Sexta-feira, 12 de Agosto de 2016
Incêndios

Há pouco, vi e ouvi, na televisão, a sr.ª ministra da Administração Interna dizer, em tom de lamentação, que ao pedido de ajuda lançado por Portugal aos seus parceiros europeus para combater a vaga de incêndios que nos vai destruindo, apenas houve uma resposta – a da Itália.

Logo a seguir, o sr. primeiro-ministro, em jeito de crítica e chamada de atenção para com os mesmos parceiros europeus, dizia que a EU teria que repensar nos meios necessários para dar resposta a situações de emergência como aquela que estamos a atravessar. Certamente que estaria a pensar na conversa fiada de um responsável da dita união que, ao ser questionado sobre o assunto, terá afirmado que as situações de incêndio são muitas ao nível dos países da união e que os meios são limitados.

Isto suscita-nos dois comentários:

- Primeiro – Estavam à espera de quê? Desde quando é que Portugal está nas preocupações dos “donos”da EU? Desde quando é que este país interessa, a quem quer que seja (dentro da dita união), a não ser pela capacidade que temos tido (e continuamos a ter) de, por um lado, nos autodestruirmos, desmantelando, vendendo tudo quanto nos podia dar lucro e, por outro, nos afogarmos em dívidas e asfixiarmos com o pagamento dos juros dessas mesmas dívidas para ir engordando os grandes bancos europeus, com os alemães à cabeça?

Desde quando é que um periférico, pobre, endividado e ingénuo pode ter mais pretensões que não sejam as de poder aproveitar as sobras dos outros?

Parece que nascemos ontem…! É que, afinal, os 8 séculos e meio de existência que já contamos, parece que ainda não chegaram para que nos afirmemos como um país a sério, verdadeiramente independente e respeitável! É uma pena…!

E se os outros nos começam a ver como aqueles irresponsáveis que não se sabem governar e, quando se veem aflitos, saltam a gritar por ajuda…também temos que admitir que esses outros se sintam mais à vontade para nos mandar “à fava”!

- Em segundo lugar – Está tudo a arder! Outra vez! Vem sendo assim há anos! E a primeira pergunta que se tem que fazer é simples: Porquê? E, a seguir, mais umas quantas perguntas: Quanto custa aos cofres do Estado uma campanha de combate a incêndios como a de este ano? Para não falar em vidas humanas que se possam perder e que não cabem em nenhum orçamento…! Quanto se investiu, durante este ano, (e nos outros) na campanha de prevenção para evitar que esta calamidade acontecesse ou, pelo menos, fosse minimizada? Quem poderá beneficiar com esta desgraça? Qual o prejuízo patrimonial/material irreparável que daqui resulta? Alguém faz/fez estas contas para que se possam/pudessem tirar conclusões e adotar medidas sérias que nos livrem deste flagelo? Há alguém responsável com a coragem necessária e suficiente para fazer/mandar fazer um estudo sério sobre esta problemática e dar a conhecer as conclusões aos portugueses? E já agora: há alguém responsável com coragem para sujeitar essas eventuais conclusões a um amplo debate nacional (com ou sem Assembleia da República) e aceitar sugestões a acolher (ou não) numa decisão final?

É claro que as perguntas nunca mais acabariam!

E a última! Inevitável: Haverá alguém com culpa pelo que está a acontecer?

Ou será que todo o mundo está de consciência leve e tranquila como se nada tivesse acontecido e tudo se fica a dever ao destino, ou aos desígnios dos deuses, ou à indomável força da Natureza, ou a outra coisa qualquer…?

 

O.C.



publicado por ouremreal às 16:17
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