juntou o Presidente do partido, Rui Rio, ao Presidente da Câmara local e não se poupou em elogios. O Presidente da Câmara foi um herói, antes, durante e depois do confinamento, a população de Ovar mereceu os maiores louvores pelo seu comportamento e Rui Rio, Presidente do PSD e, como diz Marcelo, o líder da oposição, teve um comportamento digno dos maiores louvores e só visto em estadistas de alta craveira, reconhecido não só dentro do País, como no estrangeiro. O facto de ter declarado apoio ao governo nesse cenário de pandemia que nos afetou foi, segundo disse, determinante para os bons resultados que se têm obtido. Foi ainda mais longe! No esforço que fez para realçar a figura do Presidente do seu partido disse que sabe bem como é difícil ser líder da oposição, que já foi, acha mesmo que é mais difícil ser líder da oposição do que ser primeiro ministro, mesmo que nunca o tenha sido.

Um comício como há muito não via! Um comício fora de tempo! Ou talvez não!

 

O.C.

10.05.20

1.º de maio


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Confesso que as cerimónias evocativas do 1.º de maio levadas a cabo pela CGTP, na Alameda, em Lisboa, me passaram um pouco ao lado, porque, dadas as atuais circunstâncias, me pareceu que não poderiam ser muito mais do que um ato simbólico, sem a participação e o fulgor habituais. Acabaram por ser mais ou menos isso, com o relvado da Alameda ocupado com uma coreografia condicionada pelas restrições de distanciamento em vigor, mas, ainda a cerimónia não tinha terminado e já rebentava a polémica, a indignação era mais do que muita, porque era uma afronta, uns não podem sair de casa para ver os filhos, os pais, os netos, a família toda; outros podem ir onde querem; uns não podem sair do concelho de residência e outros podem andar a passear de autocarro de norte a sul, de nascente a poente. Ou, ainda, porque o governo tem medo do PCP, ou porque todos têm medo da CGTP, ou porque alguém quis fazer frete a ambos. Tudo se disse e, naturalmente, há que respeitar a opinião de cada um. A minha opinião sobre o assunto é muito simples:

Ninguém morria e a CGTP não deixaria de ser o que é se o 1.º de maio tivesse sido comemorado de outra forma que não a concentração na Alameda.

Contudo... se entendo que cada um possa ter a sua opinião, não entendo a incoerência daqueles que debateram e aprovaram na Assembleia da República o que acabaria por ser consubstanciado no decreto do sr. Presidente da República, com o n.º 20-A/2020 de 17 de abril, publicado no Diário da República n.º 76, 1.ª série, de 17 de abril de 2020, o qual procede à segunda renovação da declaração de estado de emergência, com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública. .
Diz este decreto, a certa altura do seu preâmbulo:

Tendo em consideração que no final do novo período se comemora o Dia do Trabalhador, as limitações ao direito de deslocação deverão ser aplicadas de modo a permitir tal comemoração, embora com os limites de saúde pública previstos no artigo 4.º, alínea e), do presente Decreto"...

Segundo julgo saber, este assunto foi previamente debatido e aprovado na Assembleia da República por uma maioria em que se incluem PSD e CDS. Daí o não conseguir compreender todo o alarido que os responsáveis destes dois partidos fizeram pelo facto da CGTP ter feito o que fez. Fica-se com a sensação de que há dirigentes partidários que vivem numa permanente dualidade ao terem que assumir uma posição para público ver e não ficar mal na fotografia e outra para o interior dos partidos onde a oposição interna não lhes dá sossego.

O.C.